Verstappen pede “melhores pneus de chuva” na F1 após caos no Japão: “Deve haver solução”

Segundo mais novo bicampeão mundial, Pirelli precisa agendar mais testes dos pneus faixa azul — afinal, tais compostos "são apenas lentos e não conseguem carregar muita água". Charles Leclerc concordou com o rival e apontou problema crônico de visibilidade

O GP do Japão de Fórmula 1 do último domingo (10), que coroou Max Verstappen bicampeão, foi caótico. A prometida chuva em Suzuka caiu com hora marcada e causou uma série de eventos logo no giro inicial da corrida: Sebastian Vettel tocou Fernando Alonso e rodou, enquanto Carlos Sainz escapou sozinho na chicane e deu uma pancada no muro, abandonado a prova e jogando uma placa de publicidade na pista. Pierre Gasly passou por cima dela e ficou coberto pelo placa de maneira totalmente incomum. Alexander Albon perdeu potência nos primeiros metros e foi mais um que teve de parar, enquanto Guanyu Zhou rodou no meio da pista.

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O safety-car foi acionado e entrou logo na segunda volta, mas logo em seguida já retornou para os boxes com o acionamento da bandeira vermelha por conta das condições ruins de pista e para a retirada da Ferrari do espanhol. No entanto, antes disso — e de maneira absurda —, a direção de prova permitiu a entrada de um trator para retirar o carro de Sainz. Pierre Gasly quase bateu nele. O piloto da AlphaTauri conseguiu evitar o trator, mas o fato da máquina estar na pista naquele momento gerou enorme risco para o francês, que justificadamente se revoltou.

Como a chuva pesada e as questões de visibilidade foram temas centrais da corrida em Suzuka, naturalmente tornaram-se objeto de questionamento para os pilotos nas entrevistas pós-prova. E, segundo o mais novo bicampeão Verstappen, tudo poderia ter sido evitado se os pneus faixa azul, de fato, cumprissem seu papel.

Max Verstappen venceu o chuvoso GP do Japão de F1 (Foto: Red Bull Content Pool)

“Acho que precisamos de melhores pneus de chuva. Se você ver o que podíamos fazer nos anos 90 ou no início dos anos 2000, com a quantidade de água na pista… Estou muito feliz por ter alguns dias de teste, sabe, e experimentar todos os tipos de pneus, mas precisamos de pneus de chuva melhores porque acho que os extremos [compostos faixa azul, de chuva pesada] são apenas lentos e não conseguem ‘carregar’ muita água”, analisou o piloto da Red Bull.

“É por isso que todo mundo sempre tenta mudar muito rapidamente para os intermediários, porque são muito mais rápidos por volta. Como você pode ver de uma volta para a outra, fomos do extremo ao intermediário hoje e imediatamente ficamos 5s, pelo menos, mais rápidos. Isso é muito. E é por isso que ninguém quer colocar os pneus faixa azul”, completou. “Quando choveu muito, na hora que a bandeira vermelha saiu, e você estivesse de pneus extremos, acho que ainda assim seria muito difícil pilotar. Mas então, se você comparar isso com 20 anos atrás, estaria perfeitamente bem. Deve haver uma solução”, afirmou Verstappen.

O holandês também pediu para que a Pirelli, fornecedora oficial de pneus da Fórmula 1, agende mais testes com uso exclusivo dos pneus de chuva extrema.

“Como eu disse, isso não é uma crítica porque estou muito feliz em ajudar. Devemos investigar isso. Talvez possamos apenas organizar mais dias de testes em pista molhada e trabalhar juntos, para tentar encontrar pneus melhores — para, pelo menos, termos a oportunidade de realmente pilotar no molhado e nem sempre pilotar apenas duas voltas no extremo, mudar para intermediário e chamar isso de “corrida na chuva” — porque uma corrida na chuva também é normalmente conduzida com chuva forte”, concluiu Verstappen.

Charles Leclerc concordou com o holandês: grande problema é a visibilidade (Foto: Ferrari)

Charles Leclerc concordou com o grande rival de 2022. Na opinião do monegasco da Ferrari, o grande problema da atual geração de carros da Fórmula 1 é a visibilidade em tais situações.

“Tudo o que pudermos fazer para tentar melhorar a visibilidade e minimizar o spray, especialmente atrás dos carros, será extremamente benéfico — porque acredito que, às vezes, podemos realmente correr pelas condições da pista. Mas, por causa da visibilidade, é muito perigoso ficar atrás e não ver nada — por isso acabamos não correndo de jeito nenhum. Mas sim, devemos tentar encontrar uma solução para tentar minimizar o spray”, disse.

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