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FIA pune Vergne com um dia de serviços comunitários por tentativa de manipular corrida

Jean-Éric Vergne terá que prestar serviço comunitário após sugerir no rádio que o companheiro de equipe Andre Lotterer parasse o carro e causasse a entrada do safety-car após acidente na primeira volta da corrida de sábado. Bicampeão se defendeu e afirmou que qualquer piloto tomaria a mesma decisão na situação

Grande Prêmio / Redação GP, de Campinas
Apesar de confirmar o bicampeonato da Fórmula E, Jean-Éric Vergne é alvo de uma polêmica. O piloto francês enviou uma mensagem ao rádio da equipe DS Techeetah sugerindo que o companheiro de equipe Andre Lotterer parasse o carro na primeira volta e causasse a entrada do safety-car após um acidente na primeira corrida, disputada no sábado (13). O pedido foi feito duas vezes - e ignorado pelo engenheiro da equipe franco-chinesa.
 
Vergne terá que cumprir serviço comunitário por conta da mensagem, que infringiu o artigo 12.3.1c do código esportivo da FIA. A decisão não afeta os resultados das corridas em Nova York e do campeonato, e é uma punição parecida com a que Max Verstappen recebeu na Fórmula 1 por conta de empurrões em Esteban Ocon no GP do Brasil. O holandês cumpriu o serviço aparecendo no eP de Marrakech da FE.

Embora o áudio não tenha sido divulgado na íntegra, o comunicado dos comissários [replicado no fim da nota] revela que Vergne disse para o engenheiro a seguinte frase: "Diga a André para parar... Trazer o safety-car à pista", após a confusão da largada da corrida 1 em Nova York. Lotterer não parou na pista. Um safety-car acabou sendo chamado mais tarde por conta de problemas com o Jaguar de Alex Lynn.
Jean-Éric Vergne (Foto: DS Techeetah)
O campeão Vergne se defendeu, afirmando que outros tomariam a mesma decisão em uma situação parecida.
 
"Todos os outros pilotos na F1 ou FE, eles teriam feito o mesmo. Você escapa, vê o companheiro de equipe uma volta atrás, com o carro quebrado, a asa dianteira solta no muro, é algo normal pedir. Todo mundo faria o mesmo. Não é como se ele estivesse disputando posição com o carro bom ou eu pedisse para bater o carro no muro, algo que já aconteceu no passado", afirmou em entrevista ao site norte-americano 'Motorsport.com'.
 
Vergne também sugeriu que a reclamação por conta da mensagem veio por parte da Audi, em forma de retaliação por conta de um protesto feito pela DS Techeetah contra Lucas Di Grassi na corrida do sábado - quando o piloto brasileiro chegou a tocar o alemão no começo da prova. A Audi negou envolvimento - e os comissários não viram motivo para punição no caso de Di Grassi.
 
"Audi ficou extremamente irritada que minha equipe protestou contra eles ontem, então encontraram alguma coisa para protestar sobre nós. É simples assim", afirmou. "Estou feliz por qualquer que seja a penalização que eles estabeleçam para mim para dar exemplo aos outros pilotos, inclusive eu mesmo, para que paremos de reclamar no rádio e façamos as coisas acontecer em nosso benefício", seguiu.

O piloto ainda afirmou que a prática é comum em categorias como a Fórmula 1 e a própria Fórmula E, e crê que a punição pode funcionar para que este tipo de mensagem não se repita.
 
"Na F1, todo mundo faz isso e na FE é igual. Eu ficaria feliz de assumir a culpa para que todos parem de reclamar para que, em nosso benefício, um safety-car seja chamado ou uma punição seja dada para outro piloto. Seria bom [parar com isso]”, concluiu.
A batida do começo do eP de Nova York (Foto: Reprodução/Twitter)
Confira o comunicado oficial da FIA sobre o ocorrido:

"Os comissários escutaram as comunicações de rádio entre o carro #25 [Vergne] e sua equipe durante a etapa 12 [sábado], convocou o piloto do carro #25 e o chefe de equipe da DS Techeetah para conduzir uma investigação sobre uma suspeita de contravenção do piloto do #25 em relação ao Appendix B do Código Esportivo Internacional da FIA, o Código de Boa Conduta.
 
As comunicações da equipe via rádio sugerem que o piloto do carro #25 pediu aos seu engenheiro que o companheiro de equipe, o piloto do carro #36 [Lotterer], parasse o carro no circuito para forçar que o diretor de corridas ordenasse uma investigação do safety-car durante a 12ª etapa.
 
Os comissários ouviram o piloto do carro #25 e seu chefe de equipe. Os trechos relevantes da comunicação pelo rádio foram mostradas. O piloto do carro #25 admitiu que ele chamou o engenheiro durante a corrida 12 e fez o seguinte pedido:
 
'Diga a André para parar... Trazer o safety-car à pista.'
 
Sr. Vergne disse que essas mensagens foram feitas no seguinte contexto: as comunicações por rádio da equipe em questão sugeriram que o piloto do carro #25 pedisse ao engenheiro que seu companheiro de equipe, o piloto do carro #36, parasse o carro no circuito para forçar o diretor de corridas e pedir a intervenção do safety-car durante a etapa 12.
 
Ele tinha preocupações quanto à segurança de outros pilotos por conta de destroços na pista e pediu ao engenheiro que pedissem a parada do carro #36 apenas por esse motivo.
 
O piloto do carro #25 disse que reconhece que essas mensagens podem ser mal-entendidas. Ele admitiu, com o benefício de reavaliar, que as mensagens foram inapropriadas, particularmente por terem sido feitas num canal aberto para o público via o E-App e que ele sabia que estavam sendo monitoradas pelos comissários.
 
Os comissários destacaram que o engenheiro do carro #25 não respondeu às mensagens do Sr. Vergne.
 
Os comissários aceitam a explicação do Sr. Vergne, mas é a obrigação de esportistas neste nível que tenham atitudes justas e corretas e sejam modelos para outros pilotos de todos os níveis do esporte a motor."
 
Paddockast #24
A BATALHA: Indy x MotoGP


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