Retrospectiva 2018: Em ano de forte grid, bi de Serra força rivais a se mexerem por fim de hegemonia
O 2018 da Stock Car teve, para muitos, o grid mais forte da história da categoria. Mas o vencedor começa a criar uma hegemonia: Daniel Serra não ligou para a qualidade dos rivais e se tornou bi, liderando a temporada de ponta a ponta. Agora, as equipes adversárias se mexem
Grid mais forte da história? Foi essa a conversa na 'rádio paddock' da Stock Car durante o ano de 2018. É impossível cravar, mas é sim possível discutir o assunto. Nomes como Daniel Serra, Felipe Fraga e Rubens Barrichello, tradicionais na categoria, receberam a chegada de Lucas Di Grassi e Nelsinho Piquet, por exemplo. E o campeonato não decepcionou, com disputa acirrada até o final. Serra foi o (bi) campeão, liderando de ponta a ponta, mas emoção não faltou. E, agora, todos se mexem para tentar acabar com a hegemonia do #29.



Quase um mês depois da Corrida de Duplas, Barrichello voltou a brilhar. Desta vez, na segunda etapa do campeonato, em Curitiba, onde o #111 levou a Full Time à pole-position com direito a uma volta mágica para desbancar o favorito à posição de honra, Serra, em enormes 0s274, uma grande diferença quando se trata de Stock Car. O top-6 foi completado por Marcos Gomes, Max Wilson, Fraga e Di Grassi.

Por conta da pausa de dois meses e meio em razão da Copa do Mundo, o calendário da Stock Car compreendeu uma verdadeira maratona entre abril e maio, com quatro etapas — oito corridas — no espaço de oito semanas. Assim, 15 dias depois da etapa no Paraná, os pilotos aceleraram no circuito mais travado do ano, o Velopark, em Nova Santa Rita, região metropolitana de Porto Alegre. A etapa foi marcada por um grande caos no treino classificatório de sábado.



A arrancada de Fraga e a consagração de Serra como bicampeão
Na volta da Copa do Mundo, a "corrida do ano" – em Goiânia, a Corrida do Milhão inovou com a disputa no circuito externo quase oval. E a emoção tomou conta: Barrichello venceu na base da estratégia e levou o filho ao pódio, o auge de um ano no qual superou uma suspeita de AVC.

Ali também se pontuou o primeiro momento em que Fraga aparecia como possível concorrente a Serra, já que foi o quarto colocado da prova. Em compensação, Serrinha, que tinha tudo para vencer novamente a Corrida do Milhão, teve um problema no seu pit-stop quando liderava e perdeu a chance de faturar a cobiçada vitória, cruzando a linha de chegada em oitavo.
Duas semanas depois, Fraga venceria a corrida 1 em Campo Grande e iria ao pódio em Cascavel, enquanto Serra zerava, para construir de vez a história do final do ano; a briga seria entre eles.
Desse momento até o final da temporada, houve apenas um intervalo de 50 minutos em que a disputa não teve favorito: da bandeirada da corrida 1 no Velo Città, etapa seguinte, até o final da segunda bateria.
Por quê? Porque quando Fraga venceu a primeira prova do dia, diminuiu para oito pontos a diferença. Era impossível, ali, dizer que algum deles tinha vantagem. Porém, ao final daquele domingo, Serra iria ao pódio pela segunda vez em 2°, enquanto Fraga seria apenas 6° na corrida 2. A diferença crescia de novo e não mais cairia.
De Londrina até Interlagos, passando por Goiânia novamente, Serra só cresceu – e consolidaria o título no sábado da etapa final, quando Fraga teve problemas e foi muito mal no treino de classificação, chegando a se emocionar nos boxes. O piloto da RC Eurofarma, então, fez corrida sem riscos para, na reta do mais famoso circuito brasileiro, fazer 'zerinhos' e comemorar seu bicampeonato.

Se esse é o resumo do ano, é também uma abertura, uma projeção para 2019. Pois o domínio de Serra força mudanças no grid. A Cimed de Fraga, por exemplo, já se programa para bater o rival com trocas.
Para se fortalecer, a equipe de Fraga manteve Cacá Bueno e contratou Gabriel Casagrande, que fez top-10 com a Vogel, dona de carro bem abaixo de seu novo.
A resposta da RC Eurofarma? Trazer de volta Ricardo Maurício e igualar o número de pilotos da rival: três. Ao lado de Serra e de Max Wilson, Maurício terá a função de evoluir o carro para que não fique defasado em relação ao principal adversário.

Se as favoritas se mexem, quem vem atrás não pode ficar parado. E, por isso, a projeção para 2019 é de mais emoção ainda na briga pelo título. Barrichello se mantém como a força da Full Time; Julio Campos vê a Prati Donaduzzi entrando no pelotão que briga pelo título; Marcos Gomes, sempre candidato, estará de nova casa.
Ou seja: mesmo com a saída de Di Grassi, o grid seguirá forte, com equipes mirando alcançar as duas principais do momento. Cada movimento neste xadrez parece fortalecer a categoria. Agora, é preciso que os bastidores se agitem menos.
Se o compasso de quem manda na categoria seguir a qualidade de quem está na pista, 2019 pode ser ainda melhor do que a última temporada. Para o automobilismo brasileiro, seria o ideal — e necessário.
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