Na Garagem: Emerson Fittipaldi conquista primeira vitória brasileira na história da F1

Há 50 anos, Emerson Fittipaldi escrevia o nome do Brasil na lista de países com vitórias na principal categoria do automobilismo mundial. Foi no GP dos EUA, em Watkins Glen, com a Lotus

O Brasil subiu 101 vezes ao local mais alto do pódio na história da Fórmula 1. Dos 31 pilotos que o país já colocou na principal categoria do automobilismo mundial, seis triunfaram. E todos estes dados começam com um episódio que completa 50 anos neste domingo (4): a vitória de Emerson Fittipaldi no GP dos EUA de 1970, em Watkins Glen.

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Emerson Fittipaldi venceu pela primeira vez em 1970 (Foto: Arquivo/F1)
O contexto

Fittipaldi chegou à F1 naquele mesmo ano, pela Lotus, e estreou no GP da Grã-Bretanha, sétima etapa da temporada, com um oitavo lugar. Foi quarto na Alemanha, 15° na Áustria, não correu na Itália e no Canadá (a equipe ficou fora por causa da morte de Jochen Rindt, que acabaria campeão do mundo postumamente), e então viajou aos Estados Unidos.

Durante o mesmo ano, ele disputou a F2 pela Team Bardahl e, com quatro pódios, ainda foi terceiro colocado na disputa que coroou Clay Regazzoni. Acabou substituindo Alex Soler-Roig no time de cima, e depois assumiu o carro principal com a morte de Rindt.

Foi com essa condição que ele chegou a Watkins Glen, que veria naquele 4 de outubro de 1970 a única vitória brasileira em sua pista.

Emerson Fittipaldi em Watkins Glen (Foto: Arquivo/F1)
A corrida

No sábado, a classificação deu apenas 15 minutos de pista seca aos pilotos, e Jacky Ickx aproveitou para garantir a pole com 1min03s07. Era a manutenção da esperança de título para o belga, que precisava tirar a diferença para Rindt. Jackie Stewart ficou em segundo, com Fittipaldi abrindo a segunda fila.

Na largada, o brasileiro deu indícios de que ainda era, de fato, apenas alguém começando a carreira na F1: despencou para oitavo, com Stewart tomando a ponta e Ickx caindo para terceiro.

Mas, se dizem que a F1 na atualidade é menos disputada que no passado, esquecem que fatos como o escrito a seguir ocorriam há 50 anos: Fittipaldi avançou no grid até a metade das 108 voltas, alcançando o terceiro posto, ao mesmo tempo em que levava uma volta do líder Stewart.

Ickx, que precisava vencer para manter as chances de título, precisou parar, caiu para 12° e voltou para o quarto posto – mas tal colocação era insuficiente, e o título ficou com Rindt.

A vitória de Fittipaldi nos EUA teve grande destaque na capa da Folha de SP (Foto: Acervo Folha)
A sorte

Alheio a isso, Fittipaldi deu sorte: Stewart teve problemas mecânicos e abandonou a volta 83, depois de ter sido ultrapassado por Pedro Rodríguez, da BRM, e do brasileiro ter voltado ao mesmo giro.

Mais felicidade: o mexicano viu sua BRM ficar sem combustível e parou faltando sete voltas. Pronto, Fittipaldi assumiu a liderança e de lá não mais saiu: “Faltando exatamente 7 voltas, eu recebo a placa ‘P1’. Estou liderando o GP dos Estados Unidos! O Rodríguez tinha entrado nos boxes para colocar gasolina e aí foi aquele sonho, né?”, descreveu o brasileiro à TV Globo, anos depois.

Foi a primeira bandeira quadriculada de 14 que Fittipaldi acabaria vendo com vitória na F1. E o primeiro triunfo da caminhada que o levaria ao bicampeonato mundial em 1972 e 1974 – este último título na mesma Watkins Glen.

Acervo Folha, Emerson Fittipaldi, GP dos EUA, 1970
Como a vitória de Fittipaldi foi contada pela Folha (Foto: Acervo Folha)

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