Ducati vê falta de punição aos pilotos da Yamaha como “precedente perigoso”

Diretor-esportivo disse que a Ducati não vai contestar a decisão da FIM (Federação Internacional de Motociclismo), mas deixou claro que a pena aplicada à Yamaha pelo descumprimento do regulamento pode criar problemas futuros

Diretor-esportivo da Ducati, Paolo Ciabatti acredita que o fato de os pilotos terem escapado ilesos de uma infração cometida pela Yamaha com os motores da YZR-M1 cria um “precedente perigoso” na MotoGP. A montadora dos três diapasões perdeu pontos nos Mundiais de Construtores e Equipes por utilizar um motor irregular no GP da Espanha, abertura da temporada.

Na quinta-feira (5), a FIM (Federação Internacional de Motociclismo) anunciou a remoção de 50 pontos da Yamaha no Mundial de Construtores, 20 no Mundial de Equipes e outros 37 da pontuação da satélite SRT por uma irregularidade com o motor da YZR-M1. A pontuação dos pilotos, contudo, não foi modificada.

A punição à casa de Iwata é resultado de uma infração ao Artigo 3.5.5 do regulamento do Mundial, uma vez que a Yamaha desrespeitou o protocolo que obriga a obtenção de aprovação unânime da MSMA (Associação das Fábricas de Motocicletas Esportivas) para fazer mudanças no motor.

Paolo Ciabatti disse que a Ducati não vai contestar a decisão da FIM (Foto: Ducati)

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A entidade máxima do esporte, porém, não detalhou o que aconteceu. Sabe-se, porém, que a infração se deu nas válvulas dos motores montados na YZR-M1 na primeira corrida do ano, o GP da Espanha. Os pontos perdidos se referem à vitória de Quartararo, o segundo lugar de Maverick Viñales e o quinto de Franco Morbidelli em Jerez de la Frontera ― Valentino Rossi abandonou a primeira corrida por conta de uma quebra. A SRT perdeu, também, o ponto somado por Franco Morbidelli no GP da Estíria, quando usou o mesmo propulsor da abertura do campeonato nos treinos livres e classificação, mas não na corrida.

“Acho que os comissários da FIM pensaram que foi um erro da Yamaha e tomaram essa decisão, que vamos aceitar, pois ninguém vai reclamar”, confirmou Ciabatti à emissora italiana Sky Italia. “É um precedente um pouco perigoso, no entanto, pois os pilotos, ainda que não seja culpa deles, correram com motos irregulares”, observou.

“Abriram um precedente que pode ser arriscado no futuro, porque aí você entra numa área de erros cometidos em boa fé ou involuntariamente e outros tipos de avaliações que podem possivelmente criar problemas no futuro em termos de regulamento”, insistiu. “Mas dissemos que aceitaríamos essa decisão, então não faremos nenhum protesto”, assegurou.

Chefe da Suzuki, Davide Brivio considerou que é uma situação complicada, especialmente porque estender a punição aos pilotos alteraria a briga pelo título de 2020. Joan Mir é o líder da classificação, com 14 pontos de vantagem para Quartararo.

“Respeitamos a situação. É uma situação difícil”, disse Brivio em entrevista ao serviço de streaming da MotoGP, “O que quer que você faça nessas circunstâncias, levando em conta o que aconteceu, colocaria uma sombra em cima do campeonato. Se você penalizar os pilotos, então quem quer que seja que vença ― não sendo eles ―, poderão dizer: ‘Ah, isso foi por causa da desclassificação’”, ponderou.

“Com essa sentença, pode colocar uma sombra no campeonato deles, porque eles somaram muitos pontos, grandes pontos, em uma corrida onde o motor, ao que parece, não estava regular”, apontou. “É uma decisão difícil. Do nosso lado, respeitamos a decisão, estamos felizes em lutar na pista e gosto da situação em que a posição dos pilotos permanece a mesma, pois não coloca nenhuma sombra. Se vencermos ou perdermos, gostamos de fazer isso na pista”, concluiu.

Yamaha nega má fé e fala em erro na interpretação do regulamento

Em nota enviada à imprensa, a fábrica de Iwata alegou que “um descuido interno e um entendimento incorreto” do regulamento levaram à infração.

“Devido a um descuido interno e um entendimento incorreto do atual regulamento, a Yamaha omitiu a notificação prévia e a obtenção de aprovação da MSMA para usar válvulas de dois fabricantes”, explicou. “A Yamaha gostaria de esclarecer que não houve malícia no uso de válvulas de dois fornecedores diferentes que foram fabricadas seguindo uma especificação de projeto comum”, reforçou.

“Depois da sanção aplicada pela FIM na quinta-feira, 5 de novembro, a Yamaha segue plenamente comprometida em apoiar seus pilotos na MotoGP e os dois times na busca pelo título. Vai ser necessário um esforço extraordinário para ainda competir pelo título de 2020 do Mundial de Construtores e pelos troféus do Mundial de Pilotos”, completou.

Marc Márquez ironiza falta de punição aos pilotos da Yamaha

Campeão vigente da MotoGP, Marc Márquez não engoliu o fato de a FIM não ter estendido a punição ao Mundial de Pilotos. A Yamaha tem três representantes no top-4 da classificação: Fabio Quartararo é o segundo, à frente de Maverick Viñales e Franco Morbidelli.

Pelas redes sociais, o piloto da Honda, que segue afastando em recuperação após fraturar o braço direito no início do ano, ironizou a falta de sanção aos pilotos.

“Agora parece que os pilotos não se beneficiam das vantagens mecânicas”, escreveu. “Tenso”, completou.

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