Ferrari e McLaren se resguardam antes de novas regras e limitam mercado de pilotos

Os anúncios dos novos contratos de Charles Leclerc e Lando Norris evidenciam um caminho menos ousado de Ferrari e McLaren, respectivamente, que optaram por manter as armas que têm antes da virada do regulamento em 2026. O movimento também deve estagnar o mercado de pilotos dos próximos anos

De forma precoce e inesperada, Ferrari e McLaren sequer esperaram o início da temporada para sacramentar a renovação de seus principais pilotos. No caso ferrarista, o então acordo de Charles Leclerc com os italianos terminaria em 2024, mas agora vai até pelo menos 2026. Já o de Lando Norris é mais espantoso. Isso porque o time inglês havia acordado um vínculo de três anos no início de 2022. Em nova assinatura, Norris passa a defender o time de Woking até 2027. São contratos longos, portanto, e que se estendem até a virada do regulamento. Mas o que isso diz sobre as duas equipes e o próprio mercado de pilotos da F1 para além deste ano?

A história sobre o acordo entre Ferrari e Leclerc vem desde o ano passado. É bem verdade que Maranello, no papel do presidente John Elkann, chegou a sondar Lewis Hamilton, mas sem sucesso. De toda a forma, a escolha pelo monegasco sempre pareceu óbvia. Isso porque as opções no grid também estão restritas — para ambas as partes, neste momento. Charles é o homem de confiança dos italianos e agora está mais claro que nunca. É nele que mora a esperança ferrarista de voltar à disputa de títulos. E ao fim do acordo, o piloto de Mônaco vai somar nove temporadas consecutivas com a escuderia, o que deve colocá-lo como o competidor com maior número de corridas com a Ferrari na Fórmula 1.

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Mas há também algumas ressalvas. Diz a imprensa italiana que o novo acordo, além de um substancial aumento de salário, também prevê cláusulas de saída, especialmente no caso de um projeto fracassado. Ao mesmo tempo, claro, o documento também impõe a pressão de vencer — para ambos os lados.

De toda a forma, parece muito acertada a decisão da Ferrari, especialmente levando em conta a mudança no regulamento a partir de 2026. Na Itália, espera-se que renovação de Carlos Sainz seja apenas uma questão de tempo, o que também vai fechar as portas para eventuais mudanças futuras.

Mercado de pilotos será afetado por contratos longos nas principais equipes (Foto: Rodrigo Berton/Warm Up)

O movimento da McLaren é semelhante ao da rival, mas com uma pressa ainda maior, porque Norris tinha um contrato que só se encerraria ao fim de 2025. Não se pode negar a decisão estratégica da equipe laranja. Embora nunca tenha vencido uma corrida na F1, apesar da experiência, Lando se tornou um elemento importante do grid. Tecnicamente, é um piloto muito forte e talentoso, além de popular entre os fãs. Então, não é nenhuma surpresa que seu nome tenha sido alvo de rumores sobre o interesse de gente parruda, como a Red Bull recentemente, mas também houve especulações que envolveram Ferrari e até mesmo a Audi nos últimos tempos.

Zak Brown e Andrea Stella, portanto, agiram rápido e trataram logo de assegurar seu astro nas garagens, em um vínculo ainda mais longo que o de Leclerc. De novo, do ponto de vista de Woking, a renovação é acertadíssima.

Mas não deixa, por outro lado, de abrir algumas questões sobre o grid da F1. A primeira delas diz respeito ao imediatismo e até mesmo certa falta de ousadia. Será mesmo que era necessário segurar os dois pilotos dessa forma? Já provaram que são indispensáveis? Há um argumento interessante aqui.

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Com tanta coisa em jogo ainda e com tantos acordos chegando ao fim em 2024, talvez não fosse tão dramático esperar um pouco mais e ver o que acontece, até mesmo em termos de performance pura e entrega, e num período em que a tendência é verificar uma aproximação maior o primeiro pelotão, na medida em que o atual regulamento amadurece e se torna mais claro.

E há ainda outro ponto, talvez o mais palpável. Contratos longos também tendem a estagnar o mercado de pilotos e parece que esse é o caso agora. Isso se estende às quatro primeiras equipes da classificação 2023. O tricampeão Max Verstappen tem vínculo com a Red Bull até 2028, enquanto a dupla da Mercedes fechou até pelo menos fim de 2025. A Ferrari se aliou a Leclerc agora e Sainz deve ser o próximo, enquanto o cenário se repete na McLaren.  

Portanto, é apenas sintomático que isso aconteça em um momento que, pela primeira vez na história, a Fórmula 1 não terá mudanças em nenhuma dupla de pilotos e tampouco novatos em 2024.

Fórmula 1 retorna às pistas de 21 a 23 de fevereiro, com os testes coletivos da pré-temporada no Bahrein, no circuito de Sakhir. A primeira corrida do campeonato está marcada para 2 de março, também em solo barenita.

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