Gancho de 4 anos coloca ponto final na carreira de talentoso e polêmico Iannone

A decisão do Tribunal Arbitral do Esporte de aumentar a suspensão por doping de 18 meses para 4 anos marca o fim da trajetória do italiano de Vasto no motociclismo

A carreira de Andrea Iannone no motociclismo profissional parece ter chegado ao fim. Nesta terça-feira (10), o Tribunal Arbitral do Esporte anunciou a decisão de aumentar o gancho por doping dos 18 meses impostos pela FIM (Federação Internacional de Motociclismo) para os quatro anos pedidos pela WADA (Agência Mundial Antidoping).

De acordo com o tribunal suíço, Iannone não conseguiu provar a tese de contaminação alimentar, já que não soube identificar o tipo e nem tampouco a origem da carne que alega ter sido a fonte da drostanolona encontrada no exame de urina. O TAS diz, no entanto, que isso não significa que Andrea tenha usado a droga de propósito, mas o código antidoping prevê que é responsabilidade do atleta comprovar a falta de intenção. Como ele não conseguiu, a opção é sempre pela pena máxima.

Assim, Andrea está suspenso até 17 de dezembro de 2023. É claro que ninguém pode dizer que ele nunca mais voltará às pistas, mas não é uma aposta no escuro dizer que a carreira na MotoGP acabou. Até agora, a Aprilia estava esperando pelo retorno de Iannone, mas a fé da casa de Noale tinha data para acabar: 2020. Ainda que a marca tenha enviado uma nota à imprensa após o anúncio da pena reiterando a confiança na inocência do piloto de 30 anos.

Andrea Iannone vai precisar arranjar outra ocupação (Foto: Reprodução)

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Válido dizer, aliás, que a equipe comandada por Massimo Rivola foi gentil até aqui. A Aprilia não só acreditou na inocência do piloto, como permaneceu ao lado dele o tempo todo, confiante de que ele poderia ser liberado no julgamento e reassumir a vaga ao lado de Aleix Espargaró. Agora que sabe que isso não vai acontecer, os italianos terão de ir em busca de um substituto.

A Iannone, não resta muito mais o que fazer. O Tribunal Arbitral do Esporte era a última alternativa do italiano para tentar voltar às pistas. Agora, pelo menos nos próximos quatro anos, Andrea terá de encontrar uma nova profissão.

Dono de uma vitória e oito pódios na MotoGP, Iannone nunca teve um talento chamativo como o de Marc Márquez, mas tampouco era um piloto ruim. Prova disso é que, antes da Aprilia, defendeu os times de fábrica de Ducati e Suzuki.

Andrea, contudo, nunca escapou muito de polêmicas. Já durante a suspensão, o italiano se deu crédito pela evolução da RS-GP, o que irritou Aleix Espargaró. Em fevereiro, antes de ser julgado pela Corte Disciplinar Internacional da FIM, Iannone foi com a namorada em um bar de Milão, o The Doping Club.

Em 2018, quando defendia a Suzuki, o italiano causou polêmica ao questionar o profissionalismo da equipe. Não à toa, não durou muito mais lá depois disso. Em 2016, o auge da excentricidade: o italiano destruiu o vidro traseiro de um Porsche Cayenne a marteladas. Motivo? Trancou o carro com a chave dentro. E ainda acabou com a mão machucada.

No mesmo dia, aliás, o piloto fez postagens nas redes sociais mostrando que guiava o Porsche em alta velocidade e sem cinto de segurança.

Do mesmo jeito que talento não faltou, juízo também não esteve em abundância. Ainda assim, é triste ver a carreira de Iannone chegar ao fim deste jeito. É claro que o esporte limpo é sempre uma prioridade. É claro que doping é intolerável. Mas entristece mesmo assim.

Com a Aprilia, a carreira de Iannone já estava em baixa. Afinal, a própria equipe parece ter um apego extremo pela lanterna da MotoGP. Mas o fim da linha podia ter sido mais digno.

Andrea alega contaminação acidental, mas, pela regra, caberia a ele provar a teoria. E ele não o fez. E, mesmo que tivesse feito, não seria um passe livre de sanção. Anthony West, por exemplo, encarou um gancho de dois anos mesmo levando à audiência um ‘amigo’ que admitiu ter colocado cocaína na bebida à revelia do australiano. Em pese ser reincidente, o piloto encarou uma pena pesada.

Iannone buscou o TAS na crença de se livrar de uma suspensão de 18 meses, mas acabou com um prejuízo muito maior. Nada garante que o gancho da FIM se sustentaria sem o recurso do piloto, mas, como a WADA também recorreu, não é difícil imaginar que a pena seria aumentada ainda assim.

Com ou sem intenção de doping, o fato é que Iannone foi flagrado com uma substância que tem efeitos de emagrecimento. E ele mesmo alardeou ter perdido 7 kg naquela época.

Inocente ou não, Iannone se despediu da MotoGP sem pompa e sem circunstância.

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