Mercedes isenta ‘zeropod’ e diz que W14 “não deu certo do bico do carro à traseira”

James Allison, diretor-técnico da Mercedes, disse que o famigerado 'zeropod' foi o aspecto mais visível de um carro que não foi competitivo num todo, mas esteve longe de ser o vilão

Toto Wolff pode até ter confessado que insistir no famigerado ‘zeropod‘ — as entradas de ar laterais mais estreitas do carro — foi “o maior erro dos últimos anos” cometido pela Mercedes, mas a solução aerodinâmica esteve longe de ser a vilã do desempenho oscilante do time alemão desde 2022. Ao menos essa é a visão do diretor-técnico, James Allison, que assegurou que, na verdade, o W14 não funcionou “do bico do carro à parte traseira”.

Allison falou à emissora britânica Sky Sports sobre o “emblemático” sidepod que a Mercedes introduziu no W13, o primeiro carro concebido sob o regulamento atual, que tem como mudança mais significativa a volta do efeito-solo. A base em Brackley, porém, viu sua era de domínio desmoronar de forma até surpreendente. Como era a única no grid com um mudança tão notável no carro, logo o ‘zeropod’ começou a ser apontado como razão para a falta de competitividade.

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Wolff ainda afirmou em entrevista recente que a dobradinha no GP de São Paulo de 2022, com George Russell e Lewis Hamilton, passou a falsa impressão de que se tratava de um caminho promissor. Na primeira metade da temporada 2023, contudo, foi preciso abandonar de vez os sidepods verticais e adotar um modelo mais convencional.

Só que Allison rejeita a teoria de que a peça foi a única responsável pela queda de performance da Mercedes. O engenheiro explicou que todo o conjunto foi o problema. “Não vejo as coisas da mesma maneira que vocês, que olham para um sidepod e decidem que é um conceito.”

Mercedes mexeu no desenho do sidepod com a temporada em andamento (Foto: Mercedes)

“Percorremos um caminho com nosso carro, diria que da ponta do bico até a parte de trás da traseira, mas não foi competitivo. O aspecto mais visualmente notável disso foram nossos sidepods, mas de forma alguma foi o fator definitivo [da falta de desempenho]”, assegurou.

“Não deu certo do início ao fim, foi com isso que tivemos de aprender e tivemos de lidar, e tomou mais tempo do que gostaríamos. Os sidepods talvez sejam o emblema de uma equipe que demorou um pouco para descobrir qual era o caminho a seguir, mas de forma alguma, o diferencial que selou nosso destino”, frisou Allison.

O diretor-técnico também esclareceu a questão do conceito no desenvolvimento de um projeto. O W15, por exemplo, vai passar por uma revisão drástica.

“Para a mente de um designer ou de alguém de performance na F1, o conceito não tem nada a ver com o carro. É um processo através do qual se decide o que é bom e o que é ruim. É a metodologia para peneirar todas inúmeras coisas que podem ser colocadas no carro e encontrar apenas aquelas que acreditamos que vão adicionar tempo de volta. O carro em si é apenas o resultado desse método”, completou.

A Mercedes fará o lançamento do W15 em 14 de fevereiro. As primeiras impressões concretas começarão a ser dadas a partir de 21 de fevereiro, com o início dos testes coletivos da pré-temporada da Fórmula 1 2024, no Bahrein.

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