Retrospectiva 2025: Red Bull demite Horner e faz Verstappen sonhar com penta na F1

Em uma temporada repleta de altos e baixos, a Red Bull realizou mudanças profundas na estrutura e viu Max Verstappen virar intruso na briga pelo título contra Lando Norris e Oscar Piastri

Ninguém esperava, ainda antes da temporada 2025 começar, que a Red Bull decidiria virar a página para colocar um ponto final em um dos capítulos mais importante da história de 20 anos na Fórmula 1. Claro, estava nítido desde o ano passado, com a crise interna que atingiu a base de Milton Keynes e a briga de poder entre Christian Horner e Helmut Marko, principalmente, que uma chacoalhada era necessária para colocar o trem desgovernado de volta nos trilhos — mas parecia improvável que alguém daria o primeiro passo.

E foi assim que os meses que abriram este ano provaram ser uma cópia fiel da segunda metade de 2024: uma equipe dividida, sem rumo e muito distante de fazer frente às principais adversárias. Sem o apoio técnico de Adrian Newey e Jonathan Wheatley, que pularam do barco ainda no certame passado para se juntarem à Aston Martin e à Sauber/Audi, respectivamente, os taurinos tiveram dificuldades para corrigir as falhas do RB21 e torná-lo um carro realmente capaz de vencer corridas.

Mas ainda que o cenário fosse um tanto apocalíptico, Max Verstappen tentava trazer as boas novas ao lutar com unhas e dentes contra Lando Norris e Oscar Piastri, que despontavam como grandes forças a bordo do potente MCL39 da McLaren. Com o talento nato de um tetracampeão mundial, o neerlandês subiu ao degrau mais alto do pódio nos GPs do Japão, quando tirou proveito da pole-position para segurar os rivais papaias ao longo da 53 voltas, e da Emília-Romanha, com uma ultrapassagem impressionante logo na curva 1, para colocar ordem na casa.

As vitórias, no entanto, não eram suficientes para esconder a falta de performance do bólido e a crise interna que só crescia, com Jos Verstappen, pai de Max, e Horner trocando farpas publicamente no GP da Áustria — em uma situação típica de “jardim de infância”, como descreveu Marko na ocasião. E o clima esquentou ainda mais alguns dias depois, no GP da Inglaterra, quando os dois personagens foram vistos discutindo no paddock após a 12ª etapa da temporada, em que o tetracampeão terminou somente na quinta posição.

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Christian Horner e Jos Verstappen foram personagens da crise interna na Red Bull (Foto: Mark Sutton)

No fim das contas, o fim de semana em Silverstone acabou sendo o último de Christian no comando da Red Bull, já que o dirigente foi substituído por Laurent Mekies, então chefe da Racing Bulls, na semana seguinte à prova britânica. O que se viu a partir de então foi uma evolução impressionante da equipe, que preparou atualizações importantes para o RB21 a partir do GP da Itália, incluindo mudanças no assoalho e asa dianteira.

Mas além das melhorias aerodinâmicas, a esquadra dos energéticos, na verdade, passou a entender mais o equipamento que tinha em mãos. Ou seja, conseguiu extrair tudo o que tinha direito de um carro que não era ruim, apenas mal compreendido — embora, de fato, a janela operacional fosse menor em comparação com alguns concorrentes. E foi nesse ponto que o conhecimento técnico do novo comandante, por tantas vezes elogiado pelo próprio Verstappen, fez a diferença na reta final de temporada.

Depois das férias de verão da F1, Max começou a mostrar as garras no GP dos Países Baixos. É verdade que o então #1 não foi páreo para a dupla da McLaren e só terminou em segundo por causa da falha na unidade de potência de Norris; contudo, os primeiros sinais de que o carro da Red Bull não era mais o mesmo começaram a aparecer. O amplo domínio no GP da Itália, quando o tetracampeão cruzou a linha de chegada com quase 20s de vantagem, e o novo triunfo no Azerbaijão, uma pista completamente diferente em comparação com a de Monza, acendeu de vez o alerta vermelho nas garagens da escuderia liderada por Andrea Stella.

A partir de então, era oficial: havia um intruso na briga entre Norris e Piastri pelo título em 2025. Nenhum dos três candidatos levou a melhor no GP de Singapura, já que George Russell foi quem subiu no degrau mais alto do pódio por lá, mas a vitória de Verstappen no GP dos Estados Unidos duas semanas depois — com direito a duplo abandono dos papaias na sprint de Austin — esquentou de vez o campeonato. Isso porque o quatro vezes campeão reduziu para 40 pontos uma desvantagem que chegou a ser de 104 após a etapa em Zandvoort.

Max Verstappen ganhou fôlego na reta final da temporada 2025 (Foto: AFP)

Entretanto, é bom lembrar: a Red Bull ainda precisava lidar com uma janela operacional mais estreita em comparação com a principal rival. Essa dificuldade ficou muito nítida nos GPs da Cidade do México e de São Paulo, quando Norris brilhou, assumiu a ponta da tabela e deu passos importantes rumo ao primeiro título da carreira. No Autódromo Hermanos Rodríguez, os taurinos em nenhum momento se entenderam com as características de baixa aderência e alta altitude da pista, enquanto que em Interlagos, só encontraram a configuração certa do RB21 no domingo — o que custou uma largada do pit-lane a Max, que terminou a classificação em 16º e viu a equipe efetuar algumas mudanças em parque fechado para a corrida principal.

No momento em que tudo parecia estar caminhando da maneira mais tranquila possível para Lando, porém, a McLaren decidiu colocar uma emoção na briga pelo troféu. Ao ser extremamente cauteloso com a altura dos carros no GP de Las Vegas, deixando o assoalho o mais distante possível do asfalto, o time de Woking foi pego de surpresa ao ser assombrado pelo famoso porpoising no decorrer das 50 voltas. Como resultado, uma desclassificação dupla por desgaste excessivo da prancha que fez Verstappen ganhar um novo fôlego.

Mas não parou por aí. Em um GP do Catar marcado pela obrigatoriedade de pelo menos dois pit-stops, já que a Pirelli e a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) determinaram um limite de 25 giros por cada jogo de pneus ao longo de todo o fim de semana, os laranjinhas vacilaram na estratégia ao não tirar proveito de um safety-car na volta 7 para parar os pilotos. Por fim, mais uma vitória do titular da Red Bull, que viajou para Abu Dhabi com uma desvantagem de apenas 12 pontos.

Mesmo que o fim de semana no circuito de Yas Marina não tenha começado de maneira fácil, com o futuro #3 dos energéticos reclamando da falta de equilíbrio e das saídas de frente, os taurinos foram capazes de encontrar o melhor ajuste para o carro na ocasião. Tanto é verdade que Verstappen garantiu a pole-position e venceu com certa folga no dia seguinte, terminando o ano como o piloto que mais vezes chegou ao topo do pódio (oito).

Max Verstappen terminou o ano em alta com a Red Bull (Foto: AFP)

O título, entretanto, ficou mesmo com Norris, que correu com o regulamento debaixo do braço para entrar na seleta lista de campeões da F1. Mas apesar das muitas dificuldades enfrentadas e do resultado não tão feliz no final, a temporada ficou longe de ser um completo fracasso para a Red Bull, que viveu mudanças poderosas — incluindo o anúncio surpreendente da saída de Marko — e deixou uma sensação positiva diante dos desafios que todos terão pela frente a partir de 2026.

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