No último dia da pré-temporada, em Barcelona, Lewis Hamilton reafirmou a busca por equilíbrio da Mercedes e
disse que a Ferrari começava 2019 em torno de 0s5 à frente. Só que a F1 chegou à Austrália, e a Mercedes se plantou como favorita e meteu 0s7 em cima dos vermelhos no grid e quase 1min na corrida. Então, a pergunta foi inevitável: para onde tinha ido aquela performance toda dos italianos? A particularidade do Albert Park surgiu como grande parte da resposta. E até pode ter sido isso mesmo, uma vez que o Bahrein retoma o ponto em que a F1 parou em Barcelona, no início de março.
A primeira sexta-feira árabe da temporada 2019 terminou com uma assombrosa Ferrari na frente. Sebastian Vettel puxou a fila com Charles Leclerc apenas 0s035 mais lento, em segundo. A força ferrarista esteve nos pneus vermelhos – a Pirelli entregou para a etapa barenita os compostos duros (C1), os médios (C2) e os macios (C4). Tanto é assim que a equipe italiana foi significativamente melhor em ritmo de classificação – chegou a simular duas vezes a fase decisiva do treino que decide as posições de largada. E nas duas oportunidades foi mais veloz que a rival Mercedes. Bem mais veloz, graças também a diferentes configurações de potência do motor.
Então, quer dizer que a Austrália foi realmente um ponto fora da curva e que a atual campeã está atrás mesmo? Não. A esquadra prateada continua muito forte.
É certo que encontrou mais problemas com o equilíbrio do carro hoje
e não tirou tudo em termos de classificação, mas isso sempre muda no sábado. E o cenário fica mais nítido ao observar a simulação de corrida das duas adversárias, que trabalharam em táticas diferentes com seus pilotos, tentando cobrir aquilo que pode desenhar a corrida de domingo.
Charles Leclerc liderou o primeiro treino do dia (Foto: Beto Issa)
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O tetracampeão não chegou a ensaiar corrida com os vermelhos. Deu prioridade aos médios amarelos. Já o monegasco iniciou o stint com o carro mais pesado na casa de 1min34s3 e foi virando voltas consistentes entre 1min35s5, 1min35s6 e 1min35s7. Leclerc, entretanto, fez um curto stint com os amarelos. Na verdade, Vettel foi quem andou mais com os médios, tendo giros que começaram em 1min34s8 e se tornaram constantes entre 1min35s2 e 1min35s6.
Já a Mercedes focou no trabalho de simulação de prova, tanto que Lewis Hamilton foi quem mais andou, entre os quatro pilotos, com os amarelos. Foram 20 voltas bem intensas. O inglês começou na casa de 1min34s6 e permaneceu em 1min34s9, 1min35s4, 1min35s5. Valtteri Bottas andou em 1min34s7 e 1min35s2.
“No momento, parece que as Ferrari estão à frente, então temos de continuar focados, seguir trabalhando, analisar as coisas hoje à noite e tentar voltar mais fortes amanhã. Acho que, quando chegarmos à classificação, tudo vai ficar um pouquinho mais apertado, mas vai ser uma batalha difícil”, afirmou Hamilton após a segunda sessão do dia.
Lewis Hamilton foi quem mais se aproximou das Ferrari (Foto: AFP)
A performance de ambas, então, sugere um equilíbrio em termos de ritmo de corrida, com uma ligeira vantagem dos alemães. E isso torna a coisa ainda mais intrigante: que estratégia escolher para a prova do domingo. O Bahrein sempre provou ser uma corrida de táticas múltiplas dado o asfalto mais agressivo e as mudanças de temperatura. Ao que parece, Ferrari e
Mercedes têm forças distintas no que diz respeito aos pneus. Só a classificação vai elucidar essa dúvida.
E ainda há essa classificação. Diante do desempenho apresentado pelas duas, engana-se quem acredite que a distância de 0s6 é real. A Mercedes tem uma sobra com seu temido ‘modo festa’ no Q3 e a Ferrari ainda tem no que ganhar, com uma excepcional velocidade de reta. Ou seja, com tudo no lugar de novo, é provável ver uma repetição do que aconteceu naquele longínquo último dia de testes, quando Vettel e Hamilton ficaram separados por apenas 0s003.
"Acho que é bastante óbvio. Foi possível ver que nos dados de GPS e na velocidade de reta, nós estávamos trabalhando em diferentes acertos do motor na comparação com os demais. Por isso, espero uma batalha muito dura amanhã", disse o chefe ferrarista, Mattia Binotto.
Nico Hülkenberg, o melhor do resto (Foto: Renault)
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Surpreendentemente,
a Renault surgiu próxima da Mercedes, liderando o pelotão intermediário. A busca por um equilíbrio melhor dos prateados talvez explique a ascensão dos franceses, que viram Nico Hülkenberg se posicionar em quinto, a pouco mais de 0s1 de Bottas – Daniel Ricciardo viveu um dia sofrível e ficou bem atrás. Max Verstappen foi o sexto, ainda é cedo para dizer se a Red Bull vai ter mais trabalho com o grupo do meio. O holandês perdeu o momento da simulação de classificação na noite barenita e acabou sem ter como mostrar um desempenho mais real.
O top-10 foi completado por uma forte Haas e uma ainda irregular McLaren. Daniil Kvyat colocou a Toro Rosso em décimo, dando a entender que o motor Honda pode mostrar mais do que fez até aqui. Talvez a única decepção do dia tenha sido a Alfa Romeo, que teve problemas de vazamento nos dois carros.
A única certeza segue sendo a Williams. A equipe inglesa continua sem peças de reposição, o que obriga George Russell e Robert Kubica a terem um cuidado extra que, invariavelmente, vai se refletir no já péssimo momento do time, que precisou recorrer a Patrick Head.
A F1 volta à pista no sábado, a partir das 9h (horário de Brasília), com o terceiro treino livre, enquanto a classificação está marcada para 12h (também horário de Brasília). O GRANDE PRÊMIO acompanha AO VIVO e em TEMPO REAL todo o fim de semana do GP do Bahrein. Siga tudo aqui.
A rodada de palpites do Paddock GP #152 para a etapa do Bahrein teve bastante diversidade de opiniões. Nenhum dos cinco jornalistas colocou o mesmo piloto como vencedor e apenas Pierre Gasly não foi citado entre as três principais equipes. O quinteto ainda apostou em quantas voltas a Williams vai tomar na corrida. ASSISTA
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