Yamaha reafirma reação no GP da Andaluzia, mas liga alerta com confiabilidade

Ainda que não exatamente com o time de fábrica, a Yamaha foi quem melhor soube aproveitar a ausência de Marc Márquez neste início de temporada 2020. Ainda assim, a fábrica de Iwata segue com a pulga atrás da orelha por conta de falhas no motor da YZR-M1

Fabio Quartararo não cansa de surpreender. Depois de conquistar na semana passada a primeira vitória da carreira na MotoGP, o #20 foi ainda mais impressionante neste domingo (26), quando dominou o GP da Andaluzia quase de ponta a ponta em Jerez de la Frontera.

Embora inexperiente ― o francês de Nice tem apenas 21 corridas no currículo na classe rainha ―, Fabio soube lidar muito bem com uma corrida em condições para lá de adversas: temperatura ambiente na casa dos 36°C, com o asfalto beirando 60°C. E rodando sozinho na maior parte das 25 voltas em Jerez de la Frontera.

Dono de um ótimo ritmo, Quartararo puxou um 1-2-3 da Yamaha, o primeiro em mais de cinco anos, e sai de Jerez com 50 pontos, dez de vantagem para Maverick Viñales na classificação do Mundial. Com 11 corridas ainda pela frente, resta muito campeonato, mas é notório que o caçula entre os pilotos da fábrica de Iwata começou o ano um passo à frente dos demais.

O pódio da Yamaha (Foto: Yamaha)

“Eu cometi alguns erros, mas pequenos. Mas foi muito difícil, porque fazer 25 voltas na liderança, com essa temperatura, acho que foi a corrida mais dura da minha vida”, disse Quartararo. “Sinceramente, estava muito calor, não tinha ar, minha mão e os meus pés estavam muito quentes, então foi muito difícil, mas eu me senti muito bem na moto”, contou.

Recém-chegado das categorias menores, Fabio destacou que a margem na MotoGP é muito mais significativa do que na Moto3.

“É muito difícil quando você vê a vantagem. Na primeira vez que vi, estava 0s6 para Valentino e eu pensei: ok, é hora de forçar para valer. Foi 0s6, 1s2, 1s6… E eu sempre me lembro que 1s6 na Moto3 não era nada, mas 1s6 na MotoGP é muito”, comparou. “Teve uma volta em que eu olhei para trás na curva 6 e pensei: Uau. É uma vantagem enorme. Eu tinha uns 4s. Aí pensei em ficar calmo. Estou muito feliz em estar no pódio, vencendo, pois foi uma corrida muito dura”, frisou.

Depois de duas vitórias, o piloto da SRT parte para o GP da Tchéquia sob os holofotes. Perguntando sobre o que pode melhorar para as próximas corridas, Fabio foi direto: “Uma palavra: velocidade máxima. Não tenho nada além disso. A moto é muito boa, mas é verdade que, em termos de velocidade máxima, a moto não é tão rápida”.

“É o único ponto. Todo piloto se adapta muito rapidamente à Yamaha, a moto é muito amigável, mas devo dizer que não é uma moto fácil como todo mundo diz. Não é uma moto fácil. É uma moto que, sinceramente, é muito mais difícil do que a do ano passado. Digamos que é uma moto amigável, mas não fácil”, resumiu.

4s495 atrás de Quartararo, Maverick Viñales se disse feliz com a corrida, mas o #12 atuou um pouco abaixo do esperado. Inicialmente, a expectativa era de um confronto do espanhol com Fabio, mas o ‘Top Gun’ não passou nem perto de ser uma ameaça.

“Estou feliz, pois fizemos o máximo. Somamos 40 pontos nas duas corridas de Jerez. Saímos com um bom feeling, o que é o mais importante. O campeonato ainda é muito longo. Tem muitas pistas em que somos bons. Eu me sinto muito bem, pois, de alguma forma, podemos fazer boas corridas sem o melhor feeling, então isso é o mais importante”, comentou.

A largada do GP da Andaluzia (Foto: SRT)

Questionado sobre o que faltou na corrida de hoje, Viñales disse: “Eu tentei tomar a liderança na primeira volta, dei o máximo, senti que estava um pouco mais próximo de Fabio, talvez o tenha tirado um pouco, e fui capaz de tomar o primeiro lugar, mas escapei da trajetória e perdi duas posições. Aí não consegui ultrapassar Vale. Vale foi muito forte nos freios. Comecei a superaquecer os pneus e isso foi um problema”.

“Mas, de qualquer forma, nós tentamos manter a calma, somando o máximo de pontos, que é o mais importante. Me sinto incrível na moto, o que é bom. Nas últimas corridas, tive muita dificuldade nas últimas voltas, mas, desta vez, eu consegui ser mais rápido, então estou muito feliz e satisfeito com o trabalho que a equipe fez”, sublinhou.

O confronto com Rossi, aliás, foi um dos destaques da atuação de Maverick. Na primeira parte da corrida, o espanhol não deu conta de desafiar o italiano e até caiu para a quinta colocação. Já na reta final, aproveitou os abandonos de Franco Morbidelli e Francesco Bagnaia, ambos com falhas na moto, para voltar à briga com Valentino e conquistar o segundo lugar.

“Joguei as minhas cartas. No fim, tinha muito mais aderência do que ele, especialmente no lado esquerdo do pneu. Eu fiquei muito feliz em ser segundo nesta corrida, pois o cenário era de que eu estava em quinto, não estava indo bem naquele momento, então tiramos o máximo e isso é o mais importante”, comentou.

Viñales, porém, não estava mais feliz do que Rossi. Apesar da derrota para o companheiro de equipe, o #46 encerrou um longo jejum de pódios ― desde o segundo lugar no GP das Américas do ano passado ―, uma considerável reação em comparação com a corrida apagada da semana passada ― que ainda terminou com um abandono.

“Estou muito, muito feliz, pois, não só depois da última corrida, mas depois de toda a segunda parte da temporada 2019, eu estava muito frustrado. Eu era muito lento e sofri, sofri muito”, recordou Rossi. “Mas, desta vez, nós trabalhamos de uma maneira diferente. Nós temos de trabalhar duro, pois temos de pressionar a Yamaha, pois, às vezes, é algo político, um problema político, eles não querem mudar a moto, mas nós não desistimos e, desde a manhã de sexta-feira, tinha uma sensação melhor”, apontou.

“Com certeza, nós temos de melhorar. Ainda tenho alguns problemas, mas eu piloto, tenho meu estilo, curto. Eu cheguei para a corrida de hoje pronto, pois sabia que podia fazer um bom resultado. Estou muito feliz, por mim e pelo meu time, também porque Jerez no ano passado foi ruim. Espero que possamos encontrar algumas boas soluções para seguir esse caminho, para sermos fortes também nas outras pistas”, seguiu.

Uma das chaves para o bom resultado foi a largada. No sábado, Rossi conquistou o quarto lugar e, neste domingo, saiu muito bem para se colocar entre os ponteiros desde os primeiros metros.

“A largada foi crucial para mim. Fiz uma ótima largada. Eu tentei seguir Fabio, mas Fabio é um pouco mais rápido, mas, especialmente, ele não estressa os pneus. Ele pilota como veludo”, comentou. “Lamento por Pecco e Franco, pois eles são rápidos. No fim, com Maverick, ele era um pouco mais rápido, mas eu cometi um erro e o deixei escapar. Talvez eu não pudesse acompanhar, mas ele merece, pois era um pouco mais rápido. Ainda precisamos trabalhar para as últimas cinco voltas, mas agora não estamos tão mal nas outras 20”, frisou.

Com o resultado deste domingo, a Yamaha termina a dobradinha de Jerez, mas com um problema no horizonte. A Dorna, promotora do campeonato, divulgou neste domingo a lista de motores da temporada: até aqui, Viñales já usou cinco dos cinco a que tem direito no ano ― um deles foi retirado da alocação ― enquanto Rossi ― também com um propulsor removido ―, Quartararo e Morbidelli já utilizaram quatro. Para comparação, Andrea Dovizioso e Álex Márquez, por exemplo, só usaram dois por enquanto.

No GP da Espanha, Rossi abandonou a corrida após uma luz de alerta aparecer o painel da M1. A Yamaha, então, enviou motores ao Japão para serem analisados pelos engenheiros.

“Estamos, certamente, um pouco preocupados, pois perdemos dois motores no primeiro fim de semana e outro hoje”, admitiu Lin Jarvis, diretor da Yamaha. “É um pouco estranho, pois perdemos vários motores, mas tivemos dois fins de semana muito bons. Então o importante agora é analisar muito, muito bem para entender se esse problema é o mesmo que já tivemos e, depois, encontrar uma solução o mais rápido possível”, completou.

Apesar de já estar no quarto motor da temporada, Quartararo negou preocupação e deixou com os engenheiros a responsabilidade por solucionar o problema.

“Cruzamos os dedos. Até o momento, não tive problema nenhum, então estou totalmente focado e não estou pensando em motor ou no que quer que seja, qualquer que seja a peça da moto. O meu trabalho é fazer o melhor nas corridas, nos treinos e na classificação, então vou focar só nisso. Nós temos muitos engenheiros trabalhando no motor. Eles que vão resolver o problema”, encerrou.

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