Guia FE 2021/22: Classificação em mata-mata e mais potência nos carros marcam temporada

Fórmula E vai ter um formato de classificação totalmente revigorado em 2022, que envolve fase de grupos e mata-mata. Além disso, carros terão mais potência e apenas cinco equipes mantiveram suas duplas para este ano

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A Fórmula E retorna para sua oitava temporada neste ano de 2022, e apesar das poucas mudanças realizadas no carros de um ano para o outro, algumas alterações prometem impactar diretamente na disputa da categoria. A grande novidade será o novo formato de classificação para a formação do grid de largada, com direito a fase de grupos e mata-mata. Além disso, os pilotos terão 10% a mais de potência em seus monopostos para 2022, o que influenciará diretamente no desgaste dos pneus, na temperatura do carro e no gerenciamento da bateria.

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O calendário da nova temporada ainda apresentará algumas novidades, com a entrada de etapas inéditas para a categoria, além da natural movimentação dos pilotos, com algumas saídas e chegadas ao grid. Por fim, as gigantes Audi e BMW deixaram a Fórmula E — a Mercedes será a próxima —, o que também impactou nos assentos disponíveis para 2022, inclusive para o brasileiro Lucas Di Grassi, que precisou encontrar uma nova equipe.

Confira abaixo, em mais um guia do GRANDE PRÊMIO sobre a temporada 2021/2022 da Fórmula E, as principais mudanças da categoria elétrica para este ano:

Nyck de Vries, da Mercedes, foi o campeão da Fórmula E na temporada 2020/2021 (Foto: Mercedes)

Formato de Classificação

A partir desta temporada 2021/2022, a Fórmula E irá utilizar um sistema de mata-mata para definir o grid de largada nas corridas — baseado na posição de cada piloto no campeonato. Assim, os colocados em posições ímpares no Mundial de Pilotos (primeiro, terceiro, quinto, etc.) são postos no Grupo A, enquanto os de posições pares (segundo, quarto, sexto, etc.) ocupam o Grupo B.

Cada grupo terá uma janela de 12 minutos para que os pilotos utilizem a potência máxima de corrida (220kW), e os melhores tempos de cada competidor são registrados para a fase seguinte.

Os quatro melhores de cada grupo passam para um duelo mata-mata particular de um contra um na segunda fase: o primeiro do Grupo A contra o quarto do Grupo B, o segundo do A contra o terceiro do B, o terceiro do A contra o segundo do B e por fim, o quarto colocado do Grupo A encara o melhor posicionado no grupo B. Nesta fase, os pilotos já poderão utilizar a potência máxima de 250kW.

Robin Frijns permanece na Envision para mais uma temporada em 2022 (Foto: Fórmula E)

Os dois vencedores passam diretamente para a semifinal e disputam novamente no um contra um, com o seguinte chaveamento: o vencedor de A1 x B4 encara o vencedor de A2 x B3, enquanto quem triunfar em B1 x A4 enfrenta o que sobrar de B2 x A3. Obviamente, os dois vencedores se classificam e fazem a final.

Desta forma, o vencedor da final será o pole-position e o perdedor larga em segundo lugar. O melhor eliminado nas semifinais fica com o terceiro lugar, enquanto o mais lento dos quatro ocupará a quarta colocação do grid. A ordem de largada continua com os eliminados das quartas de final, com vantagem para os que foram mais rápidos.

Entre os que não conseguiram se classificar para o mata-mata, suas posições de largada no grid serão definidas de acordo com os tempos registrados na primeira fase. Qualquer punição que tenha como consequência a alteração do grid será registrada apenas após a disputa da fase final do mata-mata.

Potência

Os carros da Fórmula E vão passar a ter 10% a mais de potência em seus carros do que o permitido até 2021: de 200kW para 220kW. Apesar da alteração parecer mínima, pode fazer toda a diferença em uma categoria na qual os pilotos estão acostumados a ter que gerenciar suas baterias — algo que nem sempre é possível fazer, inclusive.

Além disso, uma quantidade maior de potência significa, obviamente, mais aceleração, o que leva mais desgaste aos pneus e pede mais atenção dos pilotos no momento da aceleração, principalmente em saídas de curva. A temperatura também será algo a se observar, já que a tendência é de que a bateria dos carros aqueça mais.

E a voltagem deve aumentar ainda mais para o ano que vem: 2022 representa o último ano dos carros de segunda geração na Fórmula E, com a entrada dos Gen3 programada para o ano de 2023. Novamente, a intenção é tornar o novo carro ainda mais leve e sustentável do que o atual, entre outras alterações. A promessa é de que os novos carros carreguem mais rápido e alcancem até 350kW de potência.

JAGUAR; SAM BIRD; MITCH EVANS; FÓRMULA E; JAGUAR;
A Jaguar foi uma das cinco equipes a segurarem seus dois pilotos para 2022 (Foto: Jaguar Racing)

Calendário

A Fórmula E vai ter um calendário recorde de 16 corridas na temporada 2021/2022, apenas uma a mais do que na última jornada. Os ePrix de Diriyah, Roma, Mônaco, Nova York, Londres e Berlim permanecem confirmados para 2022, ao contrário de Valência e Puebla, que não vão hospedar a categoria elétrica este ano.

Com a saída das duas pistas, que receberam rodadas duplas da Fórmula E no ano passado, a categoria fechou com três locais inéditos: Jacarta, na Indonésia, e Vancouver, no Canadá, vão receber uma corrida cada nos finais de semana de 4 de junho e 2 de julho, respectivamente. Por fim, o ePrix de Seul, na Coréia do Sul, será responsável por encerrar a temporada com uma jornada dupla entre 13 e 14 de agosto.

O México não é um local inédito para a Fórmula E, mas vai receber os competidores em outra pista: o Autódromo Hermanos Rodríguez, na capital Cidade do México — local onde ocorre o GP do México de Fórmula 1 — tomou o lugar do Autódromo de Puebla e vai hospedar a terceira corrida de 2022, após as duas primeiras em Diriyah, na Arábia Saudita.

México continua no calendário da Fórmula E, mas sai de Puebla para a capital Cidade do México (Foto: Fórmula E)

Vale destacar que em 2021, a Fórmula E foi a Puebla pois o Autódromo Hermanos Rodríguez serviu de hospital de campanha para casos de contaminação por Covid-19.

Desta forma, a ordem das etapas será a seguinte [em negrito, os locais que vão receber rodadas duplas]: Diriyah, Cidade do México, Roma, Mônaco, Berlim, Jacarta, Vancouver, Nova York, Londres e Seul.

Equipes e Pilotos

Duas tradicionais montadoras do cenário mundial do automobilismo resolveram deixar a Fórmula E ao final da última temporada: Audi e BMW. No caso da primeira, a empresa possuía uma escuderia própria no grid, que foi desmanchada com a saída — assim, a temporada 2021/2022 terá 11 times, um a menos do que em 2021.

A BMW, por sua vez, ocupava o posto de fornecedora da Andretti. Para 2022, a montadora alemã confirmou que apesar da saída, vai cumprir a tarefa de fornecer o sistema de transmissão para a equipe. A Audi possui acordo parecido com a Envision para essa temporada.

Apenas cinco equipes do grid permanecem com as mesmas duplas titulares para 2022: Robin Frijns e Nick Cassidy na Envision, Nyck De Vries e Stoffel Vandoorne na Mercedes, Mitch Evans e Sam Bird na Jaguar, António Félix da Costa e Jean-Éric Vergne na DS Techeetah e por fim, André Lotterer e Pascal Wehrlein na Porsche.

Sérgio Sette Câmara fará sua segunda temporada completa pela Dragon e terá companhia de Giovinazzi em 2022 (Foto: Reprodução/Shiv Gohil)

Entre as novidades, Oliver Rowland deixou a Nissan para fechar com a Mahindra em substituição a Alex Lynn, que priorizou a disputa do IMSA, e formará dupla com o remanescente Alexander Sims. Para o lugar de Rowland, a Nissan trouxe Maximilian Günther, que disputou a última temporada pela Andretti e agora formará dupla com o ex-F1 Sébastien Buemi.

Com um assento vago na Andretti, a equipe trouxe o campeão de 2019 da Indy Lights, Oliver Askew, para fechar a dupla com o britânico Jake Dennis. Askew será o primeiro norte-americano a disputar uma temporada completa da Fórmula E na história.

Com a saída da Audi do grid, o brasileiro Lucas Di Grassi precisou encontrar uma nova oportunidade na categoria. E ela veio em forma de convite da Venturi, equipe monegasca que conseguiu colocar Edoardo Mortara na briga pelo título mundial da última temporada — terminou em segundo, atrás do campeão Nyck De Vries — e chamou o campeão de 2016/2017 para substituir Norman Nato. O suíço segue para 2022.

Campeão da Fórmula E em 2016/2017, Lucas Di Grassi assinou com a Venturi após saída da Audi (Foto: Fórmula E)

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A Dragon, que sofreu para encontrar um parceiro para Sérgio Sette Câmara em 2021, parece ter se encontrado neste ano. Após ter Nico Müller — que deixou a equipe depois de sete etapas para focar na disputa do DTM — e Joel Eriksson como companheiros para o brasileiro no ano passado, a equipe norte-americana fechou com o ex-F1 Antonio Giovinazzi, que deixou a Alfa Romeo no final da última temporada.

Por fim, o britânico Tom Blomqvist anunciou que não retornaria para a temporada 2021/2022 por seus compromissos no IMSA, o que abriu as portas da NIO para a chegada do compatriota Dan Ticktum — que competiu na Fórmula 2 em 2021. O piloto será companheiro de equipe de Oliver Turvey em 2022.

A oitava temporada da Fórmula E começa com direito a rodada dupla, em duas corridas válidas pelo ePrix de Diriyah, na Arábia Saudita, em 28 e 29 de janeiro. A categoria terá transmissão exclusiva na TV aberta por parte da Cultura, e na grade de televisão fechada será responsabilidade dos canais SporTV.

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