“Visibilidade muito maior”: pilotos acreditam em impacto positivo da vitória de Moreira

Enzo Valentim, Kevin Fontainha, Gustavo Manso e Eduardo Burr acompanharam de longe a vitória de Diogo Moreira no GP da Indonésia de Moto3, mas acreditam que o efeito do resultado do #10 em Mandalika pode se estender a todo o esporte brasileiro

A vitória de Diogo Moreira no GP da Indonésia de Moto3 do último domingo (15) pode ter um impacto positivo em todo o motociclismo brasileiro. É o que acreditam ex-companheiros de equipe e colegas de profissão do titular da MSi.

No fim de semana passado, Moreira se tornou o primeiro brasileiro a vencer no Mundial de Motovelocidade em 18 anos e também o primeiro a subir no topo do pódio da Moto3.

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Quem é Diogo Moreira? Conheça primeiro brasileiro a vencer na Moto3

Kevin Fontainha, Enzo Valentim e Diogo Moreira já foram companheiros de equipe no Brasil (Foto: LzPhotos)

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Campeão da R3 Cup Europeia em 2022, Enzo Valentim foi companheiro de equipe de Moreira em 2016, ainda no Brasil. O brasileiro de 19 anos, que defendeu a equipe MS Racing/AD78 Latin America no Mundial de Supersport 300 neste ano, assistiu ao triunfo de Diogo pelo TV e celebrou o feito, não só pelo resultado, mas pelo esforço de Moreira ao longo da carreira.

“Conheci o Diogo em 2016. Em 2017, ele já começou a carreira internacional dele, e eu sempre acompanhei. Fomos companheiros de equipe em 2016, na equipe do Alex Barros”, recordou Enzo em entrevista ao GRANDE PRÊMIO. “Ter visto ele ganhar essa corrida foi muito bom, não só pelo Brasil, mas também pela história dele. Sei tudo que ele passou de dificuldade morando na Espanha nos primeiros anos, na pandemia, então fiquei muito feliz por ele, pois sei que ele trabalhou muito e a família — não só ele, mas a família — abriu mão de muita coisa para poder estar onde ele está”, ressaltou.

“Acho que essas são as recompensas que Deus dá a gente que luta e busca algo que sonha, então acho que, mais do que ver um brasileiro ganhando no Mundial de MotoGP, na categoria Moto3, que eu sei que é uma categoria muito complicada, não só pelo mérito dele de ter ganhado, mas pela história dele, acho que foi muito bom vê-lo ganhando. Acho que ele merecia isso já faz um tempo”, comentou.

Valentim considera, também, que o feito de Diogo é uma mostra do potencial brasileiro no esporte.

“Ver o Diogo ganhar essa corrida da Moto3 só prova que a gente também é capaz de andar em alto nível”, avaliou. “Isso faz com que eu tenha mais vontade de poder ganhar uma corrida e trabalhar melhor para que a gente consiga mais resultados bons para o Brasil como este”, acrescentou.

Nos últimos anos, a Yamaha tem sido a força motriz por trás do êxodo de pilotos rumo às categorias de base do Mundial de Superbike. Também afetado pelo trabalho idealizado pelo ex-piloto Alan Douglas, Valentim entende que a vitória de Moreira na Indonésia pode ter um efeito ainda mais amplo, ajudando a dar mais visibilidade para o motociclismo.

“Com certeza, é muito importante para o nosso esporte. Durante os últimos anos, a Yamaha, principalmente, tem feito um bom trabalho de poder criar categorias para ajudar pilotos mais novos, e até eu fui um dos que foi ajudado, já que em 2021 participei do Campeonato Brasileiro de R3, da Yamalube R3 bLU cRU Cup, e consegui ir para o Europeu, ser campeão, e hoje estar no Mundial. Agora, para o ano que vem, a Yamaha está criando a R15, então a própria Yamaha está conseguindo aqui no Brasil fazer esse trabalho de aumentar o número de pilotos, e, com certeza, essa vitória do Diogo vai dar uma visibilidade muito maior para o esporte’, avaliou. “E acredito que, além de ser visto com melhores olhos, vai ter mais gente querendo investir, mais gente querendo ser piloto, então, com certeza, vai poder aumentar o esporte no Brasil, o que acho que é muito bom. É um esporte que eu gosto muito, então acho que isso é muito importante para a gente”, completou.

Kevin Fontainha, que também foi companheiro de Diogo em 2016, também celebrou o resultado do #10 na Indonésia.

“Fico muito feliz pelo Diogo. A gente participou da mesma equipe em 2016, então meio que a gente cresceu um pouco junto ali. Em 2022, ele participou da Super Final de Goiânia da R3, e ter contato com ele ali, ele falar que esse ano ia ser melhor, que tinha um equipamento melhor e tinha mais chance, e ver agora que ele ganhou a primeira corrida no Mundial de Motovelocidade me deixa muito feliz por ele”, falou Fontainha ao GP. “Sei um pouco do que ele passou, não sei 100%, mas fico muito feliz de ter contato, de ter participado de uma equipe junto com ele e ver onde ele chegou agora”, continuou.

Questionado sobre o significado de uma vitória de alguém que trilha um caminho como o dele, Fontainha citou não só a trajetória de Diogo, mas a dele próprio e também a de Humberto Maier, que conseguiu três pódios este ano no Mundial de Supersport 300, como exemplos de que tudo é possível.

“Para mim, significa que nada é impossível. Já considero isso pela minha própria história, mas vendo o Diogo, vendo o Turquinho, outros pilotos conquistando muitas coisas, e eu também, isso só mostra que nada é impossível”, ressaltou. “Nós saindo do Brasil, com uma moeda desvalorizada, com dificuldade de conseguir apoio, fico muito feliz de ver que o Diogo conquistou essa primeira vitória de muitas dele. E fico muito contente, porque é mais uma história para o Brasil. A gente vem fazendo história no Mundial de Supersport, e ele vai fazendo história na MotoGP. E, no ano que vem, vai estar na Moto2, então fico muito feliz dele estar dando passos cada vez mais importantes e fazendo história para o Brasil”, ressaltou.

Gustavo Manso e Kevin Fontainha fazem parte do esquadrão brasileiro nas classes de base do WSBK (Foto: LzPhotos)

Campeão da R3 Cup South America no ano passado, Gustavo Manso destacou que os brasileiros estão construindo um legado no exterior.

“Foi muito satisfatório ver um piloto que começou no mesmo campeonato que eu conquistar a pole e a primeira vitória em um campeonato mundial”, disse Manso ao GRANDE PRÊMIO. “Cada vez mais, estamos deixando um legado dos brasileiros na motovelocidade internacional”, ponderou.

O piloto de 18 anos, que fechou a temporada da R3 Cup Europeia com a quinta colocação no campeonato, também enxerga na vitória de Diogo um sinal de que tudo é possível.

“Significa que também posso chegar. Claro que com muito esforço, mas não é algo impossível. Só temos que escolher os caminhos certos”, defendeu Manso. “Agora estamos mostrando para o mundo que os pilotos brasileiros são tão bons quanto os da Espanha, Itália e de outros países”, continuou.

“Essa vitória começa a mostrar que o trabalho que fazemos aqui está no caminho certo e, com isso, conseguimos atrair pessoas pra incentivar os novos piloto e valorizar a motovelocidade no Brasil”, completou.

Sétimo colocado na R3 Cup Europeia em 203, Eduardo Burr, de só 17 anos, vê o triunfo de Moreira como inspiração.

“Eu acompanho o Diogo desde que comecei a correr de moto, em 2016”, contou Burr ao GP. “Então, para mim, é uma grande inspiração e acredito que para maioria dos pilotos brasileiros”, continuou.

“Eu tive a oportunidade de correr com ele em Goiânia na Super Final da R3 Cup, e é uma grande satisfação poder ter tido essa experiência”, recordou.

Burr avaliou que o resultado obtido pelo conterrâneo em Mandalika pode ter um impacto positivo no esporte.

“Acho que pode gerar interesse, sim. Eu pelo menos acredito que pode gerar visibilidade”, apontou. “Por que quem não gosta de ver o Brasil vencer, né? Ainda mais lá fora, nos campeonatos mundiais, em que temos poucos brasileiros competindo”, completou.

MotoGP volta a acelerar no GP da Austrália, em Phillip Island, no final de semana do dia 22 de outubro. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade.

Moreira prova na Indonésia que educação sempre vence. Inclusive no esporte
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