GUIA 2021: Pré-temporada reacende fé na Red Bull e em pelotão único na F1

Os testes nos deixaram com mais perguntas do que respostas. Ainda assim, dá para ficar otimista com dias que indicaram uma Fórmula 1 mais competitiva do que ano passado

A Fórmula 1 divulgou uma simulação de volta no mais novo circuito de rua da Fórmula 1, Jidá, na Arábia Saudita (Vídeo: Fórmula 1)

O bom senso indicava que a pré-temporada de 2021 seria a mais chata dos últimos tempos. Os carros de Fórmula 1 são essencialmente os mesmos de 12 meses atrás e, com apenas três dias disponíveis no Bahrein, nem haveria tempo hábil para muita ação da parte das equipes no desenvolvimento. Só que fomos todos enganados: os testes terminaram com a sensação de que podemos, sim, confiar em uma categoria mais competitiva e em um grid mais compacto.

O primeiro sinal de que as coisas seriam diferentes em 2021 veio já na abertura da pré-temporada. Max Verstappen foi o mais rápido em 12 de março, ainda sem usar o pneu mais aderente de todos. A Mercedes teve azar logo de cara: problemas no câmbio impediram Valtteri Bottas de andar pela manhã, enquanto Lewis Hamilton foi afetado pela tempestade de areia que atingiu Sakhir.

O segundo dia foi de maior normalidade. Ao fim das duas sessões, o agregado de tempos do dia mostrou Valtteri Bottas em primeiro, indicando que a Mercedes tinha mesmo velocidade no novo W12. Só que nem tudo era um mar de rosas, vide a performance de Lewis Hamilton: o britânico perdeu controle na curva 13 de Sakhir, rodando e atolando na brita. A cena, rara, ganhou manchetes: a campeã mundial ainda tinha um carro rápido, mas que aparentava ser instável. Isso logo quando a Red Bull, que usou pneus mais duros com Sergio Pérez e apareceu apenas em nono, aparentava ter melhor dirigibilidade que em 2020.

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Todos os pilotos na classe da temporada 2021 da Fórmula 1 (Foto: F1/Twitter)

A pré-temporada se encerrou com Verstappen liderando o terceiro dia, confirmando a sensação de que a Red Bull corrigiu pontos fracos de seu carro. De quebra, em um novo dia complicado para a Mercedes, que viu Hamilton rodando e sofrendo para encaixar voltas, dados os novos sinais de instabilidade no bólido. Não é exagero dizer que os dias no Bahrein representaram o pior começo de ano da esquadra na era híbrida. Para quem torce por um ano mais parelho, é um prato cheio: o GP do Bahrein desta semana deve acontecer com duas equipes em condições de sonhar com a vitória, ao invés de apenas uma como até pouco tempo atrás.

Apesar disso tudo, seria errado resumir a pré-temporada a uma briga de duas equipes. E isso fica evidenciado justamente na ordem final do terceiro dia de testes: Yuki Tsunoda foi apenas 0s093 mais lento que Max Verstappen. Claro, o japonês usou o pneu C5, o mais macio de todos, e parecia simular classificação contra um holandês que não queria mostrar todo o ritmo logo de cara. Ainda assim, é inegável que a AlphaTauri virou uma das grandes histórias do Bahrein. A equipe usa mais peças da Red Bull em 2021, e parece transformar isso em performance digna de luta pela liderança do pelotão médio. Mesmo que Tsunoda sofra um pouco na adaptação à nova realidade, vindo da F2, Pierre Gasly tem cacife para trazer resultados dos mais dignos.

E a lista continua. Alpine e McLaren andaram bem também, apesar de não focar tanto em volta de classificação quanto Tsunoda focou no terceiro dia. A equipe alaranjada sofreu um pouco mais com falta de quilometragem, mas nada a ponto de colocar os planos de 2021 em risco. Até algumas equipes mais do fundão, como Alfa Romeo e Williams, mostraram que podem andar relativamente bem se as condições forem favoráveis.

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LEWIS HAMILTON; SAKHIR; PRÉ-TEMPORADA; DIA 2; FÓRMULA 1;
Lewis Hamilton escapou na curva 13 e provocou bandeira vermelha em Sakhir. Drama na Mercedes? (Foto: Reprodução)

Dito isso, é claro que nem todo mundo foi bem no Bahrein. Além da Mercedes, a Aston Martin ficou devendo. E bastante: Sebastian Vettel teve problemas mecânicos e, como cereja no bolo, foi o titular mais lento de todos no agregado dos tempos. É o caso curioso de uma equipe que copiou o carro extremamente vencedor da Mercedes em 2020 e ainda não o fez funcionar para valer. Assim como a própria campeã mundial ainda não colocou o seu próprio bólido nos trilhos.

Esses altos e baixos ainda não são oficiais e certamente serão reavaliados ao fim do GP do Bahrein desta semana. Dito isso, o público tem motivos para criar expectativas. McLaren e Alpine já falaram abertamente que esperam o fim da noção de pelotão dianteiro, médio e traseiro. Isso tudo deve ficar meio misturado, em uma enorme área cinzenta. A AlphaTauri vai estar na meioca um dia, mas vai estar perto do pódio em outro. A Williams não vai passar do Q1 em um dia, mas vem forte por pontos em outro. Só Mercedes e Red Bull parecem ter presença carimbada na dianteira da F1, e com ordem ainda a ser definida.

Sempre se fala que os testes nos ajudam a encontrar respostas para perguntas da temporada vindoura. Queremos prever ao certo o que esperar de pilotos A e B, de equipes X e Y. Não rolou: faltam poucos dias para a primeira corrida e, apesar de termos alguns sinais, não temos respostas óbvias para nada. Ao contrário do visto na pré-temporada de 2020, por exemplo, que quase confirmou o título da Mercedes com nove meses de antecedência. Agora, nada disso. Talvez seja por isso que os testes desse ano tenham sido tão bons.

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