Miller sucumbe à pressão e derrete favoritismo em rodada dupla da MotoGP no Catar

Jack Miller chegou ao Catar, para as duas primeiras etapas do ano na MotoGP, como favorito ao título. Os treinos foram bons, mas as corridas deixaram muito a desejar e ainda mostraram um lado descontrolado do australiano da Ducati

Após sofrer ao longo de 2020, a Ducati fez mudanças para reverter a situação em 2021. A decepcionante temporada fez a montadora italiana mudou a dupla de pilotos e fez alterações na Desmosedici GP21. Encerrados os primeiros testes no Catar, a situação parecia realmente diferente, com Jack Miller despontando como favorito — principalmente com a ausência de Marc Márquez em Losail. O que se viu nas duas primeiras corridas, porém, foi completamente diferente.

Ainda que Miller tenha mostrado bom rendimento nos treinos, as corridas mostraram um lado caótico do piloto australiano, com resultados ruins e situações bizarras no circuito de Losail. Pior que isso: duas derrotas seguidas para a equipe de fábrica da Yamaha em um local que claramente favorece a potência da Ducati.

Miller, o então favorito, não chegou nem a passar como um real nome na disputa pelas vitórias em Losail, mesmo andando bem nos treinos livres em ambos os finais de semana. Na primeira corrida, viu o companheiro Francesco Bagnaia fazer a pole enquanto largou apenas em quinto — na corrida, foi ainda pior e terminou em 9º. No GP de Doha, fez o melhor tempo nos treinos livres, mas largou em 4º e novamente encerrou a prova em 9º. Dois resultados decepcionantes para quem tranquilamente poderia ter saído com 50 pontos no bolso, mas tem apenas 14.

Jack Miller foi bem nos treinos em Losail, mas nas corridas… (Foto: Divulgação/MotoGP)

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Confira a classificação da MotoGP após a etapa de Doha

Pior que isso, o australiano ainda viu a Ducati subir no pódio com dois pilotos em duas ocasiões. No GP do Catar, com Johann Zarco e Bagnaia, enquanto Zarco e Jorge Martín colocaram a Pramac em segundo e terceiro lugares, respectivamente. Desculpas, porém, não faltaram ao longo dos últimos dias para justificar o desempenho ruim.

Após a abertura do calendário, Jack afirmou que um problema o deixou no “purgatório”. Segundo a montadora italiana, um vibração no pneu traseiro atrapalhou o desempenho na corrida e, por isso, o ritmo caiu nas últimas voltas, quando era esperado um aumento de performance.

“Eu estava tentando gerir os pneus no início e não funcionou, então precisamos entender o que estou fazendo, o que os outros estão fazendo. O nono lugar, com certeza, não é o resultado que estávamos esperando, mas ainda são pontos importantes para o campeonato”, declarou o piloto da moto #43 de maneira equilibrada.

Em Doha, o problema foi o psicológico. Apesar do pelotão compacto, Miller nunca esteve em ponto de brigar pela liderança da corrida. Para piorar, na volta 13 foi ultrapassado por um abusado Joan Mir e acabou tocado. No fim do giro, no meio da reta principal, o australiano perdeu a cabeça e simplesmente jogou a moto contra o rival. Um ato que muitos consideraram passível de punição, mas que a direção de prova optou por considerar legal.

“Ele me acertou três vezes na metade da curva. A Suzuki vira bem, mas ele me bateu forte. Eu já estava cansado de tantos toquinhos. Não é nada pessoal, entendo que a Suzuki vira bem e podem se enfiar onde quiserem, mas três toques é demais: na segunda curva no início da corrida, aí na curva 6 e depois na dez. Estava cansado de tanto toque. Nós todos vimos o que aconteceu. Só isso. Se tivessem me dado bandeira preta, teriam se equivocado. Sei o que aconteceu: ele escapou da trajetória e quis voltar, mas ninguém se preocupa muito com o que acontece com os demais”, pontuou após a prova.

Mais do que o toque de Mir, o incidente é fruto de uma certa frustração. Em Losail, a maior parte dos espectadores esperava uma vitória da Ducati em pelo menos um dos finais de semana, mas a Yamaha levou ambos com Maverick Viñales e Fabio Quartararo. Mais do que isso, a Ducati viu a Pramac lidar melhor com o desgaste de pneus do que o time de fábrica.

Jack Miller e Joan Mir se encontraram na reta principal de Losail (Foto: Reprodução/MotoGP)

A Demosedici GP21 possui motor potente para acelerar em longas retas e já provou sua força em voltas rápidas. Além disso, o novo dispositivo auxiliar de largada, que baixa a dianteira da moto, ajudou nas largadas. Mesmo assim, ainda falta em ritmo de corrida e mostra ser um equipamento que não é gentil com os compostos da Michelin. Somado ao estilo agressivo de Jack, vira uma bomba-relógio nas pistas.

Para completar, mais um problema. Durante o GP de Doha, surgiu um incomodo no braço do #43 em que ele relatou não conseguir frear e nem acelerar, sentindo apenas a mão. Mais um detalhe para complicar ainda mais seu início no time principal da Ducati.

É bem verdade que o campeonato é longo, com 19 etapas previstas para 2021, e a MotoGP costuma ser um campeonato mais equilibrado e imprevisto do que outros. Mesmo assim, a rodada dupla de Doha coloca uma grande interrogação sobre Jack Miller e o que ele pode mostrar neste ano. O favoritismo, antes incontestável, já parece um grande equívoco.

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