Retrospectiva 2025: F1 se prepara para revolução e dá boas-vindas à Cadillac em 2026

Enquanto é hora de dizer adeus à temporada 2025, já é momento de destrinchar o que 2026 reserva. E a Fórmula 1 se prepara para uma drástica mudança de regulamento, que inclui carro e motor. Ao mesmo tempo, a maior categoria do esporte a motor vai acompanhar o crescimento do grid com a chegada da Cadillac e com a estreia do jovem talento Arvid Lindblad. A Audi e a Ford também são destaques importantes neste cenário de revolução técnica para o próximo ano

2025 é finito, então é hora de pensar em 2026. A realidade é que a Fórmula 1 já se prepara há algum tempo para a nova temporada. E uma das principais expectativas reside em cima da intensa mudança técnica pela qual o campeonato vai passar a partir de janeiro. Porque, sim, há testes marcados para o primeiro mês do ano. E por aí se observa o tamanho da transformação de carros e motores. Mas não é só isso. O ano que chega vai trazer de volta a Ford e, enfim, vai acompanhar a estreia da Audi, que assume de vez o lugar da Sauber. O Mundial ainda terá uma 11ª equipe, papel que caberá à Cadillac. Há também novidades no calendário, além da chegada de um único novato badalado: Arvid Lindblad.

2026 começa com a chegada de um novo e revolucionário regulamento, que vem sendo discutido há pelo menos dois anos. Entende-se como uma mudança drástica e a maior das últimas décadas, porque vai mexer tanto no conceito e na mecânica dos carros, quanto na arquitetura do motor. É importante dizer que, na história, raramente a F1 promoveu alterações técnicas tão profundas ao mesmo tempo como vai acontecer agora.

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Como sempre, a ideia é tentar melhorar a qualidade das corridas, promover um equilíbrio maior entre as competidores e atender às demandas cada vez mais fundamentais em termos de sustentabilidade. Para isso, os engenheiros se concentraram em um primeiro momento no design e no conceito aerodinâmico. A novíssima geração de carros será menor e mais estreita, pensando na agilidade. Os modelos também serão mais leves. O efeito solo, que foi reintroduzido na F1 em 2022, agora dá lugar a uma solução diferente na tentativa de expurgar de vez a turbulência e o ar sujo.

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A FIA compartilhou um vídeo no novo carro nas ruas de Mônaco (Reprodução/Redes Sociais)

O novo carro vai contar com uma série de recursos para ampliar a velocidade de reta e a eficiência nas frenagens e curvas, bem como facilitar as disputas por posição na pista. Neste último mês de dezembro, a Fórmula 1 divulgou imagens dos novos modelos e apresentou detalhes de como vai funcionar o Modo de Ultrapassagem, o Modo Boost, o Modo Recarga e a Aerodinâmica Ativa.

Por exemplo: a Aerodinâmica Ativa vai permitir ajustes no ângulo de elementos das asas dianteira e traseira, dependendo da posição na pista. Dessa forma, os flaps permanecem na posição padrão durante as curvas. Nas retas, por outro lado, poderão ser ativados pelos pilotos para uma redução do arrasto aerodinâmico.

Ainda dentro das regras, o Modo de Ultrapassagem vai liberar energia elétrica extra, que pode ser utilizada para atacar o adversário à frente. Os pilotos também vão controlar a potência máxima do motor e da bateria durante a corrida por meio do Modo Boost. E com o Modo Recarga, será possível selecionar entre diversos modos de recuperação, aproveitando a energia da frenagem e do motor.

Aliás, a unidade de potência também passou por uma intensa reformulação, com a intenção de torná-la mais simples e barata. O motor ainda será V6 turbo de 1.6 l e híbrido. A mudança aqui diz respeito à parte elétrica, que vai responder por 50% da potência. A outra parte será de responsabilidade do motor de combustão interna. Ainda, a diferença agora é que a MGU-H, que recuperava a energia do turbo, foi eliminada.

A reconfiguração dos motores foi uma das razões pela qual a F1 atraiu a Audi e a Ford, mas antes mesmo de os carros irem à pista, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) precisou agir para conter uma enorme polêmica. É que houve rumores de que duas equipes encontraram uma brecha relacionada ao limite da taxa de compressão, o que poderia resultar em uma vantagem considerável de desempenho. Mas a entidade acabou ajustando o regulamento, na tentativa de inibir qualquer avanço dos engenheiros neste sentido.

Fórmula 1 2026 terá uma nova cara (Foto: F1)

De toda a forma, ainda não é possível prever o resultado de tantas mudanças, mas há quem já sinta saudade do efeito solo e aqueles que ainda torcem o nariz para as novidades. “Acho que é muito, muito difícil dizer como vai ser. Não quero falar muitas coisas negativas. A sensação é muito diferente e não tenho certeza se vocês vão gostar”, disse Lewis Hamilton aos jornalistas.

“Temos menos downforce e mais torque. Pilotar na chuva vai ser muito, muito difícil. Muito mais difícil do que já é hoje com o que temos. Mas talvez eu me surpreenda e talvez seja incrível. Talvez as ultrapassagens sejam espetaculares”, completou.

Mas se não há uma unanimidade em relação aos regulamentos, há outros elementos de 2026 que certamente garantem enorme expectativa e curiosidade. E um deles tem a ver com o grid em si. Após uma década, a Fórmula 1 terá uma 11ª equipe. Trata-se da Cadillac, chega com o respaldo de uma das maiores montadoras do mundo, a GM ou General Motors. Os americanos, no entanto, tiveram de provar a seriedade do projeto e precisaram mudar toda a hierarquia para convencer a F1. Uma vez aprovada, a esquadra, que tem a liderança de Graeme Lowdon, buscou a experiência para a estreia: Sergio Pérez e Valtteri Bottas serão os titulares, enquanto Colton Herta será o reserva — o piloto trocou a Indy pela Fórmula 2 numa tentativa extra de alcançar o Mundial no futuro.

Inclusive, a Cadillac já colocou um carro na pista, com a ajuda da Ferrari, a parceira técnica neste primeiro momento. A marca também vai usar o Super Bowl (jogo final e decisivo da temporada do futebol americano) para lançar a pintura do carro. Mas a F1 tem mais oferecer em termos de ícones. Além da GM, o campeonato terá a volta da Ford. A gigante da indústria de automotiva dos EUA fechou acordo com a Red Bull para o desenvolvimento dos motores.

E ainda tem a Audi. A montadora alemã adquiriu a Sauber e usou 2025 como uma grande transição — embora o time suíço tenha feito bonito na temporada, em que terminou na nona colocação, com 70 pontos e um pódio. Para 2026, a esquadra segue com o brasileiro Gabriel Bortoleto e com o experiente Nico Hülkenberg, tendo na chefia Jonathan Wheatley e Mattia Binotto.

Arvid Lindblad é uma grande aposta de futuro da Red Bull (Foto: Red Bull Content Pool)

Agora, apesar das grandes mudanças, o grid terá apenas um estreante: Arvid Lindblad. O jovem inglês é a aposta da Red Bull para o futuro. O piloto de 18 anos foi o escolhido para o lugar de Isack Hadjar na Racing Bulls e terá como companheiro o neozelandês Liam Lawson. Enquanto isso, Hadjar terá a missão de dividir a equipe principal com o tetracampeão Max Verstappen.

Por fim, o calendário da Fórmula 1 ainda terá 24 etapas em 2026, com uma única novidade: o circuito de Madri, por onde a temporada vai passar em setembro. Importante dizer que Barcelona segue no Mundial. Outro ponto de destaque: as sprints continuam, mas em um novos eventos. Enquanto Interlagos perdeu o formato desta vez, as corridas curtas farão parte da programação na China, em Miami, no Canadá, na Inglaterra, em Singapura e nos Países Baixos — palco que deixará a temporada após o ano que vem.

Portanto, que venha 2026!

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