Novo diretor-executivo vê Aprilia “melhor que KTM” e espera que pilotos “metam gol” como Maradona

Novo diretor-executivo, Massimo Rivola avaliou que a Aprilia quer voltar aos áureos tempos e brigar pelo título da MotoGP. Ex-Ferrari, o dirigente afirmou que a casa de Noale é melhor que a KTM e afirmou que Aleix Espargaró e Andrea Iannone serão como Maradona, com a responsabilidade de dar assistência e ‘meter gol’

Massimo Rivola chega à Aprilia com altas expectativas. Depois de 21 temporadas na F1, o italiano foi anunciado como diretor-executivo da casa de Noale no mês passado e fala abertamente em colocar a fábrica italiana na briga pelo título da MotoGP.
 
A Aprilia tem uma história vitoriosa nas classes menores, mas nunca conseguiu fazer frente às gigantes japonesas na classe rainha do Mundial de Motovelocidade. Desde que voltou ao Mundial, em 2014, o time italiano teve uma série de pilotos diferentes, mas jamais se consolidou entre os ponteiros.
 
Atualmente, a Aprilia tem na menos experiente KTM sua principal rival na MotoGP, mas já começa 2019 em desvantagem, já que a fábrica austríaca conseguiu seu primeiro pódio no GP da Comunidade Valenciana do ano passado.
 
Agora, o ex-diretor-esportivo da Ferrari entra em cena para tentar acelerar o desenvolvimento da RS-GP.
Massimo Rivola vai assumir o posto de diretor-executivo da Aprilia (Foto: Aprilia)
“No princípio, a minha atenção será focada no esporte a motor. Faz 21 anos que estou no mundo das corridas e me escolheram por isso”, disse Rivola em entrevista ao jornal italiano ‘La Gazzetta dello Sport’. “A Aprilia tem um peso em cima, a necessidade de ser competitiva, também no quesito produto. Esse é o objetivo do Grupo Piaggio, em termos de imagem e de know how”, continuou.
 
Mesmo recém-chegado ao time de Noale, Rivola já conseguiu tirar suas primeiras conclusões.
 
“Em curto prazo, só nos falta um bom resultado, mas, se ele chegar, teremos um acompanhamento maior dos patrocinadores, mais credibilidade, mais força de marca”, ponderou. “Na Aprilia, eu encontrei paixão, o desejo de voltar a ser a casa que ganhou 54 mundiais. Esse retorno é esperado até entre os fãs”, destacou.
 
Rivola também contou como foi sua aproximação com a Aprilia. O italiano foi procurado direto por Roberto Colaninno, o diretor-executivo do Grupo Piaggio, que é dono da Aprilia.
 
“No fim de outubro, meu celular tocou com um número desconhecido. Normalmente, eu nunca atendo, mas atendi. Do outro lado, escutei: ‘Sou Colaninno. Quero te ver’”, relatou. “No início, pensei que fosse uma piada e estava pronto para dizer: ‘Sim, ok, e eu sou o Homem-Aranha’”, relatou.
 
“A reunião foi como a de um pai com um filho. Ali eu entendi que era uma coisa importante. As três horas passaram voando como se fossem três minutos”, falou Rivola. “Na volta, eu fiquei pensando que a vida toda eu quis estar na Ferrari, que não podia ir embora agora. Depois tivemos outra reunião e comecei a gostar mais e mais. Quando a notícia veio a público, eu estava em Macau e uma das primeiras pessoas que me ligaram foi Davide Brivio, chefe da Suzuki. ‘Bravo, finalmente você vem com a gente’, ele me disse”, relatou.
 
Questionado sobre suas metas no comando da área esportiva da Aprilia, Rivola respondeu: “Tenho, mas não vou dizer”.
 
“2018 foi um passo em falso no crescimento, mas o Grupo Piaggio investiu, contratou Iannone, um piloto importante, criou uma equipe de testes. São sinais claros de que deseja voltar à ponta”, ponderou. “Nosso orçamento é o menor entre as equipes oficiais da MotoGP, mas posso dizer que a Aprilia é melhor que a KTM”, disparou.
 
Por fim, Massimo falou sobre a dupla do time e ressaltou que tem muitas expectativas em relação ao desempenho de Aleix e Andrea.
 
“Só falei com Andrea e Aleix por telefone, mas logo vou vê-los. Andrea me causou uma boa impressão, notei sua enorme vontade de trabalhar. Como fã, posso dizer que ele me parece um piloto rapidíssimo, tem a volta rápida na mão, uma singularidade. Se tem as condições adequadas, consegue fazer a diferença e tirar tudo da equipe”, observou. “Não tenho experiência na gestão de pilotos de motos, mas acho que são ‘animais’ diferentes dos de carro. O importante é fazer com que eles se sintam parte do projeto, fazê-los entender que a fome de vitória, a humildade e o apego podem ser decisivos”, listou.
 
“Nós, a equipe, somos como [Genaro] Gattuso, mas nosso Maradona, de quem se espera que faça a assistência e meta o gol, é o piloto”, concluiu.
 

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