Aprilia tem excesso de paciência com Iannone e colhe frutos em 2020: último lugar

A lealdade admirável ao italiano trouxe problemas grandes para a casa de Noale. Sem resultados, previsão de melhora e rejeitada por seus interesses, precisa correr contra o tempo caso queira sair de uma vez da última posição da MotoGP

A Aprilia se mostrou uma das equipes mais fieis a seus pilotos na temporada 2020 da MotoGP. O grande exemplo foi o grande apoio demonstrado a Andrea Iannone em seu caso de dopping, bradando a inocência do italiano aos quatro ventos, mas a postura cobrou seu preço: a falta de resultados e falta de interesse até de pilotos que não tem vaga para o ano que vem.

O competidor já foi carta fora do baralho muito antes do campeonato dar o pontapé inicial. Por ter sido reprovado no exame feito em novembro de 2019 na Malásia, onde foi detectado o esteroide anabolizante drostanolona em seu corpo, não pode subir na moto em nenhum ponto das 14 etapas do calendário. A decisão, definida em novembro e, portanto, um ano mais tarde, o considerou culpado e impôs um gancho de quatro anos ao piloto.

“Julgamentos devem ser observados e aceitos, mesmo se muitos dos elementos da decisão causem perplexidade, mesmo de um ponto de vista puramente científico. Não nos arrependemos de ficar ao lado de Andrea e, do contrário, continuamos a apoiá-lo”, disse Massimo Rivola, diretor-executivo, à época.

Andrea Iannone, MotoGP 2020, Aprilia
A Aprilia defendeu Iannone no presente e se enrolou no futuro (Foto: Aprilia)

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E se por um lado a paciência com Andrea foi além do limite do aceitável para um time que precisa de resultados, por outro a impaciência com demais pilotos foi enorme nos últimos anos. Em seis anos, contou com nada menos que nove competidores em cima da RS-GP – Stefan Bradl, Michael Laverty, Sam Lowes, Marco Melandri e Aleix Espargaró são apenas alguns dos nomes.

Mas as expectativas para 2020 estavam altas. Após um ano de adaptação na equipe e na categoria, era hora de ver Rivola, ex-Ferrari na Fórmula 1, arregaçando as mangas. Portanto, contava com mais recursos humanos e até mesmo financeiros, o que trouxe grande animação durante as atividades pré-temporada, rendendo diversos elogios de Pol.

Acontece que o campeonato começou, as corridas foram passando e nenhuma mudança foi vista. Foram 14 etapas sem pontuar, seja por pilotos fora do top-15, seja por abandonos, além de uma substituição para as últimas três provas do ano – saiu Bradley Smith para dar espaço para Lorenzo Savadori.

O reflexo veio, obviamente, na tabela de classificação. Não deu para escapar da lanterna da tabela e tanto no Mundial de Construtores quanto de Equipes ocupou a última colocação, posição já costumeira da casa de Noale nos últimos anos.

Nada menos que dez pilotos defenderam a Aprilia nas últimas seis temporadas (Foto: Aprilia)

A insistência em Iannone sem sequer uma previsão de quando a situação do italiano iria ser resolvida jogou extremamente contra a Aprilia. A medida que os meses foram passando, oportunidades foram surgindo: Cal Crutchlow e Andrea Dovizioso surgiram no mercado de pilotos de forma surpreendente, mas o time italiano sequer foi capaz de aproveitar a chance.

Com o encerramento da temporada e a corrida contra o tempo, a escuderia se enrola cada vez mais para definir o futuro ainda bastante sombrio. Já foram três nomes que simplesmente recusaram a vaga ao lado de Aleix: o próprio Crutchlow, Marco Bezzecchi e Joe Roberts, os dois últimos optando por seguir na Moto2.

Mas ao menos é possível contar com a pequena fagulha de esperança que recai no mais velho do clã de Granollers. Partindo para sua quinta temporada usando as cores do time, o espanhol é quem mais conhece a RS-GP e na medida do possível com o equipamento que tinha em mãos, conseguiu os melhores resultados. Regular, a maioria esmagadora das vezes que ficou fora da zona de pontos foi por abandono – foram 24 vezes que não viu a bandeira quadriculada contra quatro que ficou fora dos 15 primeiros.

Aleix Espargaró é quem a mais tempo defende a equipe (Foto: Aprilia)

Ainda, desde 2017, quando passou a correr com a casa de Noale, bateu todos os companheiros que teve. Em 2020 não foi diferente e dos parcos 54 pontos somados pela esquadra, nada menos que 78% foi trazido por Aleix.

A lealdade da Aprilia a Iannone é louvável e algo digno de se admirar. Mas quando a fidelidade passa a atrapalhar o presente e jogar um pano de incerteza para o futuro, é melhor começar a repensar a postura para quem sabe um dia deixar de ser a última do grid.

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