Novo Marc Márquez? Acosta encanta no Catar e ganha protagonismo na Moto3

Aos 16 anos, o espanhol de Múrcia fez história em Losail como o primeiro piloto a largar dos boxes e vencer uma corrida da Moto3. Líder do campeonato, o campeão da Red Bull Rookies Cup virou foco na temporada 2021

Assista aos melhores momentos do GP de Doha de MotoGP (Vídeo: GRANDE PRÊMIO com Reuters)

Não, Pedro Acosta não é novo Marc Márquez. E sabe por quê? Porque não existe ‘novo Marc Márquez’. O piloto da Honda é uma peça singular e não há motivo para ficar rotulando cada novo talento que surge no Mundial de Motovelocidade como herdeiro direto do hexacampeão.

É compreensível, porém, que existam comparações com os feitos. Em 2010, Márquez teve uma atuação épica no GP de Portugal de 125cc, quando largou dos boxes após cair quando voltava ao grid depois de uma paralisação causada pela chuva e ganhou a corrida.

Pedro Acosta venceu na segunda corrida no Mundial de Moto3 (Foto: Ajo)

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A prova vigorosa de Marc no Estoril veio à memória no instante em que Acosta recebeu a bandeirada do GP de Doha à frente de Darryn Binder. É que o piloto nascido em Puerto de Mazarrón, em Múrcia, na Espanha, também tinha iniciado a corrida no pit-lane, mas por causa de uma punição imposta pela FIM (Federação Internacional de Motociclismo) por uma infração cometida nos treinos livres.

Aos 16 anos, Acosta se converteu no primeiro piloto da história a vencer uma corrida na Moto3 largando dos boxes. Um feito e tanto, especialmente levando em conta a competitividade da categoria.

Mas não há motivos para rotular o piloto de 16 anos como o ‘novo Marc Márquez’. Assim como não havia anos atrás razões para dar esta alcunha a Fabio Quartararo. São talentos únicos, com histórias diversas e trajetórias peculiares.

No caso de Pedro, a história no motociclismo começou aos cinco anos, quando o piloto nascido em 25 de maio de 2004 ganhou uma moto do pai. Filho de um pescados e de uma dona de casa, Acosta tem como ídolos Kevin Schwantz e Casey Stoner, dois pilotos que marcaram época no Mundial.

Antes de chegar ao Mundial, Pedro passou pela Cuna de Campeones, pelo Campeonato Espanhol de MiniVelocidade e pela estrutura do CEV (Campeonato Espanhol de Velocidade). O mesmo caminho que vem dando resultados para tantos e tantos pilotos espanhóis nos últimos anos.

Em 2019, Pedro conseguiu vaga na Red Bull Rookies Cup, uma categoria de base que acompanha o Mundial por circuitos europeus, oferecendo equipamentos idênticos aos pilotos. No ano de estreia, o espanhol conseguiu três vitórias e outros dois pódios para fechar o campeonato com o segundo posto, 3 pontos atrás do campeão Carlos Tatay.

Na temporada passada, Pedro somou seis vitórias e outros três pódios para acumular 214 pontos e alcançar o título com 64 pontos de vantagem para David Muñoz, o vice-campeão.

É fato que a Rookies Cup tem sido uma base preparatória importante. Afinal, já passaram por lá nomes como Johann Zarco, Danny Kent, Jorge Martín, Enea Bastianini e Joan Mir, competidores que acabaram campeões em alguma das categorias do Mundial. Sendo assim, não surpreende que o irmão mais novo de Miriam e Maria tenha estreado com força na Moto3.

Apelidado de ‘Tubarão de Mazarrón’ pela equipe de transmissão do serviço de streaming espanhol DAZN, Pedro, que fez a primeira corrida de moto da carreira em 2013, agora tenta manter os pés no chão.

“O mais importante é o trabalho duro, que foi o que me fez chegar até aqui”, disse Acosta em entrevista ao diário espanhol Marca após a vitória em Doha.

Dono de um estilo agressivo e interessado em freadas fortes e curvas lentas, Pedro tem talento e, na equipe de Aki Ajo, tem toda a estrutura necessária para ser bem sucedido no Mundial. O primeiro passo foi bem dado. Se a sequência for no mesmo nível, a Red Bull Rookies Cup pode estar às vésperas de somar mais um campeão.

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