Nova procissão mostra que Phoenix não tem salvação, mas gera preocupação com kits universais para Indy 500

Faltou muita coisa no GP de Phoenix que abriu a temporada da Indy em pistas ovais. É uma constante na pista forjada no meio do deserto, algo que, após três anos com diferentes esquemas de kits aerodinâmicos deixou claro que a pista não tem salvação. Mas há uma preocupação sobre o que os novos carros podem fazer em pistas ovais, especialmente com Indianápolis como próxima parada

google_ad_client = “ca-pub-6830925722933424”;
google_ad_slot = “2258117790”;
google_ad_width = 300;
google_ad_height = 600;

Foi um porre. Não há outra maneira de colocar o que foi a cerca de hora e meia que o grid da Indy rodou nos cerca de 1,7 km do oval de Phoenix na noite deste sábado (7). As ultrapassagens foram raríssimas, quase que um achado arqueológico, especialmente desanimador após a abundância mostrada em São Petersburgo. Um problema não dos carros, mas deste oval onde sempre acontece muito pouco.

 
Desde que a pista do Arizona foi encaixada entre as primeiras corridas do calendário da Indy, em 2016, a categoria teve a briga dos kits aerodinâmicos de Chevrolet e Honda, teve um congelamento dos kits de ambas e agora teve kits universais em uma nova geração de bólidos. De onde a conclusão que ascende é que o problema está na pista, não apenas nos carros.
 
Ser o primeiro oval da temporada carrega uma certa responsabilidade extra. Quem gosta muito de oval [e são muitos, sobretudo nos Estados Unidos] acompanha batendo os dentes a primeira etapa do ano em pistas assim. Até 2015 não havia outra antes das 500 Milhas de Indianápolis, o que pode até não ser ruim do ponto de vista do público, mas é ruim esportivamente. Equipes e pilotos preferem, compreensivelmente, um teste de ritmo real de corrida em oval antes do Brickyard.
 
O mínimo que se espera, então, é que o primeiro circuito escolhido anime os fãs de pistas ovais para que eles não abandonem o campeonato para o resto do ano. Precisa ser divertido, precisa movimentar, ter brigas. E Phoenix não é. Esse problema é da pista, algo que a Indy precisa resolver. Os números brutos vão indicar 98 ultrapassagens, um número baixo para ovais mas alto para Phoenix comparado aos últimos anos. Entretanto, grande parte desse número foi construído na reta final da prova conforme os pneus se desgastavam. E o desgaste foi alto, algo que as equipes saberão controlar melhor daqui por diante.
O pódio em Phoenix (Foto: Indycar)

google_ad_client = “ca-pub-6830925722933424”;
google_ad_slot = “2258117790”;
google_ad_width = 300;
google_ad_height = 600;

Há uma outra questão pensando nos carros. Em circuitos de rua já ficou claro que a nova geração da Indy é voraz – será assim também nos circuitos mistos. Mas a estreia em ovais deixa uma interrogação muito grande que agora será resolvida apenas em aproximadamente sete semanas, quando a categoria largar para as 500 Milhas. Até lá, a grande questão vai permear a categoria: os novos kits aerodinâmicos universais podem promover bons pegas nos ovais?

 
No oásis de ação que era a corrida, Alexander Rossi se apresentou como uma feliz exceção à regra após se ver uma volta atrás do líder. O novo piloto do #27 quase levantou voo, começou a fazer ultrapassagens loucamente e quase assumir uma identidade secreta num mundo paralelo ao que era o GP de Phoenix. Foi Rossi o piloto que tomou como responsabilidade própria o divertimento na pista desértica.

Além, claro, de Josef Newgarden nas voltas finais. Depois de um fim de semana morno, Newgarden foi crescendo durante a corrida mesmo que sem partir para o ataque. Era como o falcão do deserto ou uma ave de rapina qualquer à espreita do momento exato. E tal momento veio depois da última relagarda, quando o atual campeão tinha pneus mais novos que os de Robert Wickens, então líder. A ultrapassagens foi não apenas uma raridade, mas muito bonita e deu início a uma arrancada da vitória.

 
Se na pista pouco acontecia, no pit-lane as movimentações foram diversas. Sébastien Bourdais precisou ser arrastado de volta antes da largada porque tinha problemas e teve a corrida comprometida. O próprio Bourdais acabou atropelando um dos mecânicos da Dale Coyne na primeira parada para troca de pneus, algo parecido ao que acontece com Rossi. Matheus Leist foi outro que teve problemas quando um dos pneus escapou e ele quase rodou. Os primeiros colocados Simon Pagenaud e Will Power sumiram da frente após parar para reabastecimento no começo da corrida. As situações foram várias. Lá, sim, foi animado.
Josef Newgarden (Foto: Indycar)

google_ad_client = “ca-pub-6830925722933424”;
google_ad_slot = “2258117790”;
google_ad_width = 300;
google_ad_height = 600;

A bela manobra final, um golpe letal de um piloto que pode ser uma metralhadora e um ninja em semanas consecutivas, ficou até encoberta nos muitos elogios que o campeão de 2017 teceu à Penske. Nem Newgarden esperava vencer, claramente não pensou que tinha condições para tanto. Mas, no fim das contas, deu tudo certo ao atender ordens dadas pelo time.

 
"Foi uma vitória de equipe, eu não acho que fiz nada hoje. Eles acertaram nos pit-stops e na estratégia, esses caras são incríveis. Esforço de equipe. Eu nem sabia se eles tinham tomado a decisão certa, mas acertaram. É muito bom para todos nós colocar o carro no Victory Lane. Grande noite para a Penske", disse.
 
"Eu fui paciente a noite toda. Tive alguma dificuldade com equilíbrio em alguns momentos, mas os engenheiros fizeram um grande trabalho dando conta disso. A forma de ser agressivo era no final, antes eu estava tentando entender o que Wickens estava fazendo. Fiquei meio nervoso de ir para a linha de cima na curva um, não queria cometer um erro, mas tive que fazer. Funcionou perfeitamente. Mas foi tudo o time Penske que fez.
 
No caminho para o título, a primeira vitória foi fundamental. "Consegui essa hoje. Tínhamos um ótimo carro, mas eu não sabia se dava para vencer a corrida hoje. Eu senti que dava para chegar ao pódio [no máximo], mas isso provavelmente era da minha parte, porque eu não estava conseguindo lidar com o equilíbrio corretamente. E vencer numa noite como essa mostra a força da equipe. Vamos ficar bem em 2018", encerrou.
Robert Wickens (Foto: Indycar)

google_ad_client = “ca-pub-6830925722933424”;
google_ad_slot = “5708856992”;
google_ad_width = 336;
google_ad_height = 280;

Mesmo após ter deixado a vitória escapar por tão pouco e bem no final, Wickens não parecia nada abatido. Muito pelo contrário, aliás. O canadense estreou pela Indy num oval e, segundo ele mesmo, ficaria feliz em terminar todas as voltas da corrida. Fez muito mais que isso, liderou 44 voltas e foi ao pódio. 

 
"Para ser honesto, não esperava isso hoje. Depois das últimas trocas nos boxes eu achei que ia ser atropelado – porque o desgaste pneus foi bem maior do que as pessoas achavam que seria. Então ser segundo foi muito bom. Parabéns para a equipe", contou.
 
"A noite toda me faltou bravura ou confiança para tentar a linha de cima, então resolvi ficar mais abaixo, deixar que ele [Newgarden] subisse e tentei defender o melhor que eu podia, mas ele tinha pneus mais novos", seguiu.
 
O novo piloto da Schmidt Peterson disse que tinha boa expectativa sobre o que poderia fazer desde a sexta-feira. "A classificação me deu esperança e depois o último treino livre, onde tivemos uma bela simulação de corrida. Começamos muito bem [a corrida] e, depois que tudo se assentou, vimos que nosso ritmo era bem forte. Naquela última relargada eu fiquei pensando 'Meu Deus, o que vai acontecer aqui?', mas foi mais ou menos isso", falou.
Alexander Rossi e Michael Andretti (Foto: Indycar)

google_ad_client = “ca-pub-6830925722933424”;
google_ad_slot = “5708856992”;
google_ad_width = 336;
google_ad_height = 280;

Já o terceiro colocado, Rossi, lamentou o incidente no pit-lane que tanto atrasou o #27. O piloto da Andretti caiu para uma volta atrás do líder e teve de se recuperar na pista, sozinho, algo que conseguiu num momento em que era o mais rápido da pista por larga margem. Nesse panorama, o terceiro lugar ficou de bom grado.

 
"Largamos bem, mas tivemos um problema na primeira parada. Foi uma infelicidade. Os mecânicos estão bem, essa é sempre a sua primeira preocupação. Eu não ataquei o box, era uma parada em amarela, nem precisava. Virei para a direita para alinha o carro [no pit], mas o carro foi reto. E não ganhamos a bandeira amarela que precisávamos, então tivemos que voltar para a volta do líder sozinhos. Conseguimos e éramos de longe o carro mais rápido. Merecíamos ganhar, mas ainda não foi hoje. Estou feliz no pódio", disse.
 
Rossi reconheceu o momento para atacar e controlar os pneus como poucos na pista. Nada por acaso, segundo ele. "Fizemos disso [o reconhecimento do desgaste de pneus] uma prioridade. Olhamos muito para isso especialmente ontem à noite. Quando a gente vai para uma corrida nunca sabe como essas coisas vão se desenvolver, mesmo sendo um tema tão sensível. Mas o foco foi tão forte que executamos nosso plano. E foi fundamental, porque sem isso não teríamos buscado esse resultado."
 
Por fim, Rossi creditou à Andretti e sua equipe pessoal a sequência de dez corridas no top-10 da classificação, algo que vem desde o ano passado. A simplicidade é a chave. 
 
"Todo o time foca nas coisas básicas. Antes nós tentávamos ser mais espertos e acabávamos tendo problemas, então passamos a focar no básico. Esses caras [os mecânicos] são responsáveis pela minha classificação no campeonato, são incríveis. Temos que continuar assim e, com sorte, iremos manter em Long Beach na semana que vem", encerrou o segundo colocado do campeonato, apenas cinco pontos atrás de Newgarden.
Tony Kanaan (Foto: Indy)

google_ad_client = “ca-pub-6830925722933424”;
google_ad_slot = “2258117790”;
google_ad_width = 300;
google_ad_height = 600;

Tony Kanaan faz uma temporada de pé no chão com a Foyt. Um dos nomes da reconstrução da equipe, o brasileiro veterano sabe que não vai ser de uma hora para a outra que o time vai crescer. Hoje, aliás, a Foyt errou feio nos boxes e tirou Matheus Leist da corrida.

 
Com Tony, no entanto, o time não cometeu grandes erros. Uma pilotagem segura do baiano fez com que o tão sonhado top-10 deste início de ano aparecesse em Phoenix, sua grande pista do calendário.
 
"Foi uma grande evolução do time. Nossa meta era terminar no top-10 e, hoje, deu certo. Tivemos nossas dificuldades, ainda faltam coisas para acertarmos, mas estamos fazendo uma coisa de cada vez. Acho que tivemos um ótimo final de semana. Ficamos no top-6 o tempo todo, estou feliz com o progresso, mas ainda há muito trabalho pela frente", disse.
 
Leist teve uma jornada bem mais complicada, especialmente quando ficou sem uma roda ao sair dos boxes. No entanto, o gaúcho ainda está naquela fase em que cada volta completada é um novo aprendizado na Indy.
 
"Meu primeiro oval, minha primeira corrida completa, então eu aprendi bastante coisa. Consegui muitas ultrapassagens, isso foi bom, já que nem todo mundo estava conseguindo isso. Senti-me fisicamente bem no carro, não estou nada cansado. Mas hoje não foi nosso dia, não foi meu dia, mas quero agradecer o time. Acho que tinha um carro para fechar no top-7. Vamos para Long Beach agora", explicou.
 
Outro que ainda está dando seus primeiros passos na Indy é Pietro Fittipaldi. O brasileiro da Dale Coyne também não teve uma jornada feliz. Quando andava em 12º, perdeu o controle do carro e foi parar no muro. O piloto explicou que foi pego de surpresa pelas condições que encontrou na pista.
 
"Estávamos bem na prova, mas eu encontrei um grupo de carros na minha frente e perdi o controle ali. Era muita turbulência, não estava esperando isso e aí, de repente, perdi o carro. Quando você vai para a parte suja, não tem volta, vai direto no muro", comentou.

A Indy volta já na semana que vem, em Long Beach.

CEDO DEMAIS?

ALONSO ENTRA NO ‘MODO EMPOLGOU’ ANTES DO TEMPO

.embed-container { position: relative; padding-bottom: 56.25%; height: 0; overflow: hidden; max-width: 100%; } .embed-container iframe, .embed-container object, .embed-container embed { position: absolute; top: 0; left: 0; width: 100%; height: 100%; }

GOSTA DO CONTEÚDO DO GRANDE PRÊMIO?

Você que acompanha nosso trabalho sabe que temos uma equipe grande que produz conteúdo diário e pensa em inovações constantemente. Mesmo durante os tempos de pandemia, nossa preocupação era levar a você atrações novas. Foi assim que criamos uma série de programas em vídeo, ao vivo e inéditos, para se juntar a notícias em primeira-mão, reportagens especiais, seções exclusivas, análises e comentários de especialistas.

Nosso jornalismo sempre foi independente. E precisamos do seu apoio para seguirmos em frente e oferecer o que temos de melhor: nossa credibilidade e qualidade. Seja qual o valor, tenha certeza: é muito importante. Nós retribuímos com benefícios e experiências exclusivas.

Assim, faça parte do GP: você pode apoiar sendo assinante ou tornar-se membro da GPTV, nosso canal no YouTube