Pilotos citam “episódio feio” e se preocupam com empregos perdidos com saída da Suzuki

Franco Morbidelli, Maverick Viñales e Jack Miller lamentaram a saída da montadora japonesa da MotoGP e manifestaram preocupação com a recolocação profissional dos funcionários que hoje trabalham na equipe

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O mundo da MotoGP começa aos poucos reagir à notícia da saída da Suzuki da categoria no fim da temporada 2022. Além de lamentarem a ausência de uma equipe competitiva, Franco Morbidelli, Maverick Viñales e Jack Miller manifestaram preocupação com os empregos perdidos no Mundial de Motovelocidade.

No último dia 2, a casa de Hamamatsu pegou pilotos e funcionários de surpresa ao comunicá-los da decisão de encerrar a participação na MotoGP já no fim deste ano. Na esteira do aviso feito ao fim do teste coletivo de Jerez de la Frontera, a Suzuki foi procurada pela Dorna, promotora do campeonato, que lembrou que os termos do contrato assinado ano passado e vigente até 2026 não permite uma decisão unilateral como esta.

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Franco Morbidelli lamentou empregos perdidos com saída da Suzuki (Foto: Divulgação/MotoGP)

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Depois de dias de silêncio, a Suzuki se manifestou na quinta-feira e disse que “discute com a Dorna a possibilidade” de deixar a MotoGP no fim do ano. O comunicado ambíguo encerra em tom de despedida e culpa a “atual situação econômica e a necessidade de concentrar esforços nas grandes mudanças que o mundo automotivo está encarando” pela despedida.

Falando à imprensa em Le Mans, Morbidelli se mostrou incrédulo, também pelo fato de a Suzuki ter um contrato recém-assinado para seguir no Mundial até 2026.

“É sério que o contrato era de cinco anos e já estava assinado? Meu Deus!”, disse Franco. “Pessoalmente, acho que essa notícia não é boa para o esporte, não é positivo que aconteça esse tipo de coisa. Especialmente, é muito feio que tantos profissionais fiquem sem trabalho de um dia para o outro. A Suzuki é uma equipe muito boa, muito forte e dizer que não vai continuar mesmo tendo um contrato é incompreensível. É uma situação muito ruim, um episódio feio”, resumiu.

Além de impactar a vida de tantos profissionais que vão ficar desempregados, a saída da Suzuki também afeta diretamente o mercado de pilotos da MotoGP, já que Joan Mir e Álex Rins estavam prontos para renovar o contrato.

“Esta nova situação vai agitar o mercado, seguramente, porque um piloto campeão do mundo ficou sem moto e outro piloto muito forte da categoria ficou sem moto, portanto isso muda muita coisa”, comentou.

Com contrato com a Yamaha para 2023, Morbidelli reconheceu que um pedaço de papel não dá segurança a ninguém.

“Ninguém, em absoluto, pode ter segurança nenhuma. Quem, hoje em dia, pode ter certeza do que vai se deparar no futuro? Ninguém! Aquele que está tranquilo em relação ao futuro é um estúpido”, disparou. “Contratualmente, eu estou tranquilo. Se falamos em termos de contrato. Mas quem sabe?”, completou.

Atual piloto da Aprilia, Maverick Viñales chegou à MotoGP com a Suzuki em 2015 e conquistou a primeira vitória da carreira na classe rainha com a marca. O espanhol também manifestou tristeza pela saída repentina.

“Honestamente, é uma notícia triste, pois conheço a maioria das pessoas que trabalham lá. Eles são fantásticos e, sinceramente, são como uma família”, disse Viñales. “E provaram que são uma grande equipe. Para mim, é triste que isso tenha acontecido tão rapidamente. Não sei a razão, não acho que saberemos. Mas é triste pelas pessoas que trabalham lá, pois são pessoas que trabalham neste mundo por muitos, muitos anos e há muito tempo”, frisou.

“Eu realmente desejo que eles possam trabalhar e encontrar uma nova estrutura ou o que quer que seja, pois são boas pessoas”, torceu.

Jack Miller considerou que é “estranho” ver a Suzuki deixar a MotoGP em um momento em que tem “sua melhor moto”, mas, assim como os colegas, lamentou pelos funcionários que ficam sem emprego.

“É mais chocante do que qualquer coisa”, resumiu Miller. “É lamentável, ou triste, que uma fábrica que foi campeã mundial há dois anos e parece que fez a melhor moto dela até aqui ― eu e a Suzuki chegamos no campeonato ao mesmo tempo ―, é triste vê-la sair”, seguiu.

“É uma droga pelos pilotos, uma merda”, comentou. “Mas eles são realmente bons pilotos, vão encontrar trabalho. Mas são 45, 50 funcionários que agora precisam encontrar trabalho para alimentar suas famílias. É uma merda lidar com isso. Então o campeonato, nós dependemos de ter fábricas lá. E ter fábricas lá, as três grandes ― Honda, Yamaha e Suzuki ― foi surreal. E ver isso acabar é triste, pois gosto de variedade, gosto de ver motos diferentes sendo parte disso. Com certeza, é uma merda”, concluiu.

A classificação da MotoGP para o GP da França, em Le Mans, sétima etapa da temporada, acontece no sábado, às 9h10 (de Brasília). O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do Mundial de Motovelocidade 2022.

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