Andretti lidera, Penske fica fora do Fast Nine e Alonso larga em 26º na Indy 500

O americano comandou uma quadra da equipe da família, puxando um domínio completo da Honda no dia 1 da classificação das 500 Milhas de Indianápolis. Rinus VeeKay vai ser o único representante da Chevrolet no Fast Nine. Tony Kanaan larga em 23º e Helio Castroneves sai de 28º

A tendência dos treinos livres foi seguida no primeiro dia da classificação das 500 Milhas de Indianápolis. Neste sábado (15), só deu Honda, aliás, deu domínio completo da Andretti, com a Penske sofrendo muito e perdendo o Fast Nine e Fernando Alonso se posicionando no fundo do grid de largada.

E quem puxou uma impressionante quadra da equipe foi Marco Andretti. O americano surpreendeu e virou 2min35s608 no somatório de suas quatro voltas. Na sequência vieram Ryan Hunter-Reay, Alexander Rossi e James Hinchcliffe. Outros quatro carros da Honda vão brigar pela pole neste domingo: Scott Dixon, da Ganassi, Álex Palou, da Dale Coyne, e Graham Rahal e Takuma Sato, da RLL.

O único carro da Chevrolet na disputa pela pole vai ser a Carpenter do novato Rinus VeeKay, que andou bem forte para se colocar com a sexta marca. De resto, nada. Nem a poderosa Penske conseguiu algo e vai largar com Josef Newgarden em 13º, Will Power em 22º, Simon Pagenaud em 25º e Helio Castroneves na 28ª colocação.

Fernando Alonso e a McLaren sofreram com a falta de potência da Chevrolet, mas o motor não foi o único problema. O espanhol, que bateu forte no TL2, ficou bem atrás dos companheiros de equipe e, assim, larga de 26º na prova do próximo domingo. Tony Kanaan e a Foyt também não foram bem e o brasileiro sairá de 23º.

O domingo será de definição da pole da Indy 500 2020 no Fast Nine, a partir das 14h15 (em Brasília).

Marco Andretti foi o melhor do dia 1 da classificação da Indy 500 (Foto: IndyCar)

Saiba como foi o primeiro dia de classificação em Indianápolis

O início da definição do grid de largada das 500 Milhas de Indianápolis se deu pontualmente às 12h (em Brasília). A temperatura estava em 26ºC, nada muito acima do que se veria em maio, por exemplo. O sistema do sábado seria o seguinte: os 33 pilotos teriam uma tentativa de quatro voltas garantida, definida por ordem de sorteio. Depois, quem precisasse poderia voltar ao traçado para melhorar sua marca até 17h50. Em um ano sem Bump Day, o foco estava nos nove que se garantiriam no Fast Nine, a decisão da pole de domingo.

As RLL que deram abertura aos trabalhos. Graham Rahal foi para a pista e somou 2min35s964, uma marca que não era das piores, especialmente se tratando de alguém que pegou a pista totalmente sem aderência. Takuma Sato saiu na sequência e andou muito próximo do companheiro. No fim, 0s020 de vantagem para Graham, algo impressionantemente pequeno em um universo de quatro giros.

A primeira Chevrolet na pista foi Dalton Kellett, com a Foyt. E o resultado foi muito ruim: 2min37s288. Veio, então, a surpresa do início dos trabalhos: Rinus VeeKay mostrou que a Chevrolet, ou melhor, a Carpenter tinha potencial para até brigar pela pole e virou 2min35s767 mesmo quase que sem experiência alguma em ovais.

Takuma Sato e a RLL foram bem na classificação (Foto: Indycar)

Jack Harvey, que vinha bem na temporada nos mistos e sofrendo nos ovais, seguiu na mesma toada. Não rendeu bem e apenas se colocou na frente de Kellett, mas com cara de que aquele tempo não iria além do top-25. O primeiro grande favorito a partir para a pista foi Scott Dixon. O neozelandês cumpriu o que se esperava dele e andou bem rápido, mas perdeu um pouco de ritmo na quarta volta e, assim, ficou no detalhe atrás da Carpenter de VeeKay: 2min35s781.

Na sequência veio Spencer Pigot, que sempre teve boas performances em Indianápolis. Mais uma vez, o americano andou de forma decente, mas o que mais impressionou foi a proximidade entre as RLL: Spencer ficou imediatamente atrás de Rahal e Sato. Aí foi a vez de Pato O’Ward mostrar que o sucesso de VeeKay era basicamente da Carpenter e não da Chevrolet. O mexicano da McLaren foi mais lento que Pigot, na frente de Harvey.

A sequência reservava momentos importantes: duas Penske, equipe poderosa e que tanto sofreu nos treinos livres. Mais uma vez, sem surpresas, afinal, o time realmente comprovou que estava perdido. Josef Newgarden foi um pouco melhor que Will Power, mas nada muito grandioso. O’Ward e Harvey ficaram entre os dois, mas ambos atrás das RLL.

Alexander Rossi foi um dos destaques do dia 1 (Foto: Indycar)

Sage Karam era um dos favoritos ao bump, caso ele existisse em 2020. É que, além dos problemas da Chevrolet, a DRR teve um pré-Indy 500 ainda mais complicado que o normal. Resultado: último lugar, 1s3 atrás de Kellett. A conversa pelas primeiras posições parecia que ficaria mesmo com as Honda – especialmente Andretti e Ganassi – e, quem sabe, as Carpenter, pela Chevrolet. Aí veio Alexander Rossi, mudando a brincadeira de patamar, virando 2min35s664 e assumindo a liderança provisória.

O momento mais aguardado do dia chegou: Fernando Alonso foi para sua tentativa 1. E o que se viu foi algo próximo da Fast Friday, com o carro rendendo pouco, pouquíssimo. A impressão que dava era de que o espanhol havia mesmo se complicado bem no acidente do TL2 e o tempo realmente foi ruim, atrás até de Kellett, melhor apenas que Karam com 2min37s365. Chegou Ryan Hunter-Reay logo depois e a Andretti voltou a mostrar muita força. O americano teve três voltas acima das 231 mp/h e tirou Rossi da ponta com 2min35s622.

Só que nem mesmo os foguetes da Andretti ajudaram Zach Veach, que voltou a andar muito atrás dos companheiros. O americano fez só a nona marca parcial, atrás, por exemplo, do trio da RLL. A segunda Ganassi a tentar seu tempo foi a de Marcus Ericsson, que não conseguiu impressionar muito, mas fechou entre Pigot e Newgarden, em um oitavo lugar provisório.

FERNANDO ALONSO; INDY; INDY 500; MCLAREN
Fernando Alonso vai remar do fundo na Indy 500 2020 (Foto: IndyCar)

A última das McLaren na primeira tentativa foi a de Oliver Askew, que não foi exatamente impressionante. Na realidade, o americano até deu uma melhorada no final, mas foi mais lento que O’Ward: 13º até então. Felix Rosenqvist, logo depois, também não fez grandes coisas, apesar do bom ritmo da Ganassi. A impressão era de que a pista estava piorando e o sueco se colocou em décimo.

Um dos maiores especialistas em poles em Indianápolis, Ed Carpenter começou com tudo, mas foi perdendo 1 mp/h a cada volta e despencou para 14º, bem longe de VeeKay e atrás até de outras Chevrolet como Newgarden. Era hora, então, de James Hinchcliffe mostrar que a pista não tinha piorado tanto assim e estabelecer um belo top-3 da Andretti, coladinho em Rossi.

Chegou a vez de Ben Hanley e o potencial de ser desclassificado da corrida por falta de velocidade ficou claro. Muito, muito atrás dos outros, o inglês da DragonSpeed somou 2min42s936, 4s4 mais lento que Karam. Outro que teve um péssimo desempenho foi James Davison, mas esse tinha carro e só despencou ali da segunda para a terceira volta porque errou: 20º parcial para ele.

Álex Palou andou bem forte em sua classificação de novato na Indy 500 (Foto: Indycar)

A sequência veio com três pilotos que pareciam apostas promissoras. A Dale Coyne deve ter ficado com sentimentos mistos, afinal, o novato Álex Palou andou muito e se colocou na sexta colocação, mesmo perdendo ritmo no fim. Só que Santino Ferrucci não impressionou e ficou em um bem modesto 14º lugar.

Outro que, de certa forma, decepcionou foi Conor Daly, que deixou a Carpenter ali em 16º, ao menos um pouco mais rápido que o companheiro e dono da equipe, que já recuava para 18º. Sofrendo com a Foyt e a Chevrolet, Charlie Kimball se colocou entre Davison e Karam, um desempenho sofrível.

A sequência que veio depois mostrou perfeitamente dois retratos de gigantes na classificação: a Penske sofrível e a Andretti voando. Simon Pagenaud quase ficou atrás de Alonso, se colocou em 22º, mais lento até que Kellett. Chegou, então, Marco Andretti e: 1-2-3-4 formado para a Andretti, com o filho e o neto das lendas se pondo em primeiro: 2min35s608.

Tony Kanaan fez o possível, mas não conseguiu bom ritmo com a Foyt. O brasileiro fez a melhor marca do time, mas não mais que a 22ª colocação. Uma das principais decepções das primeiras tentativas foi Colton Herta. O jovem piloto não chegou para completar o 1-2-3-4-5 da Andretti, longe disso, se enfiando no meio das RLL, em décimo.

O trio que faltava na primeira parte do dia inicial da classificação não foi nada bem. Max Chilton andou bem mais lento que Karam e só não ficou na lanterna pela falta de ritmo incrível de Hanley. Aí veio Helio Castroneves, que seguiu o calvário da Penske e se posicionou entre Davison e Kimball. JR Hildebrand fechou a turma de maneira complicada: mais lento até que Karam, escorregando na volta 2, em 31º.

Seriam, então, cerca de 3 horas para todo mundo que quisesse tentar melhorar suas marcas. Após a primeira tentativa de cada um, oito Honda e uma única Chevrolet na zona do Fast Nine: Andretti, Hunter-Reay, Rossi, Hinch, VeeKay, Dixon, Palou, Rahal e Sato.

Scott Dixon entrou no top-5 ali no final (Foto: Indycar)

Dixon, Newgarden, Harvey, Power e Veach tentaram, mas não trocaram suas marcas originais, ficando com o que tinham. Sem Bump Day, a teoria era que todo mundo realmente optasse pela fila tradicional e não a preferencial, que abre mão da primeira tentativa. Ericsson, já com 150 minutos para o fim, melhorou bem e saltou para décimo, quase tirando Sato do Fast Nine.

Depois de uma primeira tentativa bastante frustrante, Carpenter conseguiu dar uma melhoradinha, mas nada demuito significativo. O americano subiu para 15º, virando o terceiro melhor da Chevrolet na classificação. Daly também evoluiu um pouco, mas longe da zona do Fast Nine: 17º parcial para ele, quarto melhor da Chevy.

Herta seguia deixando a desejar no sábado. O americano melhorou bem na segunda tentativa, passou muito perto de tirar Sato da zona de classificação, mas a perda de ritmo ali nas últimas duas curvas deixou o americano em décimo, enquanto os companheiros de Andretti dominavam o top-4. Logo atrás, porém, mudança: Dixon foi bem e conseguiu passar VeeKay, colando nos rivais, em quinto.

Dali para frente foi basicamente uma sequência de pilotos que não conseguiam melhorar suas voltas e desistiam antes mesmo do final. A exceção ali foi O’Ward, que ao menos cresceu para a 15ª colocação. E foi só, nada mais aconteceu, com oito Honda e a Chevrolet de VeeKay disputando a pole.

Indy 2020, 500 Milhas de Indianápolis, Classificação, Dia 1:

FNM ANDRETTIAndretti Honda2:35.608 
FNR HUNTER-REAYAndretti Honda2:35.622+0.014
FNA ROSSIAndretti Honda2:35.664+0.056
FNJ HINCHCLIFFEAndretti Honda2:35.713+0.105
FNS DIXONGanassi Honda2:35.740+0.132
FNR VEEKAYCarpenter Chevrolet2:35.767+0.159
FNA PALOUDale Coyne Honda2:35.821+0.213
FNG RAHALRLL Honda2:35.964+0.356
FNT SATORLL Honda2:35.984+0.376
10C HERTAAndretti Honda2:35.996+0.388
11M ERICSSONGanassi Honda2:36.137+0.529
12S PIGOTRLL Honda2:36.156+0.548
13J NEWGARDENPenske Chevrolet2:36.320+0.712
14F ROSENQVISTGanassi Honda2:36.349+0.741
15P O’WARDMcLaren Chevrolet2:36.377+0.769
16E CARPENTERCarpenter Chevrolet2:36.378+0.770
17Z VEACHAndretti Honda2:36.548+0.940
18C DALYCarpenter Chevrolet2:36.553+0.945
19S FERRUCCIDale Coyne Honda2:36.574+0.966
20J HARVEYMeyer Shank Honda2:36.616+1.008
21O ASKEWMcLaren Chevrolet2:36.685+1.077
22W POWERPenske Chevrolet2:36.725+1.117
23T KANAANFoyt Chevrolet2:37.099+1.491
24D KELLETTFoyt Chevrolet2:37.288+1.680
25S PAGENAUDPenske Chevrolet2:37.318+1.710
26F ALONSOMcLaren Chevrolet2:37.365+1.757
27J DAVISONDale Coyne Honda2:37.379+1.771
28H CASTRONEVESPenske Chevrolet2:37.637+2.029
29C KIMBALLFoyt Chevrolet2:38.063+2.455
30M CHILTONCarlin Chevrolet2:38.379+2.771
31S KARAMDRR Chevrolet2:38.521+2.913
32J HILDEBRANDDRR Chevrolet2:39.052+3.444
33B HANLEYDragonSpeed Chevrolet2:41.495+5.887
Paddockast #74 | A INDY 500 MAIS DECISIVA DOS ÚLTIMOS TEMPOS
Ouça também: PODCASTS APPLE | ANDROID | PLAYERFM

GOSTA DO CONTEÚDO DO GRANDE PRÊMIO?

Você que acompanha nosso trabalho sabe que temos uma equipe grande que produz conteúdo diário e pensa em inovações constantemente. Mesmo durante os tempos de pandemia, nossa preocupação era levar a você atrações novas. Foi assim que criamos uma série de programas em vídeo, ao vivo e inéditos, para se juntar a notícias em primeira-mão, reportagens especiais, seções exclusivas, análises e comentários de especialistas.

Nosso jornalismo sempre foi independente. E precisamos do seu apoio para seguirmos em frente e oferecer o que temos de melhor: nossa credibilidade e qualidade. Seja qual o valor, tenha certeza: é muito importante. Nós retribuímos com benefícios e experiências exclusivas.

Assim, faça parte do GP: você pode apoiar sendo assinante ou tornar-se membro da GPTV, nosso canal no YouTube

Saiba como ajudar