Aston Martin pede mudança em regras aerodinâmicas. Red Bull vê gesto ingênuo

Otmar Szafnauer, chefe de equipe da Aston Martin, defendeu que a F1 rediscuta as mudanças no regulamento aerodinâmico para “tornar isso um pouco mais justo”. O debate diz respeito aos carros de baixo rake, com menor inclinação, como é o caso de Aston Martin e Mercedes, que teoricamente perderam performance em relação aos carros de rake mais alto, como Red Bull e AlphaTauri

Os melhores momentos dos treinos livres da F1 em Ímola (Vídeo: GRANDE PRÊMIO com Reuters)

Uma grande polêmica, que já se desenhava nos últimos dias, explodiu de vez nesta sexta-feira (16) de treinos livres do GP da Emília-Romanha, em Ímola. Logo depois do segundo treino livre, nesta tarde, Otmar Szafnauer, chefe da Aston Martin, falou ao sistema de transmissão F1 TV Pro sobre a sua insatisfação a respeito das mudanças no regulamento técnico e deu a entender que as alterações prejudicaram as equipes que têm nos seus carros com o chamado rake, ângulo de inclinação, mais baixos, como Mercedes e a própria Aston Martin. Red Bull e AlphaTauri, por exemplo, são carros com rake mais alto, uma filosofia de projeto já adotada nos últimos anos.

Segundo a teoria defendida por Szafnauer, por conta dos novos assoalhos, as equipes que contam com rake mais alto — rake é, em termos simples, a diferença de altura entre a parte dianteira e traseira de um carro — levam bastante vantagem.

O fato é que a Aston Martin, diferente do que foi com a Racing Point — nome usado até o ano passado —, teve até agora uma performance muito aquém da sua antecessora em relação à temporada passada. Se em 2020 a chamada ‘Mercedes rosa’ assombrou o mundo da F1, conquistou pole e até ganhou corrida com um carro de conceito praticamente idêntico ao Mercedes W10, o AMR21 deste ano não foi bem.

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ASTON MARTIN; RAKE; ÍMOLA;
A Aston Martin é o carro que, assim com a Mercedes, tem o ângulo de inclinação mais baixo (Foto: Aston Martin)

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No GP do Bahrein há três semanas, Lance Stroll foi o único a ir para o Q3 e marcou 1 ponto ao terminar em décimo lugar, mesma posição nesta sexta-feira de treinos livres em Ímola. Sebastian Vettel, por sua vez, foi eliminado no Q1 em Sakhir, foi mal ao longo da corrida e, nos ensaios do dia na Emília-Romanha foi apenas o 15º.

Muito longe da performance do carro do ano passado, Szafnauer esbravejou contra as mudanças do regulamento, pediu mudanças e ameaçou até ir à justiça para “tornar isso um pouco mais justo”.

“Acho que o certo a fazer é discutir com a FIA e descobrir exatamente o que aconteceu e o por quê. Então, podemos ver se há algo que possa ser feito para torná-lo [o regulamento] mais justo”, declarou. O dirigente de origem romena falou sobre o déficit que nos foi imposto pela FIA por meio da sua alteração na regra” e, por isso, defendeu mudanças.

A Red Bull, por exemplo, tem o carro de rake bem mais alto (Foto: Andrej Isakovic/AFP)

“Acho que é o certo a ser feito. Nós, como equipe, temos de trabalhar muito para tentar recuperar tudo o que for possível. Mas, ao mesmo tempo, devemos discutir isso com a FIA para tornar isso um pouco mais justo”, complementou.

Quando questionado se considera a levar o caso para ser discutido judicialmente, Szafnauer não descartou. “Acho que chegamos a esse ponto depois das discussões. É difícil prever. Acho que o certo é ver o que pode ser feito”.

Chefe da McLaren: “Tenho de dar risada”

Em entrevista à emissora alemã n-tv na semana passada, Andreas Siedl, chefe da McLaren, ironizou as queixas da Aston Martin sobre o tópico.

“Tenho que dar risada, honestamente, porque eu também leio os comentários sobre os efeitos do rake alto ou baixo. Na realidade, é difícil para qualquer equipe julgar se uma filosofia ou outra foi mais influenciada pelas mudanças. Durante o período sem temporada, todos nós usamos o conceito do ano passado como base”, afirmou o dirigente.

“Até onde eu vejo, não é possível nenhum competidor comparar o conceito de rake alto com um de rake baixo. Ninguém pode julgar os efeitos e se seriam maiores ou menores com outro conceito de carro”, seguiu.

A McLaren tem um meio-termo quanto ao rake para o MCL35 (Foto: McLaren)

Seidl crê que, após o começo no Bahrein, o campeonato agora irá mostrar a ordem de forças do grid com mais exatidão e apostou: Mercedes e Aston Martin, equipes de rakes mais altos do grid, estarão recuperadas.

“Temos que ver como o equilíbrio de forças será definido e onde Mercedes e Aston Martin estarão com o tal conceito de rake baixo. Tenho certeza que após o fim de semana do Bahrein, onde a Mercedes ganhou do mesmo jeito, vamos vê-los se recuperando sem dó nas próximas corridas”, afirmou.

Mercedes se esquiva da polêmica, e chefe da Red Bull ironiza

Toto Wolff, chefe da Mercedes, dona de um carro que, assim como o da Aston Martin, também apresenta um rake mais baixo, evitou entrar na polêmica. “Acho que este é um assunto complicado porque você precisa ter a fotografia completa antes de fazer qualquer comentário. Nessa fase, não acho que seria correto apontar o dedo para algo ou alguém. Então, prefiro não falar sobre isso por enquanto”.

No entanto, Christian Horner, chefe da Red Bull, foi mais taxativo e até ironizou a queixa da rival Aston Martin. No entendimento do britânico, não há como falar em regra com apenas um fim de semana de GP disputado e com um carro de conceito de baixo rake, como o da Mercedes, tendo vencido a primeira corrida do ano.

“Em primeiro lugar, tivemos uma amostra de um circuito. A Mercedes venceu aquela corrida com o que você classificaria como um carro de rake baixo. Eles tiveram o desgaste de pneus absolutamente igual, talvez melhor do que tivemos no Bahrein. Eles parecem muito impressionantes aqui, e nós só corremos em um outro circuito até agora”, disse.

Já a Mercedes tem o rake muito baixo em seu W12 (Foto: Mercedes)

“Há um processo para que as regras sejam introduzidas, e elas foram aprovadas por unanimidade por meio do regulamento que Aston Martin ou Racing Point tiveram de votar antes de serem aprovados pela Comissão da F1 e pelo Conselho Mundial do Esporte a Motor”, justificou Horner.

“Tudo foi votado por unanimidade. Quando houve uma mudança na asa dianteira anos atrás, isso nos prejudicou. Votamos contra, mas tivemos de aceitar”, recordou. “Portanto, parece um pouco ingênuo pensar que, de repente, as regras vão mudar com base em apenas uma corrida após todo o processo ter sido seguido. Estou tentando entender isso”, concluiu o chefe da Red Bull.

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