Gardner ganha chance na MotoGP para consolidar evolução mostrada na Moto2

Depois de anos apagado, Remy Gardner cresceu ao lado da Red Bull KTM Ajo e virou um dos principais pilotos da Moto2 desde 2020. Com isso, lidera o campeonato neste ano e já conquistou uma merecida vaga na MotoGP para 2022. Resta, porém, provar que está cada vez mais maduro no Mundial

Vitória dominante de Oliveira e líder punido: assista aos melhores momentos do GP da Catalunha (GRANDE PRÊMIO com Reuters)

Subir para a MotoGP não é para qualquer um. Ano após ano, cerca de 60 pilotos entre Moto3 e Moto2, brigam por um espaço na classe rainha do Mundial. Para a temporada 2022, Remy Gardner foi um dos poucos escolhidos para estar na festa principal, ganhando uma vaga na Tech3 e a chance de estreitar laços com a KTM.

A escolha de Gardner, se olharmos para a temporada 2021, é incontestável. Em sete etapas da Moto2 até o momento, o australiano da Red Bull KTM Ajo, conquistou duas vitórias — nos GPs da Itália e da Catalunha — e só não chegou no pódio na Espanha, quando terminou no quarto lugar. Com esses resultados, assumiu a liderança sem ser julgado. É, de fato, um dos grandes nomes para subir à MotoGP.

A questão é que nem sempre foi assim para Remy. Filho de Wayne Gardner, campeão mundial das 500cc em 1987, o piloto de 23 anos demorou para desabrochar na carreira e só foi convencer que é capaz de brigar por voos maiores nos últimos três anos.

Gardner já venceu duas vezes na Moto2 em 2021 e lidera o campeonato (Foto: KTM)

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Estreante em 2014, Gardner ficou apenas dois anos na Moto3 e rapidamente subiu para a Moto2, mesmo sem grandes resultados. Na classe intermediária, demorou para deslanchar. Passou o primeiro ano em uma equipe pequena, sem fazer toda a temporada e terminou em 26º. Na conhecida Tech3, evoluiu pouco e seguiu na parte final do pelotão.

Foi só em 2019, quando assumiu a SAG Kalex que as coisas mudaram. No GP da Argentina de 2019, conquistou o primeiro pódio. Apesar disso, foi 15º no campeonato devido a muitos erros e quedas desnecessárias em momentos importantes, como na classificação ou quando estava no top-10 das corridas. A falta de consistência foi sempre a marca negativa do australiano na carreira.

As coisas mudaram de vez para Gardner em 2020. Em um ano complicado, com pandemia e atraso no início da temporada, o piloto teve mais tempo de entender a moto bem preparada pela equipe de Aki Ajo. Não deu outra. Depois de oscilar no início, conquistou quatro pódios, sendo o último deles no GP de Portugal, que fechou a temporada e foi o mais especial. Em Portimão, conqusitou a primeira vitória na carreira.

Remy Gardner acertou para correr com a RC16 no time de Hervé Poncharal (Foto: Tech3)

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Com um bom tutor em casa, Remy ainda pode aprender muito mais ao longo da carreira. A evolução já é notável e o ritmo desempenhado mostra que a sonhada maturidade chegou para o piloto, ainda que muito jovem. É preciso tempo para mostrar que a escolha da KTM foi acertada, é verdade, mas a montadora austríaca parece certa da decisão tomada.

Gardner foi escolhido para um lugar na Tech3, equipe satélite da KTM na MotoGP. Ainda que o time francês sofra em 2021 com Danilo Petrucci e Iker Lecuona, mostrou bom desempenho e conquistou duas vitórias com Miguel Oliveira no ano anterior. O potencial está ali, sim, basta explorar. Com um piloto ‘criado’ pelos austríacos desde a base, talvez seja mais fácil para a equipe de Hervé Poncharal ganhar mais incentivos na classe rainha.

De alguma forma, Gardner precisava entrar na MotoGP de algum jeito. Em um campeonato com poucas vagas e rotativo, estar no topo do motociclismo já o credencia a se destacar e provar seu verdadeiro valor. A grande missão a partir de 2020 é mostrar a todos que a evolução e a maturidade do filho de um campeão mundial não foi fogo de palha e pode se manter por muitos anos. É hora de Remy se consolidar além do rótulo de promessa e virar um nome da elite do esporte.

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