Ducati ‘joga em casa’ na Áustria e enfileira favoritos. E só Quartararo ameaça

Mesmo fora da Itália, a Ducati mostrou mais uma vez que o Red Bull Ring é quase o quintal de Borgo Panigale. A Construtora italiana conseguiu um 1-2-3-4 no grid do GP da Áustria e vai como favorita para pintar o pódio de vermelho. Ainda que o vencedor vista a cor de uma das equipes satélites. Correndo por fora — e sozinho — o líder do campeonato tenta dar combate

BAGNAIA ENGATA BOA SEQUÊNCIA E BOTA PRESSÃO EM CIMA DE QUARTARARO NA MOTOGP

O histórico da Ducati na Áustria fala por si, mas o sábado (20) da MotoGP no Red Bull Ring foi mais uma demonstração de força da marca italiana. Líder do Mundial — com muita folga — do Mundial de Construtores, a casa de Borgo Panigale subiu um paredão no grid austríaco, com Enea Bastianini, Francesco Bagnaia, Jack Miller e Jorge Martín dominando o top-4

Na segunda daquelas que têm sido encaradas como as corridas da vida — afinal, prometem decidir o confronto com Jorge Martín pela vaga de titular da equipe de fábrica em 2023 —, o piloto da Gresini conquistou a primeira pole-position da carreira na MotoGP ao cravar 1min28s772, destronando Francesco Bagnaia por só 0s024. ‘Bestia’ é o sétimo piloto diferente na posição de honra do grid em 2023.

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Enea Bastianini, Francesco Bagnaia e Jack Miller dominaram a primeira fila com a Ducati na Áustria (Foto: Gresini)

“Com certeza, foi um dia incrível”, resumiu Enea. “Fiz uma ótima volta, não perfeita, mas foi o suficiente para a pole-position. Senti falta desta sensação por alguns anos e é ótimo estar de volta a esta situação”, comentou o piloto, que não conseguia uma pole no Mundial de Motovelocidade desde o GP da Catalunha de Moto3 de 2018.

“Estou começando a atuar no meu melhor também aos sábados, mesmo que ainda seja mais um animal de corrida”, assumiu. “Estamos trabalhando da mesma forma que fizemos no início do ano. A atmosfera da equipe é ótima e isso, certamente, ajuda. Vamos começar na frente de todo mundo amanhã e mirar o top”, anunciou.

Além de vencer Martín no confronto direto — como também aconteceu no GP da Grã-Bretanha —, o piloto da equipe chefiada por Nadia Padovani também liderou o quarto treino livre, onde os competidores costumam mostrar um pouco das cartas que têm para a corrida. E Enea tem ritmo para vencer.

Até aqui, o #23 já conquistou três vitórias no ano, uma a menos do que Pecco e o mesmo número de vitórias de Fabio Quartararo. Mas a seca vem desde o GP da França. De lá para cá, a irregularidade foi a marca: foram dois abandonos em Itália e Catalunha, décimo na Alemanha, 11º na Holanda e quarto em Silverstone. É hora de recolocar o campeonato nos eixos até para crescer na classificação.

LADO A LADO
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Fabio Quartararo vai tebta combater o mar vermelho na Áustria (Foto; Yamaha)

Bastianini hoje é o quarto colocado no Mundial, com 118 pontos, 62 a menos que o líder Quartararo. Se ainda sonha em meter o bedelho na briga pelo título, é hora de agir.

“Nas últimas duas ou três corridas antes da pausa de verão, eu não era rápido. Estava um pouco cansado e nervoso, porque tinha cometido erros demais”, admitiu. “Tive que fazer um reset mental para poder voltar mais preparado para esta segunda metade da temporada”, reconheceu.

Vale lembrar que o histórico é mais do que favorável para a Ducati no traçado da Áustria. Das oito corridas disputadas por lá na era da MotoGP, foram seis vitorias da marca: três com Andrea Dovizioso e as outras com Andrea Iannone, Jorge Lorenzo e Jorge Martín.

“Todas as Ducati são muito competitivas e todos queremos vencer”, afirmou. “Além disso, Quartararo tem um ritmo muito bom. E também tem essa nova chicane…”, ponderou.

“Esta corrida vai ser muito diferente da do Catar. Aqui, é difícil escapar desde o início. No meu caso, terei de gerir melhor a primeira parte da corrida para não perder muitas posições”, avaliou. “Seremos muitas Ducati na frente e será importante não lançar ataques demais na primeira volta”, considerou.

Segundo no grid, Bagnaia também saiu muito satisfeito com o desfecho dia e prometeu pagar o jantar da equipe, que se empenhou em arrumar a moto titular após uma queda no quarto treino.

“Estou muito contente”, resumiu Quartararo. “Quero agradecer o trabalho da equipe arrumando a moto depois da queda. Eu não gostava muito da segunda moto, então eles trabalharam muito e muito bem. Vou convidá-los para jantar”, seguiu.

No primeiro stint da classificação, Pecco escapou da pista em todas as voltas, mas, depois, conseguiu acertar a mão até brigar pela pole.

“Na primeira saída, o pneu não foi bem, saí da pista em todas as curvas. Mas com o segundo jogo de pneus, tudo foi perfeito e agora me vejo muito bem para amanhã”, avisou. “O fim de semana me custou muito, mas, no TL4, dei um passo à frente e melhorei. Acho que isso vai nos permitir fazer uma boa corrida”, avaliou.

Vindo de duas vitórias seguidas, Bagnaia conseguiu avançar para a terceira colocação do campeonato, mas ainda tem 49 pontos de atraso para Quartararo na classificação do Mundial. Apesar da força das Ducati na Áustria, Pecco não quer descartar Fabio da briga.

“Fabio mostrou ser muito rápido durante todo o fim de semana, fez um grande trabalho com o pneu usado, então estará na frente lutando conosco”, apostou o italiano, que admitiu que a preocupação é mais caseira. “Desta vez, têm muitos pilotos Ducati que são muito rápidos, então vai ser muito difícil poder vencer amanhã, mas vamos tentar tudo para conseguir”, assegurou.

Líder do campeonato, Fabio Quartararo tem uma ingrata missão. Mesmo tendo exibido um ritmo forte ao longo dos treinos, um dos melhores, aliás, ele tem de combater um exército de Ducati. E sabe muito bem que isso é algo difícil de fazer. Ainda mais partindo do meio da segunda fila, com quatro Desmosedici à frente e mais Johann Zarco diretamente atrás.

“Não estou feliz com a posição no grid, mas o mais importante é que sinto que dei 100% de mim”, disse Fabio. “Naturalmente, você quer estar mais para cima do que na segunda fila quando faz uma das melhores voltas da vida aqui, mas fazer 28 voltas seguidas é uma coisa diferente”, ponderou.

“Claro, sabemos que a corrida de amanhã não será fácil. Precisamos de uma largada perfeita, uma primeira volta perfeita e fazer um bom trabalho conservando os pneus. Aí vamos ver o que acontece”, considerou. “Vai ser duro, mas vamos lutar pelo melhor resultado possível, sem mirar um algo específico”, encerrou.

A largada do GP da Áustria de MotoGP, no Red Bull Ring, está marcada para às 9h (de Brasília). O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do Mundial de Motovelocidade 2022.

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