Pol Espargaró escancara frustração após quatro GPs e se mostra perdido na Honda

Após o GP de Portugal, o catalão reclamou por não ter a mesma moto dos colegas, o que o impede de fazer comparativos. Catalão destacou que a HRC trabalha de uma maneira diferente das equipes por onde passou

Pol Espargaró sofreu uma queda similar a de Marc Márquez (Vídeo: MotoGP)

Pol Espargaró precisou de apenas quatro corridas para mostrar frustração com o trabalho na Honda. Depois do GP da Espanha, o catalão reclamou publicamente por não ter o mesmo material de trabalho que os colegas de marca e se mostrou ligeiramente perdido a bordo da RC213V.

Nas quatro primeiras corridas da carreira com a marca da asa dourada, Pol tem um 12º lugar como melhor resultado de largada, enquanto que em corridas esteve duas vezes no top-10: oitavo no GP do Catar e décimo no GP da Espanha. O irmão de Aleix abandonou a corrida de Portugal e foi 13º em Doha.

Pol Espargaró se disse perdido após o GP da Espanha (Foto: Repsol)

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Na oitava temporada na classe rainha do Mundial de Motovelocidade, Pol passou três anos correndo com a Yamaha dentro da Tech3 e foi titular da equipe de fábrica da KTM por quatro anos.

Ano passado, antes mesmo do começo da disputa, o caçula dos Espargaró foi contratado pelo time comandado por Alberto Puig para substituir Álex Márquez, que foi enviado para a satélite LCR. O que Pol não sabia à época é que a KTM daria um salto de qualidade, garantindo vitórias em três das 14 corridas de 2020.

Vestir o uniforme da Honda era um sonho. Afinal, trata-se de uma das mais vitoriosas marcas da MotoGP. Desde as primeiras declarações, Pol falou com animação sobre a possibilidade de defender a marca fundada por Soichiro Honda e se mostrou ansioso pelo confronto com Marc Márquez.

Até aqui, porém, não dá para dizer muito sobre o embate entre Pol e Marc. No fim das contas, o hexacampeão que está na pista não é exatamente o #93 que nos acostumamos a ver, já que ele ainda se recupera da fratura no braço que o manteve nove meses afastado.

Após a passagem por Jerez, porém, ficou claro que a relação de Pol com a Honda não está lá essas coisas. O piloto se queixou por não ter o mesmo pacote dos demais pilotos, o que o impede de comparar sua performance com os irmãos Márquez e também com Takaaki Nakagami. O irmão de Aleix, inclusive, se mostrou bastante perdido.

“Não tenho nem ideia do que está acontecendo, não sei se sou eu, a moto ou o pacote que estamos usando. Cada piloto usou coisas diferentes e, para mim, que estou aprendendo, me custa saber o que funciona e o que não”, disse Pol. “Estou um pouco perdido e, sem poder me comparar com os outros pilotos, não sei no que posso melhorar”, seguiu.

O catalão destacou que o sistema de trabalho da Honda é “diferente do que eu estava acostumado”.

“As sensações de ontem [domingo] foram boas, mas, quando eu tenho um problema, eu gosto de saber o motivo e o que acontece, e tenho a impressão de que eu não sei o que está acontecendo”, relatou. “Fico muito frustrado por não saber [no dia do teste] o que eu tenho que melhorar. Sou o único que está usando o pacote que tenho agora e não tenho ninguém com quem comparar. Se não entendemos o problema, é difícil poder solucionar”, justificou.

“Não sou eu que decido a moto que devo usar, nem é meu papel decidir. É a fábrica que tem de decidir. Eu sou um empregado da Honda. Eles têm de me dizer qual moto devo usar e eu tenho de render com ela. Amanhã é um novo dia. Vou começar com toda a vontade do mundo e vou fazer meu trabalho, sendo proativo e tratando de melhorar o grupo. E, acima de tudo, tratando de ser mais rápido a cada fim de semana”, frisou. “Como piloto dela que sou, vou testar o que a Honda pedir. Vou tentar ser proativo e tratar de estar à altura como piloto oficial da Honda”, finalizou.

Durante o teste de segunda-feira, contudo, Pol ficou mais satisfeito, já que a Honda o manteve ocupado na atividade de Jerez. O piloto da moto #44 avaliou que ficou mais perto de Nakagami, a melhor Honda do fim de semana.

Por enquanto, é cedo para dizer que o sonho do mais novo dos irmãos de Granollers com a Honda virou um pesadelo, mas é justo dizer que tampouco é o mar de rosas que ele parecia esperar.

Nos últimos anos, especialmente com a passagem de Jorge Lorenzo pela equipe e também pela ausência de Marc Márquez, ficou claro que a RC213V é uma moto um tanto manhosa, que não atende as vontades de todo mundo. Talvez Pol tenha subestimado o desafio. Talvez seja só cedo demais para se desesperar.

É compreensível que Espargaró esperasse mais do início da trajetória dele com a Honda. É normal até que ele se sinta perdido depois destas quatro corridas. Mas, por enquanto, não dá para dizer que ele errou ao trocar de endereço.

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