GUIA 2021: Perdidamente apaixonado pela F1, Alonso volta sabendo qual seu lugar no mundo

Fernando Alonso voltou à Fórmula 1 para uma nova vida, uma carreira bônus, sem tantas tensões e pressões de ser quem é. Voltou por amor

A estreia de Fernando Alonso a bordo do carro da Alpine em 2021 (Vídeo: Alpine/Twitter)

O ano era 2017 e Fernando Alonso fazia os preparativos para disputar as 500 Milhas de Indianápolis pela primeira vez na vida. Quando se afastava da Fórmula 1 e ia aos Estados Unidos, parecia outra pessoa. Leve, cheio de sorrisos, figura adorável e de tão fácil trato que causava espanto naqueles que o viram por tanto tempo no Mundial. Que Alonso era aquele? Após dois anos fora do circuito, o bicampeão está de volta para ser uma figura diferente.

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Fernando pode não falar sobre, mas é fato que os dois anos longe da Fórmula 1, sendo campeão mundial de endurance, fazendo o Dakar, mostrando ao mundo que ainda tem velocidade, fizeram bem a ele. Ao desapegar da Fórmula 1, Alonso enterrou o personagem que vagou como alma penada para um lado e para o outro, com fortes pegadas de azar, na busca por um terceiro título mundial que não chegou mesmo com uma década de tentativas.

A tensão daqueles tempos, a instabilidade de ser Fernando Alonso, ser cobrado para vencer e tratado algo como um fracasso por não conquistar o terceiro título por tanto tempo, além de estar longe, ficou para trás. Pode parecer pouco, mas os dois anos de ausência oferecem distância temporal e um tão necessário contexto. A primeira vida de Alonso na Fórmula 1, aquela que começou com a Minardi em 2001 e foi retomada com a Renault em 2003, rendeu dois títulos, 32 vitórias e incontável prestígio ficou para trás. A vida que recomeça em 2021 é um bônus.

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Os dois anos de ausência tornaram isso capaz. Ver Alonso com carros de ponta, rápido, com facilidade de se adequar e mais apaixonado que nunca pelo ofício de piloto tem um impacto evidente: em vez de ironizado pelo insucesso dos últimos anos de F1, Fernando volta comemorado, com talento reforçado e destacado. E mais: ao decidir voltar à Fórmula 1 para a equipe de sua vida e aos 40 anos e tantas portas abertas pelo mundo, deixa claro que é, acima de tudo, perdidamente apaixonado pela Fórmula 1.

FERNANDO ALONSO; FÓRMULA 1; ALPINE; F1 2021;
Fernando Alonso foi um dos bons nomes dos testes de pré-temporada da F1 no Bahrein (Foto: Alpine F1 Team)

“O principal motivo pelo qual estou aqui ou voltei é porque senti que estava no meu melhor nos últimos dois anos… Senti que estava pilotando melhor do que nunca. Tive de decidir qual seria meu próximo desafio depois de Le Mans, Indy, Dakar, tudo o que eu fiz. Achei que, estando no meu melhor agora, talvez a Fórmula 1 fosse o lugar para estar. Vou ter tempo, no futuro, para repensar alguns desafios que não foram concluídos. Isso é o principal. Senti que tenho algo para fazer aqui de novo”, afirmou o espanhol.

Voltar à Alpine é também um livramento. Ninguém acredita que a equipe francesa desafie seriamente Mercedes ou Red Bull pelo título. Alonso voltou porque adora a Fórmula 1. É algo que talvez não estivesse claro nem para si mesmo, afinal. O sonho de ser campeão certamente ainda existe, porque competidores deste nível nunca param de pensar nisso em seus sonhos mais ardorosos, mas não é para isso que ele retorna. É pelo trabalho, pela velocidade. Aquela pressão de cobrar o tri, tanto da opinião pública quanto dele próprio, não vai mais triturar lhe a psique.

Sem os sentimentos mais soturnos que decepção que causaram mais que algumas vezes problemas entre Alonso e quem trabalhava a seu lado, sobra uma figura dócil, de personalidade galanteadora e até divertida. Fernando quer brincar – e, aqui, não entenda errado: profissional que é, levará sempre muito a sério, mas se o que te move deixou de ser obsessão para somente paixão, então curtir o que te maravilha é natural.

Com este Alonso em fase bônus, é mais difícil imaginar que o asturiano transforme a Alpine em incêndio. Mas Fernando ainda é Fernando e, se as coisas derem errado, aquele velha ignição ainda abrasa rapidamente. Ter um companheiro como Esteban Ocon, jovem e precisando de redenção, também é um fator: trata-se de alguém de personalidade firme e que não se furta em esfregar tijolo na parece de chapisco. Até porque enfrentar Alonso é diferente de Sergio Pérez ou Pascal Wehrlein, com quem teve atritos. Já parece até um pacifista quando fala no novo companheiro.

“Não parece um homem de 39 anos, nem piloto como alguém de 39 anos. Sempre estive convencido de que ele entregará o máximo desde a primeira corrida, e sua enorme experiência ajudará. É fabuloso trabalhar com ele, um piloto que sempre admirei. Será um osso duro de roer do outro lado da garagem, e terei que fazer o meu melhor para que posso ganhar este duelo”, elogiou.

No que diz respeito à parte técnica, não há dúvidas de que Alonso segue sendo um piloto de recursos invejáveis. A situação, entretanto, não é das mais fáceis: o conceito do carro da Alpine vem sendo desenvolvido para Daniel Ricciardo há dois anos. Com o australiano fora, resta juntar os cacos e deixar Fernando – e Esteban – o mais confortável possível. Talvez até por isso o carro tricolor tenha aparecido com linhas tão distintas com relação ao do ano passado. No design geral, é um dos bólidos mais mexidos e com o destaque, claro, para o cooler movido para a área da tampa do motor, que ficou extremamente diferente das outras no grid.

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Fernando Alonso deu mais de 100 voltas com a Alpine num mesmo dia (Foto: Alpine)

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No comando disso tudo está Davide Brivio, um sujeito que vem de trabalho nada menos que espetacular na Suzuki… na MotoGP. A busca por alguém que revolucionou uma fábrica noutra grande categoria vem na rebarba do que fez a McLaren ao importar Andreas Seidl da Porsche e do endurance – e comecinho do projeto na Fórmula E. Oficialmente, Brivio será diretor de corridas e vai dividir a chefia com o diretor-executivo Marcin Budkowski. Mas é o italiano quem tomará conta das operações de fim de semana. É um caso curioso em que quem manda tem muito mais a aprender que aquele que guia o carro.

“Não acho [que Fernando seja temperamental]. Nós tivemos apenas algumas conversas iniciais e o senti como uma pessoa muito normal, apenas extremamente motivado, disposto a procurar e colocar todas as coisas necessárias para termos o melhor carro e a melhor equipe”, contou Brivio. “Ele não retornou apenas para guiar, ele voltou para tentar atingir bons resultados e sair satisfeito. Sim, ele é muito exigente, mas é disso que eu gosto. Nós precisamos desse tipo de piloto, queremos isso, quem está disposto a colocar tudo junto para tentar ao máximo obter resultados. Aprecio esse tipo de atitude e abordagem, e é claro que trabalharemos juntos o melhor que pudermos para usar as habilidades e os potenciais dele”, apontou.

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Nos testes de pré-temporada, a Alpine andou bastante. Não foi quem mais quilometragem acumulou, teve 396 contra 404 da Ferrari e 422 de AlphaTauri e Alfa Romeo. Só que todas estas outras rodaram um tanto de pneus supermacios e/ou em ritmo de classificação, analisando desempenho. A Alpine passou todo o tempo em outro caminho: ritmo de corrida, testes sistemáticos, tanque cheio. O carro dura bastante e tem ritmo interessante para corrida, é o que dá para dizer no momento.

O acidente que sofreu na Suíça não diz muito sobre o que Alonso fará em 2021. Por sorte de todos, nada mais grave que uma fratura na boca e alguns dentes quebrados para o que poderia ser bem pior. Não é como se o espanhol já não tivesse passado por outros momentos assim. A pré-temporada mostrou que está pronto.

De qualquer forma, esta Alpine, que é uma Renault turbinada por mudanças do topo ao cockpit, conta com a experiência de Alonso para saltar ao top-3 do grid da Fórmula 1. Mais do que a experiência, a paixão.

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