Retrospectiva 2025: Norris enfim leva título da F1 com performance longe da redenção
Não que falte justiça ao título de Lando Norris em 2025, mas uma análise mais detalhada de cada período da temporada dá a impressão de que é uma conquista muito mais pautada na falta de igualdade técnica do lado de Max Verstappen do que nos méritos do britânico
Difícil avaliar a temporada 2025 de Lando Norris. Claro que não há como negar que a conquista do título foi merecida, afinal foram sete vitórias e outros 11 pódios em 24 corridas, regularidade que nem mesmo Max Verstappen, o maior vencedor da temporada, alcançou. Além disso, o britânico esteve ao volante do melhor carro do campeonato e cumpriu a meta de tirar a McLaren de uma fila que já durava 17 anos sem títulos no Mundial de Pilotos, desde o caneco de Lewis Hamilton em 2008. Só que nem isso foi o bastante para causar nos espectadores a sensação de que o título foi realmente para as mãos do melhor piloto que a F1 teve este ano.
Norris começou a campanha do primeiro título muito bem, obrigada, com pole, vitória e volta mais rápida no GP da Austrália — o segundo de três hat-tricks que possui na carreira. A chuva complicou um pouco a vida dos rivais, e talvez esse seja o ponto que passou impressão inicial de que Lando teria algum controle nas mãos, pois escapou ileso das armadilhas sempre muito bem escondidas em corridas do tipo. Ainda segurou bem a pressão do sempre implacável Verstappen no fim, construindo o que se pode chamar de ‘vitória graúda’.
Da China em diante, todavia, a pintura foi ganhando outros tons de laranja com a vitória de Oscar Piastri, ainda que Lando tenha completado a dobradinha da McLaren. No Japão, repetiu o segundo lugar, dessa vez atrás de Verstappen, em um dos raros momentos de domínio da Red Bull na temporada. Só que o alerta acendeu de vez nas três corridas seguintes, Bahrein, Arábia Saudita e Miami, não apenas pelas vitórias de Piastri, mas pelos erros que começaram a roubar a cena nos momentos decisivos da classificação.
Para se ter uma ideia, tanto no Bahrein quanto em Jedá, Norris ficou somente em sexto e décimo no grid, respectivamente, pelos equívocos cometidos no Q3. Foi o que bastou para a capacidade de o #4 conduzir a clara vantagem técnica da McLaren rumo ao título ser posta em xeque. Os holofotes, portanto, voltaram-se naturalmente para Lando em busca de explicações, deixando-o em uma posição ingrata de destaque que ele admitiu, corridas depois, odiar. Quanto menos aparecesse, melhor.
LEIA TAMBÉM
▶️ Retrospectiva 2025: F1 coroa novo campeão em ano errático na volta do Brasil ao grid
▶️ Retrospectiva 2025: Red Bull se livra de Horner e faz Verstappen sonhar com penta na F1

Só que era preciso não apenas aparecer, como também falar, e Norris expôs o desconforto ao volante do aparentemente perfeito MCL39. Nas palavras dele, não havia sequer confiança, tanto que deixou o Bahrein surpreso por liderar o campeonato passadas as primeiras quatro corridas. A McLaren, então, resolveu dar crédito às reclamações — que certamente não eram restritas apenas à zona mista de entrevistas — e começou a trabalhar em mudanças específicas para deixar o carro mais ao gosto de Lando.
Aqui, claro, é importante frisar que a solução encontrada na suspensão — uma alteração na geometria — não foi imposta a Piastri, já que, ao contrário de Norris, sentia-se bem com o carro, sem qualquer objeção. Andrea Stella, o chefe da esquadra papaia, ainda deixou claro que os dois teriam liberdade para correr com as atualizações que melhor servissem. E Oscar bancou a decisão de rejeitar as mudanças, enfatizando que não se tratava de uma melhoria de performance.
Na verdade, era, porque houve uma mudança significativa no ritmo de Norris nos fins de semana subsequentes ao GP do Canadá. Sim, ele acabou abandonando a corrida em Montreal por conta de um erro bobo a poucas voltas do fim, mas foi o primeiro sinal de que estava no caminho para recuperar o desempenho que tanto almejou. Na Áustria, aliás, o primeiro golpe em Piastri veio: pole-position com nada menos do que 0s5 de vantagem sobre o australiano depois de liderar todas as atividades do fim de semana. Claro que a vitória não iria escapar.
Ainda assim, Piastri mantinha-se no encalço, completando as dobradinhas e ainda vencendo o GP da Bélgica. Era, portanto, o que se poderia chamar de ‘administrar a vantagem’, ainda que houvesse muito campeonato pela frente. Acontece que outra coisa que não se pode negar de Norris é a velocidade que possui. Sim, Lando é um piloto muito rápido, por isso a melhora do ritmo puro com a suspensão atualizada fez muito sentido. É o tipo de ajuste, aliás, que qualquer equipe vai tentar fazer para entregar nas mãos do piloto um equipamento com o qual ele consiga ir ao limite para entregar resultados.

E também há outro fator nessa equação que, de certa forma, acabou sendo muito positivo para Norris: o salto de performance de Verstappen depois das férias. De repente, todas as atenções se voltaram para a impressionante arrancada do tetracampeão e como conseguiu tirar 64 pontos da diferença de 104 que tinha para Piastri em apenas quatro corridas. E quanto mais Max crescia, mais Oscar sentia a pressão.
Consequentemente, Norris aproveitou oportunidade para tomar a ponta, já que era ele quem vinha mais próximo de Piastri na tabela. As vitórias no México e em São Paulo, com atuações seguras e dignas de um candidato ao título, levaram o #4 à liderança e ainda contribuíram a dar a ele certo grau de favoritismo frente ao companheiro de equipe — àquela altura, em frangalhos ao se dar conta de que, no fundo, não se tratava de uma disputa tão igualitária, como os GPs da Hungria e da Itália expuseram.
Mas a grande questão que pesa contra o conjunto campeão de Norris é que, por mais que Verstappen seja um piloto geracional, tal como grandes nomes do passado foram, é inconcebível que ele tenha terminado 2025 com menos vitórias que o agora ex-número 1 da Red Bull, que apanhou o ano todo de um carro instável em curvas, com problema de freios e saindo muito de frente. Ainda que o argumento do desconforto seja aceitável, a McLaren se apressou para dar ao #4 um carro mais agradável antes da metade da temporada.
O avanço técnico do MCL39, com o sistema inteligente de arrefecimento que ajudava a cuidar muito bem dos pneus, ponto sensível na F1 atual, deixou Norris e Piastri em totais condições de repetirem temporadas vistas em 2016, com Hamilton e Nico Rosberg na Mercedes, ou até mesmo em 1988, com Ayrton Senna e Alain Prost. Absolutamente todas as pistas, salvo raríssimas exceções, combinavam com o carro, e Lando também tem parcela de culpa por não ter feito desde o início o que dele se esperava — ou, vá lá, do GP do Canadá em diante.
No final das contas, a conquista de Norris se resume muito mais ao fato de Verstappen não ter tido as mesmas condições técnicas, visto que foi muito melhor em termos de pilotagem, do que em méritos próprios. E isso é muito pouco para o tamanho da aquisição.
A Fórmula 1 está de férias. Os carros voltam a acelerar de 26 a 30 de janeiro em testes privados em Barcelona. Depois, seguem para o Bahrein para mais duas sessões da pré-temporada: de 11 a 13 de fevereiro e de 18 a 20 de fevereiro. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades de 2026.
▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2
F1 hoje: saiba aqui as notícias mais importantes do dia da Fórmula 1
A redação do GRANDE PRÊMIO selecionou as notícias mais importantes das últimas horas para você ficar por dentro de tudo que acontece na F1.
▶️ Equipes descobrem brecha no regulamento de motores e criam polêmica para F1 2026
▶️ Ex-F1 diz que Webber “não está feliz” e crava sobre Piastri: “Já conversa com outra equipe”
▶️ Hamilton alerta sobre comportamento dos carros da F1 2026: “Não sei se vão gostar”
▶️ Verstappen conta quando percebeu que Red Bull teria 2025 difícil na Fórmula 1
🏁 O GRANDE PRÊMIO agora está no Comunidades WhatsApp. Clique aqui para participar e receber as notícias da Fórmula 1 direto no seu celular!
Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.
📩 NEWSLETTER GP
Assine e receba notícias exclusivas e bastidores das pistas diretamente no seu e-mail!