Opinião GP: Hamilton e Mercedes beiram perfeição. Mas não saber regra é deficiência

Pela segunda vez em três corridas, a Mercedes se equivoca e parece não entender o regulamento. Desta vez, ainda venceu com Valtteri Bottas, mas quase colocou Lewis Hamilton em sérios apuros

FOI NA SEXTA VOLTA do GP da Rússia que Lewis Hamilton ouviu do engenheiro Peter Bonnington que teria de cumprir uma punição de 10s por conta de duas infrações cometidas antes mesmo da largada. Liderando desde a pole, o inglês esbravejou no rádio: “Onde está escrito isso? Onde?”. Isso está no conjunto de regras, além de constar nas notas distribuídas pela direção de prova antes de cada etapa. Pela segunda vez em três corridas na temporada 2020 da Fórmula 1, a Mercedes se equivoca e expõe uma deficiência grave: a de não conhecer o regulamento.

De fato, não foi um fim de semana livre de problemas. Hamilton enfrentou um raro drama na classificação de sábado, que o obrigou a mudar a tática de pneus. Ainda assim, foi capaz de cravar o melhor tempo da fase decisiva da sessão, para sair na frente no GP em que teria a chance de igualar o recorde de vitórias de Michael Schumacher. Só que aí tudo começou a dar errado – e antes mesmo de chegar ao grid do Parque Olímpico de Sóchi. É comum os pilotos aproveitarem a saída dos boxes para o treino de largada. Mas o pit-lane do circuito russo é particularmente longo, e isso talvez tenha reforçado a decisão de Lewis em testar em um ponto diferente do habitual.

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Também é verdade que Hamilton procurava reproduzir as condições da sua posição de largada, bem menos emborrachada, então optou por fazer a simulação em um trecho bem mais à frente. Para tanto, perguntou a Bonnington se era possível e a resposta foi positiva, o que levou o piloto ao erro. Acontece que o local escolhido estava fora do que havia sido determinado.

A nota entregue pela direção de prova às equipes falava que “os treinos de largada só podem ser realizados no lado direito após as luzes de saída dos boxes. Para evitar dúvidas, isso inclui qualquer momento em que a saída esteja aberta para a corrida”. O documento ainda dizia que “por razões de segurança e igualdade esportiva, os carros não podem parar na linha rápida sem um motivo justificável (o treino de largada não é considerado um motivo justificável)”. O regulamento também impõe que no período pré-corrida os pilotos devem “usar aceleração e velocidade constantes na saída dos boxes”.

Os comissários observaram a ação do carro #44 e passaram imediatamente a investigar o caso. O veredito sobre o incidente saiu já com a prova em andamento: foram dados 5s para cada ensaio de largada. E inicialmente, os homens da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) ainda aplicaram 1 ponto por cada infração, algo que poderia complicar bem a vida do britânico.

Lewis Hamilton fez teste de largada antes da corrida em Sóchi (Foto: Reprodução/TV)

Hamilton já tem 8 pontos na carteira por sanções anteriores. Segundo a regra, o piloto que chegar a 12 é banido automaticamente de uma corrida. A decisão original dos comissários portanto, deixaria o piloto muito perto disso. Mais tarde, após a prova, a direção ouviu Lewis e a Mercedes. E a decisão foi retirar a pontuação. Os comissários consideraram inadequado a aplicação dos pontos e ainda deram uma multa à equipe, que cometeu um erro ao orientar Lewis.

Assim como acontecera no GP da Itália, quando chamou Hamilton aos boxes tão logo o safety-car foi acionado, mas com o pit ainda fechado, a Mercedes não aceitou bem as decisões tomadas pela FIA em Sóchi. Lewis foi incisivo em suas queixas: “Na verdade, preciso ver que regras são essas e exatamente o que eu fiz errado. Estou certo de que ninguém recebeu duas punições de 5s por alguma coisa tão ridícula antes. Não colocamos ninguém em perigo, já fiz isso em 1 milhão de pistas e nunca fui questionado. Mas é assim que funciona. Claro que é, estão tentando me parar“.

Ainda que a posição do pole em Sóchi seja mais vulnerável, Hamilton fez excelente largada e não permitiu a ultrapassagem de Valtteri Bottas (Foto: Mercedes)

Chefão da esquadra alemã, Toto Wolff até admitiu o equívoco, mas se colocou contra a ação dos comissários. “Aceitamos a decisão, mas não concordamos. Disseram que aquele não era o lugar para praticar largada, e eu estou de acordo. Mas as notas entregues pelos diretores da FIA dizem que você pode começar depois das faixas da direita. Então, isso dá margem para interpretação.”

É até possível questionar a punição e suas consequências, mas não dá para dizer que não havia clareza no jogo. Como dizem, o choro é livre, mas é perigosamente estranho quando a melhor equipe do grid reclama sobre regras simples e que deveria ter na ponta da língua.

A próxima etapa da temporada 2020, o GP de Eifel, em Nürburgring, ocorre em 11 de outubro, dentro de exatas duas semanas. O GRANDE PRÊMIO acompanha tudo AO VIVO e em TEMPO REAL.

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