Guia FE 2021/22: Sette Câmara quer colaboração com Giovinazzi pela Dragon

Em entrevista exclusiva ao GRANDE PRÊMIO, Sérgio Sette Câmara abordou diversos pontos sobre a temporada 2022 da Fórmula E e espera por colaboração com Antonio Giovinazzi em prol de evolução da Dragon na categoria

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Sérgio Sette Câmara parte para sua segunda temporada completa na Fórmula E em 2022, novamente na Dragon e bem mais acostumado à correria dos finais de semana da categoria de monopostos elétricos. Em conversa com o GRANDE PRÊMIO, o mineiro de 23 anos analisou as expectativas para o novo campeonato, a última da segunda geração de carros, em que terá um novo companheiro de equipe, Antonio Giovinazzi, que deixou a Fórmula 1 e se juntou ao brasileiro na esquadra norte-americana.

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Com uma mudança drástica prevista para 2023 com a introdução do modelo Gen3 na categoria, os carros da temporada oito serão bastante parecidos com os vistos no último ano, que terminou com o título mundial de Nyck de Vries, da Mercedes. Esse fator foi visto por Sérgio como importante para que seja possível à Dragon pontuar em um número maior de ocasiões, após duas corridas dentro da zona de pontuação nos ePrix de Diriyah e Londres.

Giovinazzi será o terceiro companheiro de equipe diferente de Sette Câmara em 21 corridas disputadas pela Dragon, e o brasileiro espera que ambos os lados da garagem consigam uma boa relação para que seja possível à equipe evoluir, após um modesto 11º lugar entre os Construtores em 2021, à frente apenas da NIO.

O brasileiro Sérgio Sette Câmara somou 16 pontos na Fórmula E em 2021, sua primeira temporada completa (Foto: Reprodução/Shiv Gohil)

Nico Müller era o titular da equipe quando o brasileiro foi contratado, em substituição ao neozelandês Brendon Hartley — para as últimas seis etapas da temporada 2019/2020. No entanto, o suíço disputou apenas as sete primeiras etapas da Fórmula E em 2020/2021 e deixou o time, alegando “conflito de compromissos” com o DTM e suas funções de piloto da Audi.

Assim, o sueco Joel Eriksson assumiu o posto no ePrix de Puebla, no México, e não largou mais, completando a temporada ao lado de Sette Câmara. A partir do dia 28 de janeiro, no ePrix de Diriyah, primeira corrida do ano, uma nova etapa começará para o brasileiro — com direito a uma nova parceria.

Ainda sem condições de disputar com as equipes de frente do grid, os planos da Dragon são de coletar o máximo possível de informações ao longo do ano de 2022 para que a entrada de 2023 com os carros de Gen3 ofereça a possibilidade de almejar resultados melhores na Fórmula E — quem sabe até mesmo brigar no pelotão de frente.

A oitava temporada da Fórmula E começa com direito a rodada dupla, com duas corridas válidas pelo ePrix de Diriyah, na Arábia Saudita, em 28 e 29 de janeiro. A categoria terá transmissão exclusiva na TV aberta por parte da Cultura, e na grade de televisão fechada será responsabilidade dos canais SporTV.

A entrevista completa com o piloto brasileiro Sérgio Sette Câmara:

O que esperar da temporada 2022?

“Os carros não mudaram muito do ano passado para esse por uma questão de homologação, apenas a parte do software, então as equipes vão estar com carros muito parecidos. Por conta disso, espero também que a competitividade entre as equipes seja parecida. Não quero colocar uma expectativa muito ambiciosa, porque ano passado a gente deu nosso máximo e pontuou em três ou quatro ocasiões [foram duas vezes, em Diriyah e Londres], então nesse ano quero colocar uma meta um pouco acima disso. Então, pontuar talvez o dobro, em seis ou oito etapas seria uma meta acho que interessante, considerando que os carros são praticamente os mesmos.”

Sérgio Sette Câmara em ação pela Dragon na temporada de 2021 (Foto: Dragon)

Agora que você tem uma temporada completa da Fórmula E, dá para encarar o campeonato de forma diferente ao do ano passado?

“Acho que sim, dá para encarar com mais maturidade, mais calma, já tendo vivido vários finais de semana de corrida e me acostumado com a loucura que são os finais de semana da Fórmula E, acho que isso pode me ajudar.”

Ano passado, você conseguiu um quarto lugar importante pra Dragon. É possível fazer isso mais vezes e tirar a Dragon dos últimos lugares do Mundial de Equipes em 2022?

“Acredito que dê, o importante é sempre tirar o máximo do carro. Acho que, para a gente chegar em quarto ou quinto, tem de dar tudo certo. Mas pelo menos no ano passado, para beirar o top-10, a gente consegue fazer isso em um dia normal. É só a gente tirar o máximo, tanto eu quanto a equipe. E se acontecer alguma coisa que vai a nosso favor, a gente precisa estar pronto para beliscar um resultado mais impactante, um quinto, um quarto lugar. É manter constância e estar pronto para abraçar uma oportunidade boa caso ela venha.”

Sérgio Sette Câmara garantiu a primeira fila e depois terminou em quarto na corrida 2 do ePrix de Diriyah em 2021 (Foto: Fórmula E)

Diferentemente do ano passado, agora você vai ter um companheiro menos experiente na Fórmula E do que você. Mas é alguém que vem da Fórmula 1. Como é sua relação com Giovinazzi e o que esperar dessa dupla?

“Ano passado eu comecei o campeonato com o Nico [Müller] como companheiro de equipe, acabou que mudou durante o ano, tive também o Joel [Eriksson] por mais de metade do campeonato. O mais importante é ter uma boa relação. Acho que a partir do dia em que a gente for a melhor equipe da Fórmula E e em que nós estejamos em primeiro e segundo colocado, aí a gente pode brigar, ter uma briga interna de equipe, porque a gente já é a melhor equipe, está brigando pelo primeiro lugar então faz sentido ter uma competição interna. Mas não é o caso, a gente está longe disso.”

“Então, a gente tem que trabalhar junto, unir forças, os dois lados da garagem compartilharem o máximo de informações para quem sabe um dia a gente se torne uma equipe mais competitiva. É lógico que agora, nessa última temporada da Gen2, é muito difícil se transformar e se tornar a melhor equipe do grid. A gente tem que estar pronto e manter a harmonia na equipe, esse ano vai ser a introdução de um carro novo, a gente vai estar testando o Gen3, e por isso a equipe tem que estar unida, compartilhando informação, trabalhando junto, porque dessa forma a gente vai conseguir um ano de estreia em 2023 forte, como das melhores equipes, se Deus quiser.”

Giovinazzi teve suas primeiras experiências na Fórmula E na pré-temporada de Valência e será companheiro de Sérgio em 2022 (Foto: Fórmula E)

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Além da Fórmula E, o que você espera do seu ano pra 2022? Ainda busca espaço na F1 ou na Indy, por exemplo?

“Meu foco para 2022 está 100% na Fórmula E, a única possibilidade de pensar em outra coisa é se vier alguma proposta para disputar alguma corrida, algum campeonato, que não comprometa de nenhuma forma a minha energia, a minha tensão, o tempo que eu posso me dedicar à Fórmula E, essa é minha única condição. Meu foco está nesse campeonato, é nele que eu acredito, é nele que eu quero crescer. E se eu focar nisso, se eu for bem na Fórmula E, outras portas podem se abrir, e aí eu vou ter a opção de escolher ou não. Mas se eu não estiver focado na Fórmula E, os resultados não vão vir e nenhuma porta vai se abrir. Então é muito melhor para mim focar na Fórmula E, e graças a Deus é o que eu estou conseguindo fazer. Minha vontade é correr nesse campeonato, crescer dentro desse campeonato, acredito muito na filosofia da categoria, e é isso. [Estou] focado para crescer o máximo possível.”

Sérgio Sette Câmara quer foco totalmente virado para disputa da Fórmula E em 2022 (Foto: Reprodução/Shiv Gohil)
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