Perdeu vitória? Sim, mas Red Bull não errou ao chamar Verstappen para boxes

O desgaste excessivo dos pneus no GP da Inglaterra fez a Red Bull optar pela segurança. No fim da corrida, a equipe decidiu parar Max Verstappen e não só trocar a borracha já bem desgastada, mas garantir o ponto da volta mais rápida. Acontece que a decisão acabou por tirar a vitória, mas não dá para condenar os energéticos

Max Verstappen se viu muito perto de ganhar o GP da Inglaterra. Quase não acreditou quando ouviu no rádio que Lewis Hamilton, que liderava a corrida de ponta a ponta, estava com problemas, que um dos pneus estava em frangalhos. Em um misto de surpresa e desespero, Verstappen chegou a perguntar: “Podemos vencer com isso?”. Já era tarde demais, porém. A equipe austríaca havia parado o holandês instantes antes para a troca de pneus, também tentando afastar o risco de um abandono por causa da borracha desgastada, só que a decisão acabou por tirar das mãos de Verstappen a chance de triunfo em Silverstone. Restou apenas o lamento, mas o pit-wall dos energéticos agiu corretamente.

O asfalto do circuito de Silverstone costuma ser muito severo com os pneus. Por conta das rápidas e longas curvas do traçado inglês, como a sequência Maggots, Becketts e Chapel, a borracha é submetida a força g constante. “Essa pista é caracterizada por grandes cargas laterais que colocam bastante energia nos pneus, por isso evitar o superaquecimento e gerenciar o desgaste serão especialmente importantes”, já avisava Mario Isola, chefão da Pirelli, a fornecedora única da F1, desde o início do fim de semana.

O asfalto de Silverstone exige demais dos pneus (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)

Por isso, também, que a fabricante italiana prefere os compostos de uma linha mais dura, para aguentar essa exigência particular da pista inglesa. Ainda, os carros de 2020 estão significativamente mais velozes, e isso provocou um aumento do trabalho dos compostos ao longo das 52 voltas do GP britânico.

Neste cenário, a Pirelli aconselhou o seguinte: aqueles que largassem com os pneus médios – caso da dupla da Mercedes e de Verstappen, por exemplo –, deveriam efetuar a troca para os compostos duros entre as voltas 21 e 24. Dessa forma, o pneu duraria entre 31 e 28 giros. Ou seja, até o fim da corrida. Só que todo mundo, inclusive o trio aí mencionado, decidiu aproveitar a segunda intervenção do safety-car para visitar os boxes. Isso na volta 13 – muito antes do que indicava a fornecedora. É importante citar aqui que a Pirelli ainda investiga as falhas dos pneus. Entende-se que detritos na pista também possam ter provocado os problemas.

Dito isso, retomemos a parte final da corrida. Então segundo colocado, Valtteri Bottas foi o primeiro a se queixar de vibração e de um comportamento anormal dos compostos. A duas voltas do fim, o W11 #77 teve o pneu esquerdo dianteiro avariado. O finlandês passou a se arrastar na pista para chegar aos boxes. Antes da falha, o nórdico tinha cerca de 10s de vantagem para Max. Acabou, então, perdendo posições com o incidente. Verstappen, por sua vez, se viu na condição de herdar a vice-liderança da corrida.

Valtteri Bottas encaminhava o quarto pódio em quatro corridas, mas um furo de pneu o fez ficar fora dos pontos (Foto: Mercedes)

Mas em resposta ao contratempo de Valtteri, a Red Bull chamou Verstappen imediatamente aos pits. O holandês vinha quase 30s à frente do então quarto colocado, Charles Leclerc. Era uma parada segura, portanto. Não só garantiria o segundo posto na corrida, como também que nada aconteceria com relação aos pneus. De quebra, ainda tinha a chance de cravar a volta mais rápida e arrebatar o pontinho extra.

Nesta altura, Hamilton já estava a mais de 30s na ponta. Mas o acaso também quis desafiar o hexacampeão, que se pegou, a meia volta do fim, com o mesmo dano no pneu esquerdo dianteiro. Só que aí entrou em cena a maestria do inglês, que levou o carro até o fim, cruzando a linha de chegada 5s à frente de um Verstappen que vinha enlouquecido. Para se ter uma ideia, ele realmente virou o giro mais veloz da prova naquela última passagem (1min27s097), sendo 28s mais rápido que o piloto da Mercedes.

Os taurinos reagiram rápido e de forma correta, não há questão sobre isso. Havia um problema com os pneus e o ponto a mais na classificação também tem lá sua relevância. Nada indicava o que viria a partir daí. Nem o problema com Hamilton, tampouco a forma como ele lidou com o incidente.

Lewis Hamilton olha o pneu dianteiro esquerdo furado que quase custou a vitória em Silverstone (Foto: AFP)

Após a corrida, Verstappen naturalmente lamentou a escolha, que daria a chance do triunfo. Mas a Red Bull tratou mesmo de defender a acertada decisão. “Não havia garantias de que nosso carro evitaria esses danos. Para ser bem preciso, descobrimos vários cortes nos pneus do carro depois da corrida”, disse Christian Horner, o chefe da esquadra dos energéticos.

“Max já tinha reclamado de algumas vibrações no rádio. Quando vimos que Bottas tinha problemas, concluímos que também poderíamos ser afetados. Tínhamos muita vantagem para Leclerc, então havia tempo para parar, fizemos isso. Olhando para o pneu que tiramos do carro de Max, não tenho certeza de que chegaríamos ao fim. Claro que uma coisa é óbvia: poderíamos ter vencido essa corrida. Mas também poderia acontecer outra coisa: ficar na pista e ter um furo de pneu.”

A Fórmula 1 volta a Silverstone, neste fim de semana, para o GP dos 70 anos.

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