Ducati rege, mas Quartararo neutraliza fraquezas em Aragão. Marc Márquez sobressai
No primeiro dia de treinos no MotorLand, a Ducati seguiu a tônica da temporada e colocou um pelotão de motos na frente do pelotão, mas o francês da Yamaha conseguiu se destacar e fechar a sexta-feira (16) a só 0s074 de Jorge Martín, o líder dos trabalhos. De volta após a quarta cirurgia no braço direito, Marc Márquez foi só 0s359 mais lento que o ponteiro
Seguindo a risca o tom da temporada, a Ducati regeu a orquestra da MotoGP no primeiro dia de treinos em Aragão. A casa de Borgo Panigale colocou seis das oito motos que tem no grid no top-10 e liderou os trabalhos no MotorLand de Teruel com Jorge Martín, mas a sexta-feira (16) não foi nem de longe tão ruim quando Fabio Quartararo parecia esperar. O sorriso mais largo da Espanha, contudo, foi o exibido por Marc Márquez, que voltou à classe rainha oficialmente pela primeira vez desde o GP da Itália, quando se afastou para passar pela quarta cirurgia no braço direito.
Com 1min49s320, Jorge Martín ocupa o topo da tabela, só 0s074 melhor do que Quartararo. Apesar do bom resultado, o espanhol da Pramac não saiu completamente satisfeito.
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CLASSIFICAÇÃO DA MOTOGP
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“É a primeira vez que lidero uma sexta-feira, então é positivo. Mas, a verdade, é que as sensações não são de tudo boas. Me faltam alguns décimos em termos de ritmo para poder lutar pela vitória, então temos de encontrar algo que me ajude a melhorar”, assumiu.
Jorge indicou a falta de aderência do traçado como um problema.
“Os pneus têm uma queda gigante depois de duas voltas, independente do composto”, contou. “Já ontem, quando demos a volta no circuito, vimos que o circuito tinha muita sujeira. Os pneus se desgastam muitíssimo, acho que é por isso. Acho que o pneu médio será o da corrida, mas ele desgasta muito depois de duas voltas, então é difícil ser constante”, explicou.
Martín expliocu, também, que, após o teste de Misano, fez mudanças no estilo de pilotagem, o que tem ajudado a melhorar o tempo.
“Desde o teste de Misano, melhoramos a freado. Demos um passo e mantive isso aqui. Melhoramos em comparação com os outros pilotos da Ducati, então estou contente com isso”, comentou. “Mudei [o estilo das freadas] um pouco com o acerto, mas, principalmente, sendo mais agressivo na freada. Entrar um pouquinho mais de lado, como na Moto2, ajuda a Ducati a parar melhor”, explicou.
Depois de rotular Aragão como o pior circuito desta reta final da temporada para a Yamaha, Quartararo conseguiu minimizar os problemas e foi só 0s07 mais lento do que o líder, ficando com o segundo posto.
Neste primeiro dia em Aragão, Fabio aproveitou para testar um novo chassi, o mesmo que a casa de Iwata já tinha avaliado em Misano.

“O novo chassi não difere muito do anterior. Acho que vamos mantê-lo, porque não encontramos nenhum aspecto negativo”, contou.
Como tem acontecido ao longo de todo o ano, ‘El Diablo’ frisou que a classificação será vital esse fim de semana, já que a YZR-M1 sofre para ultrapassar.
“O problema não é ser rápido, mas ser rápido na corrida. Isso significa poder ultrapassar. Pode ser mais lento em ritmo e brigar pela vitória se tiver velocidade e para poder ultrapassar. Temos de largar na primeira fila”, sublinhou.
Depois de torcer pelo retorno de Marc Márquez para que ele pudesse “destruir os planos da Ducati”, Fabio já começa a perceber que o espanhol pode também ser um problema.
“Já disse na quinta-feira que Marc vai brigar pela vitória no domingo. Não me surpreende, pois já sabemos como ele é. No teste de Misano ele ficou a 0s6 do melhor tempo depois de o resto do grid ter completado um GP”, sublinhou. “O que mais me impressiona nele é a mentalidade. Ele teve lesões muito importantes em dois anos. Acho que muita gente, muitos esportistas, podem olhar Marc como uma referência, precisamente pela força mental que ele tem”, elogiou.

Márquez, por outro lado, não tem a mesma confiança de Quartararo. Assim como fez na quinta-feira, o hexacampeão da MotoGP segue insistindo que a vitória é um sonho distante.
“O pódio está muito distante. Há muitos pilotos que vão muito rápido e tampouco é esse o objetivo”, declarou Marc. “Para mim, fazer algo grande seria terminar a corrida de uma boa maneira e ficando não muito longe do top-5, mas tampouco estando lutando ali na frente. Agora é um momento em que é preciso estar onde a moto e o corpo pedirem”, defendeu.
“Hoje eu me senti bem, mas se amanhã eu me sinto pior, vai ser preciso baixar um ponto. Estamos aqui para competir, mas, na MotoGP atual, se você relaxa, está em último. Se você relaxa 0s2, não desce duas posições, desce dez logo de cara”, falou o irmão de Álex. “Se olhamos o papel, os ritmos, é possível que com o que fizemos hoje, poderíamos optar por um oitavo lugar, mas também é uma incógnita ver como eu vou aguentar as 23 voltas. A sequência mais longa que fiz foram de quatro ou cinco voltas. Estou aqui para forças dentro do que meu corpo aguentar. Sei que, cedo ou tarde, espero que tarde, a primeira queda vai chegar, é normal, mas hoje foi bem e o mais importante é que me vi melhor de tarde do que de manhã”, comentou.
Mesmo com toda da cautela, Marc, mais uma vez, foi a melhor Honda. Takaaki Nakagami ficou em 11º, Álex Márquez em 18º e Pol Espargaró em 23º.
“Hoje fui a primeira Honda, mas, em termos de nível, longe de onde pretendemos estar. Ser não é o objetivo principal, mas é sim uma motivação, só que é uma moto que conheço. Você chega após três meses e pilota por instinto. A maneira como eu piloto esta moto é por instinto, é antinatural para o meu estilo de pilotagem. O que eu disse na pré-temporada e repito agora é que você vai se adaptando, mas estou pilotando de forma antinatural, não de forma segura, e isso acontece com o resto dos pilotos Honda. Você sabe onde tem de frear, onde tem de acelerar e onde tem de virar. E faz isso de uma maneira ou de outra, lutando mais ou menos, e dá para compensar isso em uma volta, mas para fazer ritmo de corrida, precisamos de uma moto que se entenda um pouco melhor”, defendeu. “Em Misano, surpreendi a mim mesmo e, aqui, voltei a me surpreender, principalmente porque me vi melhor a tarde. Sei o que passei, o que estou passando, sei como estou, onde pretendo chegar e vai ser o físico que vai dita se posso ou não chegar. Faz muito tempo que aceitei o que tenho no braço e preciso seguir trabalhando e melhorando para ver onde está o 100% deste braço. Não saberemos até o inverno. Mas, no momento, sigo trabalhando a minha maneira, mas está claro que estou em um dos meus circuitos favoritos. Chegarão outros como o Japão ou a Tailândia, onde sofreremos muitíssimo mais”, previu.

Em grande fase na MotoGP, com quatro vitórias seguidas e agora na vice-liderança doo Mundial de Pilotos, Francesco Bagnaia encerrou a sexta-feira na quinta colocação, 0s237 atrás do ponteiro. O italiano, contudo, foi na contramão dos rivais e elogiou a aderência da pista.
“Precisamos levar em conta que este asfalto tem 13 anos”, ponderou Pecco. “E é um exemplo de algo que precisa ser feito no futuro, porque, por ter 13 anos, a aderência é boa. Obviamente, o grip é baixo, mas, no meu ponto de vista, é similar ao que tinha no ano passado. Deveriam ir pensando em fazer um recapeamento, porque já é um pouco velho e começa a ser um pouco escorregadio demais”, avaliou.
Bagnaia concordou, porém, que o desgaste dos compostos é elevado em Aragão.
“O ritmo de corrida será 0s3 ou 0s4 mais lento que a volta rápida, mas é o mesmo que aconteceu no ano passado. Não acho que veremos um 1min47s na corrida, pois, se fizermos isso, o pneu desgastará muito”, considerou.
“[Mas] fomos competitivos desde o princípio. Nossas tentativas de volta rápida não foram bem, mas, mesmo assim, estou contente. Nas sextas-feiras, temos de testar tudo, e eu não gosto de pensar em tempo de ataque. Prefiro focar em entender como gerir os pneus”, defendeu.
Só três pontos atrás de Pecco na classificação do Mundial, Aleix Espargaró foi para o MotorLand mirando uma reação no campeonato. Na primeira manhã, apesar de uma queda, o catalão garantiu o melhor tempo, mas, de tarde, com um novo tombo, fechou só em 13º, o que o deixou fora do top-10 combinado, 0s549 atrás de Martín.
Apesar dos tropeços, Aleix considerou que o dia foi positivo e ficou satisfeito com o desempenho da Aprilia em Aragão.

“Foi um dia positivo, com dois erros. O primeiro um pouco maior, porque eu estava rodando fora do traçado e caí numa área suja. Mas com os pneus da corrida, sou rápido, me sinto forte. Não me lembro a última vez que caí duas vezes em um mesmo dia. É preciso entender o limite para ser rápido outra vez”, considerou. “Estou dando tudo que tenho para tratar de ser rápido. Por isso, caí duas vezes no teste de Misano. O importante é terminar a corrida no mais alto, não cair nos treinos. É evidente que você não quer cair, mas eu estava rápido. Eu estou bem, mas a moto ficou destroçada. Só que ela tem muito mais peças de reposição do que eu”, brincou.
“O importante é não cometer mais erros, pois isso te tira a confiança. Parti uma moto ao meio e isso não é bom em caso nenhum”, encerrou.
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