FIA defende regra da FE e nega mudança para evitar repeteco do caos em Valência

Frédéric Bertrand, diretor da FIA para a Fórmula E e projetos inovadores, afirmou que as regras estavam bem explicadas em Valência e serão mantidas

Sem bateria, Da Costa perde potência e liderança na abertura da última volta (Vídeo: Fórmula E)

O final da corrida 1 da rodada dupla da Fórmula E em Valência, no último sábado, foi das mais estranhas da história da categoria. Após cinco interrupções fosse por bandeira amarela de pista inteira ou safety-car, houve uma falta de bateria generalizada na última volta que rendeu inúmeras mudanças de posições, abandonos e desclassificações. Erro do regulamento? Não segundo a FIA, que rejeitou qualquer chance de mudança para este domingo (25) e o restante da temporada.

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Quem se manifestou foi Frédéric Bertrand, diretor da FIA para a Fórmula E e projetos esportivos inovadores. Segundo a palavra oficial do órgão que regula o automobilismo – e que passou a ter a Fórmula E como Campeonato Mundial nesta temporada -, o que aconteceu em Valência era possível de prever e estava bem avisado para equipes e pilotos.

“Sabemos que gerenciar a energia é fundamental para nosso campeonato e é um desafio que temos todos que enfrentar. Todos lidamos com isso de maneira correta na maior parte do tempo, mas às vezes não somos tão precisos”, afirmou.

“Neste caso em particular, tivemos mais ou menos as mesmas circunstâncias de Roma, onde contamos com um safety-car no fim da corrida. Dissemos claramente, nos briefings de pilotos e chefes de equipe, que no caso disso acontecer novamente a energia seria reduzida, assim como em Roma. A escolha do líder da corrida certamente mudou as coisas para a maioria dos pilotos, que tiveram abordagem menos conservadora que os outros”, opinou.

Largada do eP de Valência (Foto: FIA Fórmula E)

É justo explicar um pouco mais da regra que resultou no final bizarro de Valência. Após uma série de corridas durante a temporada 2018/19 em que bandeiras amarelas e safety-car cortavam o tempo de disputa na pista e eliminavam o gerenciamento de energia como fator para obter sucesso na categoria, a Fórmula E mudou e passou a tirar 1kw/h de energia de cada carro a cada minuto sob bandeira amarela ou safety-car. Num circuito fechado como Valência e com chuva, as interrupções foram cinco, um recorde desde que a nova regra foi imposta.

A regra foi aplicada naturalmente em Valência, em nada mudou com relação a qualquer outra corrida disputada nos últimos dois anos. A questão apontada por gente do paddock é que há uma diferença clara: Valência é um circuito fechado, tradicional, completamente distinto das pistas de ruas nas quais a Fórmula E corre.

De qualquer maneira, Bertrand ignorou o ponto. Para ele, tudo era possível de administrar, como fizeram os que herdaram as primeiras colocações. Nyck de Vries e Stoffel Vandoorne, dupla da Mercedes e que foram ao pódio juntos, afirmaram que a equipe alemã se preparou para a possibilidade de faltar bateria. Assim, a FIA vê que o comportamento de António Félix da Costa, que liderava a corrida até a abertura da última volta, quando acabou a bateria, pregou uma peça em boa parte do grid. O português havia criticado durante a situação.

“Mas, no fim das contas, alguns pilotos anteciparam tudo isso e se prepararam, porque entenderam que aconteceria. E gerenciaram de maneira apropriada. Alguns não anteciparam, assumiram um risco alto demais e não chegaram ao fim da corrida. É nessa que estamos. Certamente não é o final que queremos, mas, ao menos os que gerenciaram a energia bem, foram muito bem. Não foi uma corrida fácil”, seguiu.

E reforçou: não vai mudar as regras apesar do que aconteceu. “Foi complicado para todo mundo, com os períodos de safety-car e a chuva e a pista sendo tão específica, mas controlar a energia é fundamental. O gerenciamento de energia é uma parte-chave da Fórmula E e vemos como algo desafiador, mas controlável. Alguns controlaram bem, outros nem tanto. É claramente uma lição para o futuro. Vamos manter a consistência ao gerenciar esses desafios para o restante da temporada”, finalizou.

A largada para a segunda corrida está marcada para as 9h (de Brasília). Depois disso, a Fórmula E vai a Mônaco em duas semanas. Ainda passa por México , Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha, estas quatro em rodadas duplas, para encerrar a temporada.

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