Grosjean fala em renascimento após acidente no Bahrein: “Não era minha hora”

O piloto da Haas contou que quer voltar ao carro em Adu Dhabi para terminar história na Fórmula 1 de um jeito de diferente. O franco-suíço de 34 anos contou que pensou nos filhos antes de sair do carro

Romain Grosjean falou em renascimento após o grave acidente que sofreu no GP do Bahrein de domingo passado. O piloto da Haas contou que o tempo no carro pareceu muito superior a 28s, mas afirmou que ainda não era hora de morrer.

Grosjean procurava espaço para ultrapassar ainda nos primeiros metros da corrida em Sakhir, mas tocou na AlphaTauri de Daniil Kvyat e seguiu em alta velocidade na direção do muro. O guard-rail não conteve o bólido, que não só foi partido ao meio, como também explodiu após um impacto de 53G.

Romain ficou 28s sob fogo, mas conseguiu sair sozinho do carro e pular o que restava do guard-rail para ser amparado pela equipe médica da Fórmula 1, que chegou prontamente ao local do acidente. O franco-suíço teve queimaduras nas mãos e no tornozelo.

A pancada destruiu o guard-rail (Foto: AFP)

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Na primeira entrevista após o acidente, Grosjean contou o que lhe passou pela cabeça nos instantes após a batida e admitiu que pensar nos filhos o ajudou a sair do carro. Apesar de hospitalizado, Romain se mostrou animado e brincou que está com “as mãos do Mickey Mouse”, efeito do curativo feito nas queimaduras.

“Não sei se a palavra milagre existe ou pode ser usada, mas de qualquer forma, diria que não era a minha hora”, disse Grosjean ao canal francês TF1. “Pareceu muito mais tempo do que 28s. Minha visão ficou toda laranja, vi as chamas do lado esquerdo do carro. Pensei em muitas coisas, inclusive em Niki Lauda, e pensei que não era possível acabar daquele jeito, não agora. Não podia terminar a minha história na F1 daquele jeito”, seguiu.

“E aí, pelos meus filhos, disse a mim mesmo que tinha de sair. Coloquei as minhas mãos no fogo, então claramente as senti queimando no chassi”, relatou. “Eu saí, senti alguém puxando o macacão, então sabia que estava fora”, continuou.

O piloto da Haas contou, também, que o filho Simon, de cinco anos, acredita que ele tem “poderes mágicos” e um “escudo mágico de amor” protegendo-o.

“São palavras muito fortes para as crianças. Meu mais velho, Sacha, que tem sete anos, é mais racional, tenta entender. E o meu pequeno fez um desenho ‘para as feridas nas mãos do papai’”, afirmou.

O franco-suíço de 34 anos reconheceu que provavelmente vai precisar discutir o trauma que sofreu, já que temeu a morte.

“Fiquei com mais medo pela minha família e amigos. Obviamente, por meus filhos, que são minha maior fonte de orgulho e energia, e, no fim, por mim mesmo. Acho que terei de fazer algum trabalho psicológico, pois realmente vi a morte chegando”, comentou. “Nem em Hollywood são capazes de fazer imagens como aquelas. Foi o maior acidente que já vi na vida. O carro pegando fogo, explodindo. A bateria também pegou fogo, o que adicionou muita energia ao impacto”, frisou.

Apesar do susto, Romain reconheceu que quer voltar ao carro em Abu Dhabi. Mais cedo, o chefe da Haas já tinha relatado a vontade do piloto.

“Eu diria que existe uma sensação de felicidade por estar vivo, de ver as coisas diferente. Mas também tem a necessidade de voltar ao carro, se possível em Abu Dhabi, para terminar a minha história na F1 de uma maneira diferente”, justificou. “É quase como um segundo nascimento. Sair das chamas naquele dia vai marcar a minha vida para sempre. Tenho muitas pessoas me mostrando amos, e isso me tocou muito. E, às vezes, fiquei com os olhos marejados”, encerrou.

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