F1

Mercedes desconversa sobre punição, mas diz que Hamilton abriu precedente ao ignorar ordem de equipe em Abu Dhabi

Toto Wolff, chefe da Mercedes, disse que ainda não tem uma opinião formada a respeito da postura de Lewis Hamilton nas voltas finais do GP de Abu Dhabi e avisou que uma eventual punição será definida internamente. O dirigente austríaco reforçou que a prioridade da equipe é uma só: vencer cada corrida na F1

Warm Up / Redação GP, de Sumaré

A maneira como se encerrou o GP de Abu Dhabi, com Lewis Hamilton dando de ombros para os chamados da Mercedes no pit-wall, que pedia, em vão, para aumentar o ritmo e evitar uma chance maior de Nico Rosberg ser ultrapassado por Sebastian Vettel ou Max Verstappen, irritou a cúpula do time prateado no último domingo (27). Por um lado, o chefão Toto Wolff reconhece que é difícil estar na pele de um piloto que luta por um título mundial e por isso entende um pouco a postura estratégia de Hamilton. 
 
Por outro lado, o dirigente austríaco entende que Lewis abriu um precedente ao ignorar a ordem da equipe no pit-wall. Entretanto, no momento o dirigente não tem opinião formada sobre punir ou não o britânico pela postura no fim da prova em Yas Marina.
 
Em entrevista coletiva concedida pouco depois do fim da prova e, de comemorar o título mundial logrado por Rosberg, Wolff falou sobre a desobediência de Hamilton e deu seu recado.
Wolff ainda não sabe como agir sobre a postura adotada por Hamilton no fim do GP de Abu Dhabi (Foto: AFP)

“Estou em duas mentalidades: metade de mim diz que minar uma estrutura de forma pública é quando você se coloca antes da equipe, o que é bem simples. A anarquia não funciona em qualquer equipe ou em qualquer empresa”, avisou o chefe da equipe tricampeã do mundo.
 
“A outra metade diz que foi sua única chance de ganhar o título e, talvez, você não possa exigir de um piloto que ele cumpra isso em uma situação onde seus instintos não o fazem cumprir. Trata-se de encontrar uma solução para resolver o problema no futuro, porque foi aberto um precedente. Deixe-me dormir sobre isso e vou chegar a uma solução amanhã”, comentou Wolff.
 
Contudo, ao ser questionado sobre a possibilidade de Hamilton ser punido, Toto desconversou. “Isto é algo que vou manter internamente. Preciso formar uma opinião, algo que ainda não tenho”, disse.
 
A principal justificativa de Wolff para pedir a Hamilton para apertar o ritmo na fase final da prova foi o temor de perder a vitória em Abu Dhabi. Não foi uma corrida fácil para quem esteve no pit-wall da Mercedes.
 
“Houve dois momentos na corrida onde houve risco de perder a prova. Um foi com Max Verstappen, porque não estava claro se ele estava com estratégia de uma parada, ele estava em uma boa posição. O outro foi com Sebastian Vettel sendo 2s mais rápido com pneus supermacios”, comentou.
 
“Nosso princípio número 1 nos três últimos anos, não importa se é a primeira ou a última prova, é garantir a vitória. Você pode questionar isso, se este é o princípio correto, mas isso é exatamente o que fizemos no pit-wall. Houve esses dois momentos, e foi por isso que pedimos a ele para aumentar o ritmo”, justificou.
 
Wolff, por fim, disse que ainda não sabe como a Mercedes vai proceder se vivenciar uma situação semelhante no futuro. “Tudo é possível. Talvez desejemos dar-lhes ainda mais liberdade para competir um contra o outro, ou podemos ser mais duros se sentirmos que os valores não foram respeitados. Essas opções estão 180º distantes uma da outra, e ainda não sei ao certo para onde vamos”, concluiu o chefe de equipe da Mercedes.