Norris cria vantagem para virar campeonato de vez em Interlagos. E Verstappen tenta milagre
É verdade que Lando Norris foi muito beneficiado pelos reveses de seus adversários neste sábado (8) em Interlagos, mas é igualmente certo dizer também que os resultados obtidos na pista não tiveram nada a ver com isso. O inglês da McLaren soube se colocar em uma posição privilegiada e, embora ainda tenha uma corrida pela frente, criou um caminho mais tranquilo para disparar de vez na temporada 2025, enquanto Oscar Piastri e Max Verstappen buscam o impossível
Interessante pensar em como Lando Norris foi capaz de pavimentar um caminho seguro desde que abandonou o GP dos Países Baixos, no fim de agosto. Fora do radar, enquanto Max Verstappen puxava os holofotes para si, o inglês foi acumulando resultados importantes e reduzindo a diferença para o então líder Oscar Piastri. A verdade é que a zona de conforto que criou parece ter feito muito bem, porque aliviou a pressão e permitiu um amadurecimento mais do que necessário. E o resultado disso começou a ser notado no México e ganhou força em Interlagos, palco do GP de São Paulo. Norris agora tem a chance não só se fazer as pazes com a atuação desastrosa do ano passado, como principalmente virar a disputa de vez.
É claro que ainda tem uma longa corrida pela frente, mas a performance deste sábado (8) deixou a impressão de que o britânico entende melhor o que é preciso fazer para se tornar campeão. A vitória na sprint e a pole conquistada horas depois são fatores que pesam nesta análise. Pela manhã, Norris conseguiu dosar a tensão diante do caos que se formou a partir do acidente com Piastri e ainda se defendeu bem da ameaça imposta por Kimi Antonelli nas voltas finais.
Mais tarde, voltou ao circuito paulistano e foi implacável. A posição de honra apenas reiterou a percepção de que o campeonato já ensaia tomar um rumo definitivo. Enquanto isso, Oscar e, especialmente, Verstappen se viram às voltas com problemas diversos e inesperados.
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Evidentemente, os reveses dos adversários contribuíram para a situação de favoritismo em São Paulo, mas é imperativo que tudo saia de maneira perfeita. A classificação mostrou ainda que há pontos que precisam de atenção, como a primeira tentativa de volta rápida. A boa notícia é que a McLaren tem um carro que sobra. “As condições estavam difíceis, escorregadio, inconsistente. Mas essa pista é um prazer, é muito boa de pilotar. Fiquei um pouco sob pressão porque travei as rodas na primeira tentativa, mas fiquei calmo e consegui desempenhar quando precisei. Então, fico muito feliz”, reconheceu Norris.
Mas foi Andrea Stella quem descreveu melhor o cenário para Lando. “Amanhã vai ser importante executar tudo perfeitamente: estratégia, pit-stops, gerenciamento de pneus e todas as mudanças climáticas que podem ocorrer”, reportou o chefe dos papaias. “Hoje, nós vimos uma vez mais uma competição muito apertada e não podemos esquecer que tudo pode acontecer na pista: no último ano, o vencedor saiu em 17º. Então, temos de manter a atenção em todos os detalhes e focar todo nosso tempo em explorar o potencial que temos à disposição.”
De fato, a McLaren é favorita à vitória neste domingo. O MCL39 voa em Interlagos e domina praticamente todos os setores — talvez a única ressalva seja o trecho entre a saída do S do Senna e a reta oposta, área de domínio de Antonelli e a Mercedes. Ainda assim, Norris conta com um carro que traciona melhor na parte intermediária da pista e não perde equilíbrio. A pergunta que fica só é com relação aos pneus — o quanto um possível desgaste pode deixar alguma ponta solta.
Portanto, a sensação é de que Norris tem total capacidade de repetir a atuação do México e sair do Brasil com uma liderança mais confortável. Por outro lado, ainda há neste cenário Piastri e, particularmente, Verstappen. Enquanto o australiano ainda tenta se recuperar do desastre da sprint, o neerlandês já trabalha por um milagre, o que faz dele sempre mais perigoso.
A quarta posição na corrida curta foi um novo aviso de que algo segue muito estranho nas garagens energéticas — algo que nem eles esperavam, diga-se. Não à toa, a Red Bull tentou de tudo para encontrar uma solução para o RB21, que sofre com uma falta de aderência crônica em Interlagos. E se o setor 2 era o grande problema após a sprint, a coisa desandou de vez na classificação.
Os engenheiros liderados por Pierre Waché conduziram testes e, no fim, decidiram por uma alteração completa, o que tornou o carro ainda mais difícil. A ondulação da pista também parece ser um questão complexa para os energéticos. O resultado na classificação foi retrato fiel desse cenário de terra arrasada: foi a primeira vez desde 2017 que Verstappen não passou do Q1. O neerlandês marcou 1min10s403 e ficou somente no 16º lugar, a 0s066 do tempo necessário para avançar. Inconformado, chegou a desabafar que a equipe “não fazia ideia” do que estava errado.
O consultor Helmut Marko também resumiu o drama: “Antes, só ficávamos lentos de vez em quando. Agora é constante. Antes, só perdíamos tempo no na segunda parte do circuito. Agora é em todo lugar. Era como se estivéssemos amaldiçoados. Os pilotos não sentiam nenhuma aderência.”

“Esses pneus são um mistério. Mercedes é mais rápida com pneus médios do que com macios. Outros estão fazendo tempos melhores com pneus usados do que com novos”, emendou. E ainda que aponte os pneus como parte do problema, a equipe já pensa em uma medida drástica para o domingo. A ideia é fazer os dois carros largarem dos boxes após uma nova mudança de acerto. É aqui que reside a esperança de Max, porque nem mesmo a chuva parece capaz de ajudá-lo.
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Além da cobertura tradicional, o GRANDE PRÊMIO estará IN LOCO em Interlagos para acompanhar todas as emoções da etapa com os repórteres Pedro Henrique Marum, Evelyn Guimarães, Luana Marino e Daniel Balsa.
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| Sessão | BRA* | CBV | POR ANG | MOZ |
| Corrida | 14:00 | 15:00 | 18:00 | 19:00 |
*Horário de Brasília
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