Pol Espargaró revela dores intensas, noites de choro e altura reduzida após acidente

De volta ao paddock pela primeira vez desde o acidente que sofreu no primeiro dia da temporada 2023, Pol Espargaró revelou o sofrimento que enfrentou durante o período de recuperação, agradeceu o apoio do Grupo Pierer Mobility e planejou o futuro

Pol Espargaró visitou o paddock da MotoGP neste fim de semana pela primeira vez desde o acidente que sofreu no segundo treino livre para o GP de Portugal, abertura da temporada. O catalão revelou noite em claro, dores na lua, perda de peso e até redução de altura.

O piloto de 31 anos sofreu uma forte queda em Portimão e acabou atingindo o muro. No acidente, fraturou a mandíbula e também algumas vértebras. O #44 planejava voltar à ativa antes das férias da MotoGP, mas acabou barrado pelos médicos.

Pol Espargaró foi recebido com sorrisos no paddock (Foto: GasGas)

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Ainda assim, Pol foi convencido pelo irmão Aleix a visitar o paddock e conversou com a imprensa sobre o período de recuperação. Em relação a queda, o caçula dos Espargaró avaliou que não acredita seja “hora de buscar culpados” e que se vê como “primeiro” responsável, já que caiu.

Ao comentar o período no hospital, Pol revelou que tinha tantas dores que sequer conseguia reconhecer de onde vinha o incomodo.

“Foram enormes altos e baixos, como uma montanha-russa”, disse Pol. “Quando estava no hospital, depois da queda, tinha tantas fraturas no meu corpo que não conseguia sentir qual era mais dolorosa. O nível de dor estava nas nuvens, na lua. Era tanta. E eu estava cheio de analgésicos”, seguiu.

“Mas quando comecei a despertar, podia sentir de onde vinha a dor. E foi duro. Em um momento, a dor vinha da boca, aí do pescoço, das costas, das costelas… Eu estava com tantos problemas no meu corpo que estar nessa situação depois de três meses é um milagre. Fiquei muito satisfeito”, comentou.

O #44 revelou que passou noites em claro, “chorando a noite toda”.

Pol destacou que um dos aspectos mais difíceis da recuperação foi a enorme perda de peso, que o fez ter dificuldade até de se reconhecer diante do espelho. O marido de Carlota Bertran contou que chegou ao peso que tinha “nas 125cc, talvez até um pouco mais leve”.

“Não podia sequer olhar no espelho. Não tinha um corpo ali! Agora estou recuperando tudo — o espírito, a alma. Estou pronto!”, falou.

Como já fez outras vezes, Espargaró assumiu que, em alguns momentos, pensou em encerrar a carreira, mas afirmou que esse desejo “mais ou menos passou”.

“Esses momentos te trazem de volta à realidade. Isso nunca acontece e você nunca pensa nisso, mas, quando acontece, é tipo: ‘Nossa, isso é real’. Então fica sendo real por um pouco mais de tempo do que quando você quebra um dedo, a mão ou o que quer que seja. É meio que: ‘Ok, isso é sério’”, detalhou.

Pol relatou, ainda, as dificuldades causadas pela fratura na mandíbula, que exigiu cirurgia e uma longa recuperação.

“O pior momento foram as quatro semanas que tive depois de sair do hospital. A minha boca estava completamente fechada. Completamente! Não tinha nem 1mm aberto”, falou. “Por quatro semanas, eu não pude comer. Estão estava só tomando sopa e perdendo 2,5 kg por semana”, continuou.

“Estava perdendo 2,5 kg de músculo, não de gordura. Eu não tinha nenhuma gordura no início do ano. E isso é algo que… Você está com muita dor e tudo, mas você olha no espelho e pensa: ‘Vou precisar recuperar tudo isso’. Toda semana você olha e pensa: ‘Quanto eu trabalhei para ganhar 3 kg no inverno, quanto vou precisar trabalhar para ganhar esses 8-9 kg’. Foi uma sensação ruim. E você olha para o espelho, não é o meu rosto, não é o meu corpo. Você não se reconhece no espelho. E isso é duro”, frisou.

A ausência nas pistas ainda é resultado das fraturas que sofreu em três vértebras.

“A três, a seis e a oito. A da seis não foi tão ruim, curou rapidamente, junto com a outra. Mas a 8, ela se partiu em quatro, além de ter perdido um pouco da altura da vértebra. Bom, não um pouco, bastante. Então é por isso que está levando um pouco mais de tempo para curar”, apontou. “Eu poderia pilotar agora com as outras, estão mais duras do que antes, pois o osso cobriu. Mas a outra está levando um pouco mais de tempo”, seguiu.

“Com certeza, eu perdi 1,5 cm [de altura]. Mas, tudo bem, sou casado, tenho duas filhas, não ligo para isso! Mas, com certeza, vai levar mais algumas semanas, duas ou três mais, até que esteja completamente curado”, calculou.

Durante o período, Pol fez tudo que podia para acelerar a recuperação. O catalão chegou a brincar que a câmara hiperbárica “agora parece a minha casa”.

“Passei muitas, muitas horas dentro dessa máquina e de outras máquinas. Em 24h, talvez descansasse por 3 ou 4 horas, sem fazer nada. Pois estou indo de uma para outra! É a hora que ando de carro ou o que quer que seja, em que não posso fazer nada. Mas fiz o máximo de coisas para estar aqui antes das férias de verão, mas não deu”, lamentou. “Mas, de qualquer forma, mesmo depois das férias de verão, os médicos me disseram que levaria mais de seis ou sete meses. Depois das férias, serão quatro. Então eu reduzi uns três meses. Assim, sera incrível”, avaliou.

Pol fez questão de agradecer o apoio da família e a GasGas, que, segundo ele, ofereceu um nível de apoio inimaginável.

“Sou eternamente agradecido”, falou Espargaró em relação ao Pierer Mobility, dono de GasGas, KTM e Husqvarna. “Nunca imaginei que poderiam me apoiar tanto quanto fizeram. Me mandaram, inclusive, um simulador que estavam desenvolvendo para que eu pudesse treinar com os meus dados, com os circuitos que quisesse”, revelou.

Por fim, Pol contou que planeja usar essa pausa de férias como uma espécie de segunda pré-temporada.

“Planejo ir para várias pistas nessas cinco semanas que temos. Tenho a minha supermoto pronta, ainda estou esperando a coluna. Talvez eu peça a RC, a moto de rua que a KTM tem, para fazer umas voltas. Não é uma GasGas, ok, mas acho que vão deixar”, encerrou.

MotoGP volta à pista neste domingo, às 9h (de Brasília) para a largada do GP da Holanda. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do Mundial de Motovelocidade 2023.

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