Superioridade da Mercedes assusta, e só acaso tira vitória no GP da Inglaterra

Só uma hecatombe neste domingo será capaz de tirar a Mercedes do pódio. Os carros pretos largam em vantagem, não só pelo excelente carro, mas também pela estratégia, pelo clima e pelo elemento principal: Lewis Hamilton

Neste domingo, quando todos estiverem no grid de largada, Lewis Hamilton vai cumprimentar um a um seus colegas como quem diz: ‘Vejo vocês em uma semana, guys’. Sim, é esse o tamanho do abismo entre o inglês e sua W11 e o resto. No momento, parece que só o acaso – e olhe lá – pode fazer com que Hamilton e sua afinadíssima Mercedes deixem de vencer o GP da Inglaterra. Nas chamadas CNTP, as condições normais de temperatura e pressão, nada tira o triunfo do hexacampeão. O que ele fez neste sábado em Silverstone foi humilhante. Nem um raro erro, nem um Valtteri Bottas mais próximo foram o bastante para impedir a 91ª pole da carreira desse rapaz. Lewis está mesmo em outra liga e, embora até tenha a companhia do finlandês de um ponto de vista do equipamento técnico, a verdade é que corre sozinho. E se transformar essa posição de honra numa vitória, vai se aproximar ainda mais do real adversário que enfrenta em 2020: os números de Michael Schumacher.

E neste sábado ainda deu tudo certo para os líderes do campeonato. A queda brusca de temperatura – cerca de 15ºC entre a sexta-feira de treinos livre e hoje – também foi um banho de água bem fria na concorrência. Isso porque, aparentemente, apenas o calor excessivo é capaz de interferir no desempenho dos carros pretos. Tanto é assim que Max Verstappen foi capaz de imprimir um ritmo de corrida muito interessante ontem, comparável ao de Bottas. Nem Hamilton e nem o nórdico conseguiram liderar as sessões também e admitiram que o clima quente é um problema.

Só que a meteorologia para o primeiro fim de semana inglês da F1 continua a favorecer bem a Mercedes, uma vez que não há mudanças para o domingo. Dito isso, podemos assumir que o triunfo tem toda a cara de Hamilton, com uma superioridade até maior do que aconteceu na Hungria, há duas semanas, mas com a diferença de que Bottas deve acompanhar a tocada.

Então, o que sobra? Verstappen. O holandês é o único capaz de transitar nas duas grandes categorias da Fórmula 1. Explico: a Red Bull mudou sua linha de desenvolvimento em 2020 e agora tem um carro que gosta mais de curvas de alta do que dos trechos mais lentos. A prova é esse melhor desempenho em Silverstone, que tem um pouco de tudo. O RB16, apesar de ser arisco e difícil, mostrou uma performance sólida com os pneus médios na simulação de corrida, e isso pode colocar Max mais perto de uma das Mercedes. Ao mesmo tempo, o jovem também tem nas mãos um carro mais bem acertado na comparação com os rivais diretos do grid.

Max Verstappen após a classificação em Silverstone. O holandês é o melhor do resto (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)

Portanto, é Max quem lidera essa F1 ‘B’ também. “Minha volta final foi muito boa, mas eles são rápidos demais. Estamos fazendo o melhor que podemos, e isso, no momento, é a terceira posição para nós”, confirmou o filho de Jos.

A surpresa do dia ficou por conta da Ferrari, aliás de Charles Leclerc, com um impressionante quarto posto no grid. A equipe italiana segue tentando dar performance a mal nascida SF1000 e, como se não bastasse o déficit de ritmo, o pit-wall se atrapalha com decisões estranhas, como fazer Sebastian Vettel sair de pneus macios na parte inicial do Q2, para depois fazê-lo tirar leite de pedra com os médios, na tentativa de fazer valer uma estratégia menos arriscada no domingo. Só que o alemão acabou perdendo a volta rápida com os amarelos por exceder o limite da pista na Copse. Nisso, também teve um jogo de macios desperdiçado… A décima colocação e o fato de ter sair de pneus vermelhos é uma tremenda desvantagem para o tetracampeão.

De qualquer jeito, a segunda fila é mais do que Ferrari poderia desejar e o fato de Leclerc iniciar a corrida com os compostos médios é uma vantagem considerável, diante dos principais adversários. O carro vermelho #16 lidera também um bloco muito equilibrado, que tem ainda a McLaren de Lando Norris na quinta posição, mas que parte com os macios. A equipe inglesa, aliás, trouxe um pacote de atualizações aerodinâmicas interessante, com soluções nas laterais, principalmente. Depois de dominar a sexta-feira, Lance Stroll aparece na sequência. Também saindo de pneus médios, o canadense cometeu pequenos erros em suas voltas rápidas e acabou perdendo a chance de uma posição mais à frente. Mas vai incomodar neste domingo. A Renault também apareceu bem com os dois pilotos, mas vai sofrer com o ritmo de corrida, uma vez que precisou lançar mão dos pneus vermelhos macios para a largada.

Charles Leclerc obteve o melhor grid da Ferrari até agora em 2020 (Foto: AFP)

Falando em tática, essa é uma corrida em que a estratégia mais rápida será de um pit-stop, entre voltas 30 e 34, de acordo com a Pirelli. Isso para quem largar de pneus macios e trocar pelos duros. Quem sair de médios, pode estender a primeira perna da corrida até o giro 31. E depois buscar os compostos de marcação branca. Ainda, dá para fazer 2 paradas. Neste caso, usando dois jogos de pneus vermelhos nos dois primeiros stints. Aí muda para os médios.

“O ponto principal da classificação de hoje foi o pneu médio, usado pela metade dos dez primeiros durante o Q2”, disse Mario Isola, chefe da Pirelli. “Os quatro primeiros colocados do grid vão começar a corrida com esse composto, que não é o mais rápido no papel, mas que oferece mais opções, como um stint mais longo na primeira parte da prova”, completou.

A Mercedes tradicionalmente anda muito bem com os compostos de linha mais dura, como é o caso deste fim de semana. Por isso, além do clima mais frio, a estratégia também joga do lado dos hexacampeões. Os demais terão de correr atrás. E muito.

A partir de 9h (de Brasília) deste domingo, o GRANDE PRÊMIO apresenta o Briefing no canal no YouTube, com todas as informações e detalhes que antecedem a largada do GP da Inglaterra de Fórmula 1, que começa às 10h10, quando o site passa a acompanhar EM TEMPO REAL.

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