Fórmula 1 leva Mercedes ao erro com sinalização porca de pit-lane fechado na Itália

A Fórmula 1 não fez nada ilegal, mas criou confusão desnecessária e contribuiu para a entrada de Lewis Hamilton no pit-lane fechado em Monza. A sorte da categoria é que o britânico nada de braçada no campeonato e que a punição criou corrida excelente

A Fórmula 1 teve um dia propriamente bom em Monza no último fim de semana. O público matou a saudade de uma corrida propriamente louca, com o primeiro vencedor realmente inusitado desde Pastor Maldonado em 2012. A saga de Pierre Gasly rumo ao alto do pódio é repleta de méritos próprios, que não podem ser ignorados. Da mesma forma, não dá para passar batido: Lewis Hamilton só foi punido e tirado de combate porque a direção de prova não foi nem um pouco clara a respeito do pit-lane fechado.

A discórdia aconteceu ainda no primeiro safety-car, o causado pelo carro estacionário de Kevin Magnussen. A Haas #20 estava muito próxima da entrada dos boxes, mas não dentro, o que exigia o trabalho dos fiscais em uma área perigosa. Para evitar riscos desnecessários, o carro de segurança foi acionado e o pit-lane, fechado. E aí entra o problema: não houve sinalização clara disso. Não há semáforo na entrada dos boxes, só na saída. Os painéis eletrônicos na beira da pista mostravam um ‘X’ amarelo, e não algo mais sugestivo como algo vermelho. Para completar, a FIA só comunicou o box fechado em uma área menos óbvia do sistema informativo às equipes. Quando a Mercedes percebeu, Lewis já estava nos pits e era tarde demais.

A Mercedes não teve como reagir ao pit-lane fechado (Foto: Mercedes)

É importante dizer que não era impossível achar a informação. Afinal, só Hamilton e Antonio Giovinazzi foram punidos por isso. Mas a situação toda aconteceu com Lewis já muito próximo dos boxes: a entrada aconteceu meros 12 após o fechamento do pit-lane. A infração ocorreu por pura falta de tempo de reação.

Toto Wolff, chefe da Mercedes, resumiu a situação: “Foi uma sequência estranha de acontecimentos que talvez a gente pudesse ter percebido antes. As decisões tomadas foram muito inusitadas, mas completamente dentro das regras”.

Em outras palavras, a F1 não pode ser acusada de agir de má-fé. Não há qualquer sinal de uma grande conspiração para prejudicar Hamilton e Mercedes. A punição de stop-and-go de 10s também não é descabida, já que fazer pit-stop com pit-lane fechado é uma infração grave. Só que a F1 pode, e deve, ser acusada de não agir com a clareza necessária. Lewis foi o prejudicado no domingo, mas poderia muito bem ter sido Valtteri Bottas, Max Verstappen ou qualquer outro.

É possível que o GP da Itália abra uma caixa de pandora quando o assunto é regime do pit-lane. Agora parece óbvio que precisamos de um semáforo com luz verde ou vermelha na entrada, e não apenas na saída. Parece óbvio também que um ‘X’ amarelo não diz nada aos pilotos. Não é raro ver a F1 só colocando trancas depois de arrombarem as portas.

A sorte da F1 é que a punição de Hamilton resultou em uma prova incrível (Foto: McLaren)

Por outro lado, a F1 pode respirar aliviada. A situação infeliz tirou uma vitória provável de Hamilton, que terminou apenas em sétimo, mas a consequência disso no campeonato é mínima. Como Valtteri Bottas foi quinto e Max Verstappen nem terminou, a campanha do heptacampeonato segue firme e forte. São 47 pontos de vantagem sobre Valtteri, que só murcha.

Além disso, a punição criou um momento que não será esquecido tão cedo. O público celebrou o fim de um longa sequência de corridas apenas com vitórias de Ferrari, Red Bull e Mercedes. A vitória de Kimi Räikkönen no GP da Austrália de 2013, de Lotus, tinha sido a última ocasião. O pelotão intermediário teve sua chance de brilhar e fez bom uso.

Mesmo assim, o diretor de prova Michael Masi merece um puxão de orelha: novas lambanças desse gênero podem ser bem menos divertidas e com consequências bem mais sérias.

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