Bottas faz esperado, mas tem de bater Russell e sabe que Verstappen está no jogo em Sakhir

Embora o treino que definiu as posições de largada tenha deixado um pouco a desejar, o GP de Sakhir deve ter mais a oferecer. A ordem do grid pode até parecer mais do mesmo, só que há uma ameaça em Max Verstappen e uma chance de embate direto entre os dois carros da Mercedes

A classificação do GP de Sakhir prometia mais, é verdade, mas a sessão que definiu o grid de largada para a corrida deste domingo também abre a possibilidade de um cenário bem mais interessante do que aquele visto na semana passada, quando a Fórmula 1 usou o traçado tradicional no Bahrein. Ainda que o curto anel externo tenha proporcionado maior equilíbrio entre os carros, é certo dizer que outros fatores contribuem para a expectativa de uma prova menos previsível. É claro que a ausência de Lewis Hamilton é um desses elementos. Sem o inglês, tudo pareceu mais normal. Tanto é verdade que a Mercedes se viu em um embate mais apertado do que de costume. E bem mais interessante também. Além disso, Max Verstappen assume novamente seu posto de ameaça. Embora largue com pneus diferentes, a quase insignificante desvantagem para Valtteri Bottas significa que há muito a ser explorado em corrida, onde mora a força do holandês.

Do início, então. Valtteri fez o que dele se esperava. Líder da Mercedes na falte de Lewis, o finlandês precisou tomar as rédeas da situação. Não foi, como ele mesmo disse depois, a melhor classificação de sua carreira, mas, certamente, foi uma das mais importantes. Ainda que a distância para George Russell tenha ficado na casa dos milésimos, era imperativo vencer essa primeira batalha. Para o bem da pressão arterial e da cabeça. O problema é que o jovem substituto de Lewis está a 0s026 na segunda colocação, cada vez mais adaptado ao carro e fome de provar que a equipe multicampeã acertou ao apostar as fichas nele.

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Foi a melhor classificação da carreira de George (Foto: Mercedes)

Apenas os dois largam com o mesmo tipo de composto – os médios, C3, utilizados na segunda parte da classificação. Não há, por ora, também nenhum código de conduta. A disputa está aberta. Então, o nórdico terá novamente a missão de defender a honra amanhã. George é quem está na melhor posição. Mostrou a que veio e deve capitalizar em cima. O inglês, aliás, sentiu a perda da chance de pole, mas tem sido muito brabo ao longo do fim de semana, sendo rápido e aprendendo o tempo inteiro. Talvez a Mercedes realmente não use essa etapa para definir o futuro do britânico, mas, com certeza, é uma performance que não será esquecida facilmente.

Só que os carros pretos não estão em uma liga diferente, apesar do acerto na estratégia. Verstappen está à espreita. É claro que doeu no holandês não conseguir passar para o Q3 com os médios, seria ótimo para a corrida, mas os energéticos ainda não têm essa velocidade. No fim da segunda fase da classificação, a Red Bull afastou qualquer risco, e Max teve de apelar aos compostos macios. A vantagem está em contar com uma melhor aderência no início da corrida e na largada, como até fez no domingo passado, especialmente na primeira largada. Usando o lado limpo do traçado, tem a chance de surpreender os rivais. Daí para frente, será uma nova corrida. Embora a exigência dos pneus seja um pouco menor do que na semana passada, o desgaste e a degradação ainda são relativamente altos na superfície abrasiva do circuito externo.

Max Verstappen abre a segunda fila de largada (Foto: Red Bull Content Pool)

E essa é uma corrida, novamente, de duas paradas. Claro que ninguém quer perder tempo em Sakhir, então a gestão da borracha será fundamental. Em termos de ritmo de corrida, o RB16 rendeu muito bem e está numa condição parecida aos modelos alemães, especialmente em cima dos pneus amarelos médios. Verstappen, inclusive, foi melhor nas simulações com o tanque cheio. “Os dois carros da Mercedes são os únicos entre os dez primeiros a partir com o pneu médio, por isso será fascinante ver se eles podem transformar isso em uma vantagem, especialmente no início, com tantos carros com pneus macios mais rápidos imediatamente ao redor deles”, disse Mario Isola, o chefão da Pirelli na Fórmula 1.

Quanto às táticas, há uma variedade de combinações. Enquanto a Mercedes deve trabalhar com o médio-duro, a Red Bull tem a chance de trazer o médio à baila. O que pode ser uma boa sacada em Sakhir.

A segunda fila do grid ainda tem uma Ferrari. Charles Leclerc foi um dos grandes destaques dessa classificação. O monegasco foi capaz de driblar o crônico déficit de motor do carro italiano e, ao escolher o momento certo de ir à pista no Q3, obteve a boa marca de 53s613, pouco mais de 0s2 do tempo de Bottas. A performance foi tão sólida que Leclerc sequer precisou voltar – na verdade, ele não tinha mais jogos de pneus, mas, ainda assim, o desempenho impressiona. Certamente, a corrida contará uma história distinta, só Charles sai fortalecido em uma temporada muito melhor e até mais eficiente do que no ano passado.

Leclerc também briga pelo quarto lugar no Mundial (Foto: Ferrari)

Como de costume, o pelotão intermediário está apertadíssimo. Leclerc faz parte desse grupo e o lidera neste grid, que tem um forte Sergio Pérez logo atrás, seguido por Daniil Kvyat, Daniel Ricciardo, Carlos Sainz e Pierre Gasly. Todos com potencial até de pódio no GP de Sakhir.

Na estreia em classificação, Pietro Fittipaldi precisou lidar com as punições por trocas de peças e não teve lá muita chance, mas fez seu trabalho de adaptação ao carro que conheceu ontem. Foi o único a não entrar na casa dos 54s, mas fez uma sessão sem erros.

O GP de Sakhir de Fórmula 1 tem largada marcada para 14h10 (horário de Brasília. Antes, às 13h, o GRANDE PRÊMIO analisa AO VIVO tudo sobre o treino classificatório e traz as últimas informações que antecedem a disputa da penúltima etapa da temporada 2020 no BRIEFING. Tudo na GPTV, o canal do GP no YouTube.

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