GUIA 2021: Haas desiste de ‘sonho americano’ e aposta em novatos com foco em 2022

A Haas adotou uma dupla de novatos e ganhou injeção financeira da família Mazepin, mas a esperança é de um 2021 sem evolução e com foco na mudança de regulamento

A Fórmula 1 divulgou uma simulação de volta no mais novo circuito de rua da Fórmula 1, Jidá, na Arábia Saudita (Vídeo: Fórmula 1)

2021 será o ano mais diferente da curta trajetória da Haas na Fórmula 1. Depois de um início promissor e se firmando no pelotão intermediário, a equipe americana sofreu com duas temporadas consecutivas terríveis, fechando na penúltima colocação entre os Construtores, o que exigiu mudanças.

A primeira parte do início da reconstrução da Haas veio com a implosão da dupla mais longeva do grid. Romain Grosjean, que estava no time desde o nascimento em 2016, foi dispensado junto do dinamarquês Kevin Magnussen, que se juntou à equipe em 2017 para o lugar de Esteban Gutiérrez. Apesar de serem dois dos pilotos mais criticados da Fórmula 1, a demissão foi um contraste com o pensamento pregado pelo time nos maiores momentos de pressão, bancando a dupla e argumentando pela experiência que traziam para ajudar o time.

A Haas passou a estreitar os laços com a Ferrari, que viu na equipe americana uma oportunidade de ter um time B e não promover demissões em massa por conta da introdução do teto orçamentário. Um exemplo é Simone Resta, responsável pelo departamento de engenharia de chassi em Maranello, que assumiu posto técnico na Haas.

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MICK SCHUMACHER; HAAS; FÓRMULA 1; F1 2021;
Mick Schumacher é um dos estreantes para a temporada 2021 da Fórmula 1 (Foto: Haas F1 Team)

Mas o grande símbolo dos laços veio pelo anúncio de Mick Schumacher como titular da equipe de Kannapolis. O campeão da Fórmula 2 em 2020 e filho do heptacampeão mundial Michael é membro da academia de jovens pilotos da Ferrari, e Guenther Steiner, chefe da Haas, reconheceu que não teve dedo na escolha do jovem alemão.

“A Ferrari decidiu que Mick seria o piloto promovido e, claro, por mim tudo bem”, resumiu Steiner, sem esconder o jogo. “Ter Schumacher na Haas é, claro, uma grande honra e vai causar interesse em todo o mundo. Você precisa saber lidar com isso, porque pode se virar contra você. De qualquer forma, queremos dar a ele o melhor material possível, para que possamos trabalhar em busca de um futuro brilhante”, completou,

A outra escolha veio na base do dinheiro. Apesar de sempre se mostrar contrária a adotar uma dupla de pilotos estreantes, a Haas anunciou a contratação do jovem russo Nikita Mazepin. Com 22 anos e quinto colocado na F2 em 2020, já acumula um currículo controverso por atitudes dentro e fora da pista. A principal delas veio dias após ser anunciado pela equipe, quando publicou um vídeo no Instagram apalpando o seio de uma modelo.

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Mesmo com protestos de fãs, a Haas manteve Nikita no time e passou pano para situação. O motivo ficou bem claro no dia da apresentação da nova pintura. O tradicional preto e vermelho foram deixados de lado para um bólido branco e com detalhes que remetem à bandeira russa, além do patrocinador-máster, a companhia de químicos Uralkali.

“Ele fez algo que não deveria ter feito, e fomos muito francos sobre o que pensamos sobre isso na época. Ele se desculpou e sabe que foi errado, e agora precisamos trabalhar em cima disso para dar a ele a melhor oportunidade de aprender com isso, se concentrar nas suas corridas e assegurar que ele não faça mais isso. Ele sabe disso. Ele percebe que o que fez não era o certo. Não sou o tipo de cara que chuta a cara de alguém que está ajoelhado, isso não está certo. Ele é um jovem que precisa crescer e, com certeza, já lidamos com isso e vamos seguir lidando com isso”, comentou Guenther ao defender o russo.

Mazepin se envolveu em polêmicas (Foto: Haas)

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O time já admitiu que 2021 será um ano de transição e o foco está completamente na revolução técnica que está por vir. Se a última temporada foi de apenas 3 pontos, as expectativas para as estreias de Schumacher e Mazepin também são baixas, já que atualizações não serão frequentes no VF-21.

“Eu espero que os pilotos aprendam o máximo possível e talvez até façam mais do que isso, pensando na preparação para o ano que vem. Se a gente conseguir um ou dois pontos, seria fantástico. Só que somos realistas e sabemos que pontos serão difíceis. Desde que a gente aprenda e melhore, fico feliz. Será difícil esse ano, mas vamos tirar algo de positivo desse ano”, citou Steiner.

A pré-temporada foi problemática no primeiro dia, quando o carro apresentou problemas de câmbio, limitando o tempo de Mick na pista. Nos dias seguintes, bastante quilometragem para os jovens pilotos, mas sem impressionar. O ano deve ser complicado novamente e sem a mesma impressão de mudança que as rivais Williams e Alfa Romeo trouxeram.

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