Opinião GP: Red Bull tem razão: o título está em risco, e só vacilo da McLaren salva

Pela segunda prova consecutiva, Max Verstappen se vê longe da briga e não por problemas pontuais. A falta de performance da Red Bull é tão notória quanto misteriosa. Então, há uma preocupação genuína nas garagens taurinas. E os títulos de Construtores e Pilotos estão em risco, não só pelo crescimento exponencial da McLaren, mas também pelo fator Ferrari e Mercedes. Agora, ao que parece, a esquadra austríaca terá de torcer também para vacilos maiores de suas rivais

HÁ ALGUNS MESES, parecia insano imaginar que a Red Bull poderia ser derrotada no Mundial de Pilotos, dada a considerável vantagem de Max Verstappen, construída no início da primeira parte de temporada. Essa diferença ainda é expressiva, mas agora parece cada vez mais frágil — principalmente porque o Mundial de Construtores já passou para outras mãos. O caso é que a equipe austríaca não só deixou de dominar a F1, como perdeu seriamente terreno técnico em 2024. Não dá para esconder, a performance antes impecável desapareceu, mas o GP do Azerbaijão também escancarou um segundo ponto ainda mais espantoso: nem mesmo o tricampeão parece suficiente para driblar as dificuldades. O que justifica a preocupação dos energéticos.

A etapa em Baku acabou por repetir o drama enfrentado na Itália, no início deste mês. E ligou uma luz forte de alerta, porque agora não parece algo apenas pontual. De repente, as mudanças promovidas no RB20 pararam de funcionar. Especialmente no carro #1. Antes da classificação de sábado, os engenheiros optaram por algumas alterações em termos de acerto aerodinâmico. Era uma tentativa de entrar na briga pela pole, empurrada por um revisado difusor traseiro. Tudo parecia caminhar de maneira linear, tanto que Max liderou o Q2. Na fase seguinte, o carro se tornou novamente inguiável. O piloto obteve apenas a sexta colocação e terminou o dia reproduzindo o que já havia falado em Monza. “A sensação não é boa.”

Na corrida, o neerlandês partiu bem e conseguiu uma importante ultrapassagem em cima de George Russell. Mas ao longo das voltas seguintes, o carro começou a apresentar falhas familiares. “Durante a classificação, já havia percebido que as coisas que adicionamos ao carro não funcionavam. Não conseguia frear e também não conseguia atacar as curvas. Uma roda saía do chão o tempo todo, então, em todas as curvas de baixa velocidade, estava quicando para todos os lados. Parecia um kart”, descreveu o líder do campeonato.

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“Não tinha nenhuma chance. Isso também se deve ao fato de que tudo estava contra nós e não fui tão consistente em minhas voltas”, completou Verstappen, que ainda teve de encarar uma ultrapassagem de Lando Norris no fim da corrida. O único ponto positivo acabou sendo o quinto lugar, herdado após o abandono de Sergio Pérez e Carlos Sainz na penúltima volta.

É claro que não é de hoje que a Red Bull se vê atrás das rivais. Na verdade, desde meados de maio, a equipe enfrenta dificuldade. Antes, no entanto, havia uma questão mais particular em pistas onduladas, como Mônaco, ou circuitos em que é preciso atacar mais as zebras, como Miami e Canadá. O problema neste momento é que as falhas estão sendo recorrentes e nem mesmo Verstappen tem sido capaz de lidar com as mudanças bruscas de rendimento do carro, como ele mesmo admitiu. E isso é uma questão delicada, porque a impressão geral sempre foi a de que, mesmo em apuros, Max era capaz de encontrar um jeito, como fez nos Países Baixos, em Montreal, em Ímola. Ou mesmo na Inglaterra, quando ousou na estratégia e quase venceu. Agora, o cenário se coloca confuso. Porque não há mais tanta confiança na resposta do carro, e isso também espanta porque Max chegou a dizer que a esquadra havia entendido os problemas recentes.

Além disso, há outro ponto nesse recorte: a Red Bull e Verstappen não enfrentam apenas um rival. É bem verdade que a McLaren é a grande ameaça, diante do equipamento que possui. O carro laranja é completo, anda bem em todo tipo de pista e se adapta rapidamente a toda condição. A vitória de Oscar Piastri em Baku e a recuperação de Norris são mais do que o bastante para confirmar o poderio da esquadra inglesa. Acontece que os taurinos também precisam lidar com Ferrari e Mercedes.

Max Verstappen voltou a ter problemas em Baku (Foto: Red Bull Content Pool)

A escuderia italiana parece ter encontrado o caminho do triunfo, com uma SF-24 que trabalha bem em curvas de baixa e ainda imprime alta velocidade de reta. Já os alemães, é bem verdade, oscilam, mas não se pode descartá-los, porque são elementos que, vira e mexe, tiram pontos dos energéticos.

No entanto, o que parece mais assustador é a forma como Pérez se colocou no fim de semana. Pode, de fato, ter sido algo pontual, impulsionado pela pista que casa melhor ao estilo do mexicano, mas uma coisa é certa: Checo entendeu melhor o carro revisado do que Max. E isso não pode ser considerado normal.

Daqui a sete dias, a Fórmula 1 disputa o GP de Singapura, única prova em que Verstappen teve problemas em 2023. E ele não se mostrou confiante. “Precisamos entender o que fizemos de errado aqui. Não acho que será a nossa melhor pista, mas veremos. Isso pode nos surpreender. A luta ainda não acabou. Vamos tentar recuperar.”

Sergio Pérez entendeu melhor as mudanças feitas pela Red Bull (Foto: Red Bull Content Pool)

Então, sim, as queixas de Verstappen são genuínas. Ainda que a diferença seja de 59 pontos, restando sete corridas e três sprints, o cenário parece cada vez mais claudicante, não há como negar. E se o desempenho seguir esse caminho, a única esperança está na constante hesitação da McLaren em ser grande. O que também não dá para descartar.

Fórmula 1 volta na semana que vem, de 20 a 22 de setembro, em Singapura, 18ª etapa da temporada 2024, nas ruas de Marina Bay.

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