KTM sofre com novos pneus e desmancha evolução obtida em 2020 após quatro etapas

A KTM foi uma das grandes surpresas de 2020, ao lado da parceira Tech3, com três vitórias e diversos pódios. Em 2021, porém, a montadora austríaca sofre com os pneus mais macios da Michelin e enfrenta dificuldades para repetir o mesmo desempenho com as quatro motos que possui no grid

Jack Miller celebrou a vitória com os integrantes da Ducati (Vídeo: MotoGP)

A temporada 2020 da MotoGP nos ofereceu grandes histórias em meio a uma pandemia que afetou calendário, equipes e pilotos. A evolução da KTM foi, com certeza, um dos momentos que mais vamos lembrar com carinho. Até então, o time de fábrica só tinha conquistado um pódio, em 2018, mas no ano passado alcançou seis pódios e um vitória, com Brad Binder, no GP da Tchéquia. Isso sem contar os triunfos de Miguel Oliveira com a Tech3, equipe satélite que se juntou à montadora austríaca recentemente.

O conto de fadas da KTM, no entanto, durou pouco. Em apenas quatro corridas da temporada 2021, Brad Binder foi o único que conseguiu colocar a montadora no top-10, duas vezes, nos GPs de Doha e Portugal, respectivamente. Pouco, muito pouco mesmo, para quem encantou os espectadores da MotoGP no ano passado. A situação é tão ruim que o nome de Dani Pedrosa, piloto de teste, é especulado para correr no GP da Catalunha, mesmo ausente do grid desde 2018.

Com isso, o time de fábrica da KTM ocupa a oitava posição no campeonato, enquanto foi terceiro em 2020. A Tech3 é a lanterna do pelotão. No Mundial de Construtores, a montadora austríaca amarga a última posição, atrás mesmo da sempre instável Aprilia. Um resultado desastroso para quem esperava brigar pelo topo da tabela em 2021.

A KTM passa longe dos brilhos alcançados no ano passado (Foto: KTM)

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O primeiro ponto de sofrimento é simples: os novos compostos da Michelin para a temporada 2021. Os pneus mais macios na frente não combinam com o estilo da moto, nem mesmo da pilotagem dos quatro pilotos, fazendo com que eles não ataquem devidamente as curvas. Com isso, há uma notável perda de tempo por volta.

Mas com a escolha de pneus para o ano todo já feita pela Michelin, reclamar da borracha não vai adiantar muito e nem retomar o rendimento perdido. O desempenho está ali, é questão de adaptação às mudanças do regulamento, como fez Binder em Doha e Portugal, quando chegou em 8º e 5º, respectivamente. A dor maior é por saber que meses atrás, no mesmo circuito português, a KTM dominou com Miguel Oliveira e venceu de ponta a ponta.

O português, aliás, ainda sofre com a moto do time de fábrica. Promovido para este ano, consegue desempenho decente nos treinos, mas deixa tudo se perder nas corridas, especialmente com quedas. Por isso, após quatro etapas conseguiu apenas 9 pontos e amarga uma péssima 17ª posição no campeonato.

Após os testes em Jerez, Oliveira e Binder tantaram passaram declarações otimistas. A KTM experimentou novidades no chassi e na parte eletrônica, além de monitorar a situação dos pneus. Apesar disso, o português foi o 7º mais veloz, 0s6 atrás do líder Maverick Viñales, enquanto o sul-africano ficou no modesto 11º posto.

Danilo Petrucci e a Tech3 sofrem bastante no início de ano (Foto: KTM)

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Na Tech3, a situação também não é das mais fáceis. Confiar em Iker Lecuona nunca pareceu o objetivo do time, tanto que a KTM já assinou com Remy Gardner para 2022 e ainda analisa o veloz Raúl Fernández, ambos da Moto2. Seguir insistindo no erro não parece uma opção no time de Hervé Poncharal.

Para 2021, a Tech3 optou por trazer o experiente Danilo Petrucci. Após anos na Ducati, inclusive com vitórias, a expectativa era de manter o alto nível da equipe, mas o italiano é o mais alto e mais pesado piloto a andar no modelo RC16. Com isso, enfrenta dificuldades para se adaptar e ainda oferece algumas dores de cabeça para os engenheiros.

Enquanto os austríacos sofrem para fazer a moto voltar ao nível encontrado no ano passado, com pódios e vitórias, as rivais passam com tudo. Yamaha e Ducati se alternam no pódio, a Honda mantém um padrão intermediário mesmo com a volta de Marc Márquez e a Aprilia alcança melhores posições. Só a KTM parece ter voltado uma casa nesse jogo de peças complexas e que muda a todo instante.

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