Verstappen impõe desafio a Mercedes na Bélgica em dia de vergonha da Ferrari

Max Verstappen abusou de um ótimo segundo setor para liderar o dia de treinos em Spa-Francorchamps, deixando um ar de que a corrida belga pode testemunhar uma luta mais direta com a Mercedes. Enquanto isso, a Ferrari passou um vexame daqueles e viu seus pilotos lutarem contra um acerto problemático

Circuito preferido da maioria dos pilotos, Spa-Francorchamps tem de tudo um pouco: longos trechos de alta velocidade, freadas fortes, subidas e descidas. É tão particular que, se para o cara dentro do carro é um prazer guiar pelas estradas que passam por Malmedy e a floresta da Ardenas, para quem trabalha no acerto dessas máquinas é igualmente desafiador, mas não no bom sentido. Acontece que a pista de pouco mais de 7 km permite configurações aerodinâmicas muito distintas, ora voltada para a velocidade pura, ora centrada no downforce. E tudo isso ainda precisa acompanhar o intrigante comportamento dos pneus – que, para esse fim de semana, são de uma gama mais macia da Pirelli. Talvez por essa combinação singular a sexta-feira (28) de treinos livres do GP da Bélgica tenha se mostrado tão interessante, com uma tabela equilibrada de certa forma e uma melhora significativa dos tempos de volta de grande parte do grid na comparação a 2019. Só a Ferrari andou bem para trás, mas há uma explicação.

Porém, antes do vexame vermelho, há de se falar de Max Verstappen. A única ameaça real à Mercedes deu o pontapé inicial para a etapa belga andando muito rápido. O rapaz do carro #33 fechou o dia com 1min43s744 – 1s6 melhor do que seu tempo nesta sessão no ano passado. A Red Bull optou por um acerto com mais pressão aerodinâmica, então não foi surpresa entender o ritmo do holandês, que parece guiar um RB16 mais equilibrado desta vez. O desempenho vem acompanhado de uma compreensão maior dos pneus vermelhos – os mais macios da gama, embora a temperatura ambiente tenha permanecido mais baixa ao longo do dia. O fato é que Verstappen voou no segundo setor do traçado, trecho de maior downforce e que corresponde a 70% da volta. É onde estão curvas como Rivage, Pouhon e Stavelot, a força do time das latinhas. E a boa velocidade dos energéticos foi confirmada pela performance de Alex Albon. O anglo-tailandês foi o quarto colocado, a 0s390 do líder.

Isso quer dizer que os taurinos são adversários reais e devem entrar na briga com a Mercedes, talvez não pela pole, como disse Verstappen, mas certamente em corrida, faça chuva ou faça sol. Acontece também que a equipe da estrela teve um pouco mais trabalho em Spa. Não que estivesse lutando contra o acerto, mas porque tentou buscar configurações diferentes. A esquadra alemã decidiu levar para o circuito belga mais de um pacote aerodinâmico e tem novidades no carro. Mesmo dominando a temporada, os hexacampeões não descansam. E Lewis Hamilton, apenas terceiro colocado do dia, também estudou acertos para chuva – há uma previsão de água para o horário da corrida e, uma vez confirmada, a corrida ganha nova expectativa, especialmente se considerar o quão bom é Verstappen com pista molhada.

O hexacampeão ficou a apenas 0s1 de Max, mas demonstrou um grande ritmo de corrida. Já Valtteri Bottas, que completa 31 anos nesta sexta, enfrentou mais problemas à tarde, depois de ter liderado o primeiro treino. Na verdade, o finlandês não encontrou uma volta limpa ao longo da sessão vespertina.

A surpresa mesmo do dia foi Daniel Ricciardo e a Renault. Calçado com os pneus macios, o australiano fez uma excelente volta na simulação de corrida para cravar 1min43s792, apenas 0s048 pior que o tempo do ex-companheiro de Red Bull. O oitavo posto de Esteban Ocon prova ainda que a equipe francesa tem potencial em Spa. A única questão que assola é o fato de que a R.S.20 ainda é pouco confiável. A briga, mais uma vez, deve ser dura entre os gauleses, Racing Point e McLaren. Todo mundo aí separado por pouco mais de 0s3. Até a AlphaTauri é candidata nesta batalha no pelotão intermediário.

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Daniel Ricciardo foi a grande surpresa do dia (Foto: Renault)

Mas se o cenário parece muito equilibrado mesmo no grupo da frente, há uma derrotada nesta sexta-feira. A Ferrari foi um vexame só. E a transmissão de TV foi o que revelou a dimensão do problema: em certo momento da segunda sessão, surgiu na tela uma comparação de desempenho entre os carros italianos e as parceiras Alfa Romeo e Haas, além da Williams. Isso mesmo: a SF1000 tomou tempo dos times para os quais fornece motor e também para a equipe inglesa. Enquanto a maior parte dos times foi capaz de evoluir de 2019 para 2020, com gente melhorando em quase 2s, a escuderia perdeu 1s em relação à temporada passada, em uma pista que dominou. Charles Leclerc não só foi pole, como venceu até com certa tranquilidade. O choque de realidade agora foi brutal: o monegasco terminou o dia na 15ª posição, mais de 0s5 atrás de Kimi Räikkönen, o 14º. Já Sebastian Vettel foi o 17º, pouco mais de 0s2 de Russell, que obteve o 16º tempo.

A verdade é que mais do que o já conhecido déficit de motor, a Ferrari enfrentou também problemas no acerto da SF1000, e isso parece muito mais sério. A ideia era usar uma configuração mais agressiva em termos de downforce, ou seja, andar com pouca asa, mas essa decisão comprometeu demais o equilíbrio, uma vez que não obteve nenhum ganho na parte intermediária da pista – e os engenheiros tiveram de voltar atrás. Então, o carro vermelho não tem velocidade, pelo motor, e ainda sofre com o acerto aerodinâmico. Portanto, será uma longa e sombria noite nas garagens de Maranello.

A Fórmula 1 volta a acelerar neste sábado a partir de 7h (de Brasília) com a disputa do terceiro treino livre, enquanto a definição do grid de largada do GP da Bélgica está marcada para 10h. O GRANDE PRÊMIO acompanha tudo AO VIVO e em TEMPO REAL.

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