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Classificação cheia de zebras torna GP do Alabama dos mais imprevisíveis dos últimos tempos

A Indy teve uma classificação completamente aleatória em Barber. Sem a concorrência de Penske ou Andretti na fase que definiu a pole, a RLL garantiu 1-2 no grid de uma corrida que promete ser uma das mais imprevisíveis dos últimos tempos

Grande Prêmio / GABRIEL CURTY, de São Paulo
O sábado (6) viu uma das classificações mais esquisitas dos últimos anos na Indy. Não teve chuva, não teve nem bandeira vermelha, talvez até esteja aí uma das explicações: a definição da pole no Alabama teve circunstâncias muito mais normais do que todos estavam esperando.
 
O clima era de apreensão especialmente por dois fatores: o primeiro era a chuva, que prometia cair de forma torrencial desde os treinos livres e, até agora, ficou só no cheiro. O outro era o péssimo rendimento dos pneus macios, o que fez com que muitos chegassem até a cogitar classificar com pneus duros, algo totalmente fora da realidade de qualquer pista.
 
Chegou a hora da classificação e o céu estava aberto, mas com uma temperatura mais amena que nas demais sessões. O resultado foi um rendimento normal dos dois tipos de pneus, ou seja, com os macios virando a opção adequada e a classificação virando uma sessão nada parecida com as outras três anteriores.
Takuma Sato larga na pole pela oitava vez na carreira (Foto: IndyCar)
E foi aí que a RLL surgiu meio que do nada. Tudo bem que Takuma Sato até tinha feito treinos livres decentes, mas o japonês apareceu para a pole e, de quebra, puxou junto Graham Rahal, que estava apagadíssimo, para o segundo lugar no grid. Uma dobradinha completamente inusitada para a RLL.
 
"Todo o crédito vai para o time. Isso é um sonho se tornando realidade. Esse time trabalha muito forte, é certo que tem sorte às vezes, mas hoje conseguimos fazer tudo certo, isso foi tudo por esforço deles. Estou muito feliz. Os pneus duros e macios estavam com desempenhos parecidos ontem. Mas, hoje, os macios estavam claramente mais rápidos. Tentei utilizar os duros no Fast Six, tentei ir mais rápido, mas o macio era claramente melhor. No fim, estou feliz com a minha volta", disse Takuma, resumindo a surpresa com o resultado e, também, a aventura que foi descobrir a estratégia certa para a definição do grid.
 
Com os dois carros da RLL nas primeiras posições do grid e, principalmente, com Penske e Andretti jogadas para o meio do grid, a corrida em Barber tem tudo para ser das mais imprevisíveis dos últimos tempos na Indy, sem uma ordem de forças propriamente definida, mas com a Honda, ao menos em volta rápida, se mostrando melhor que a Chevrolet.
Graham Rahal sai em segundo (Foto: IndyCar)
O Alabama costuma dar corrida boa, a chuva segue sendo uma ameaça real, mas a RLL sabe da oportunidade que tem pela frente. A equipe não esconde de ninguém o desejo de ser a quarta grande do grid, não mede esforços e investimentos para isso e, assim, uma vitória ou até uma dobradinha em Birmingham seriam o cenário ideal de afirmação.
 
"Fomos melhores em tudo. Talvez ainda falte algo no primeiro setor, mas isso é na minha conta. O pessoal fez um trabalho absurdo hoje. A gente teve uma manhã com tempo alto, posição final ruim e preso na brita, aí, de repente, aparecemos em segundo. Alguém imaginava isso? Acho que não. Temos tudo para ser consistentes, estou bem animado. Tivemos boas corridas no passado, mas nada perto de largar nessas posições. Foi um dia muito forte para nós", comentou Graham, piloto e filho do dono do time.

Se a aposta na RLL não parece ser a mais segura, tem um Scott Dixon na terceira posição do grid com toda cara de quem vai ter uma corrida ao seu estilo. Se a promessa é de muita ultrapassagem e confusão, ninguém melhor que o neozelandês para escapar disso tudo. Melhor ainda em uma boa posição de largada.
Scott Dixon é um dos favoritos (Foto: IndyCar)
"Foi ok, mas a gente sempre quer o primeiro lugar, considerando o que a gente tinha. A equipe mexeu bastante no carro depois dos treinos livres e conseguimos ajustar bastante várias coisas que a gente sentia que estava errada. Saindo de terceiro, eu acho que podemos vencer. A Honda foi muito bem, espero buscar essa vitória", comentou Dixon.
 
E se a previsão pra corrida é de muita disputa e até certo caos, o oposto de Dixon é Alexander Rossi, outro bom nome para se acompanhar em Barber. Partindo de um modesto oitavo lugar, o americano tem o arrojo necessário para escalar o pelotão sem perder muito tempo.
 
"A equipe fez um trabalho interessante. Acho que estávamos muito bem de pneus duros, mas os macios melhoraram e ficamos para trás. É frustrante sair de oitavo e ser o melhor da equipe nessa posição, mas vamos tentar ir para frente amanhã", explicou Rossi.
Alexander Rossi pode aprontar saindo do meio do grid (Foto: IndyCar)
Quando o assunto é Alabama, Newgarden é referência total. Vencedor de três das últimas quatro provas em Barber, o americano da Penske tem um domínio na pista que nenhum outro piloto do grid tem em outro circuito do calendário. Só que a equipe parece estar perdida e Josef sai apenas de 16º no grid, tendo tarefa dura pela frente para se recuperar.
 
"Tiramos o que dava para tirar do carro, mas não foi suficiente para ir para a segunda fase. Estamos naquela fase de tentar entender o que aconteceu, mas não tínhamos uma boa velocidade. Confio plenamente na Penske e sei que vamos reagir. Por isso somos um grande time. Vamos trabalhar duro para ficar prontos para amanhã", afirmou Newgarden.
Josef Newgarden terá uma dura tarefa para seguir vencendo no Alabama (Foto: IndyCar)
Para a Foyt, em um dia que a Chevrolet foi amplamente dominada pela Honda, o resultado não foi o pior dos últimos tempos. O time, inclusive, parece ter melhorado um pouco e ficou ali no meio do pelotão, largando com Matheus Leist em 15º e Tony Kanaan em 19º.
 
"Acho que tivemos uma boa classificação. Ficamos em oitavo no grupo, dá para se animar para a corrida. Começamos lá atrás o final de semana e progredimos. Temos ainda o warm-up antes da corrida e vamos atrás de um bom trabalho aqui", disse Leist.
 
"Os problemas seguem. Estamos tentando melhorar. Foi uma corrida muito difícil aqui ano passado, mas o pelotão estava bem mais próximo hoje e sentimos que ficamos mais próximos de todo mundo. Só que isso não refletiu na nossa posição de largada, temos muito a trabalhar para amanhã", falou Kanaan.