F1

Como uma mensagem pelo celular ajudou De Ferran a trabalhar com Alonso e virar diretor da McLaren

Em 12 de abril de 2017, quando a McLaren surpreendeu o mundo com o anúncio da ida de Fernando Alonso para as 500 Milhas de Indianápolis, Gil de Ferran escreveu a Zak Brown: “Se precisar de alguma coisa, me avisa”. Foi aí que começou a história do brasileiro com a McLaren
Warm Up, de São Paulo / FERNANDO SILVA, de Interlagos / FELIPE NORONHA, de Interlagos
 Fernando Alonso e Gil de Ferran (Foto: McLaren Indy)

Gil de Ferran é conhecido mundialmente por conta da sua capacidade ímpar não apenas como o piloto bem-sucedido e vencedor que foi, como também pelo conhecimento técnico que adquiriu ao longo de décadas de experiência no esporte a motor. Bicampeão da Champ Car — categoria que nasceu da cisão entre a CART e a IRL em meados dos anos 1990 — e vencedor das 500 Milhas de Indianápolis de 2003, Gil foi o escolhido por Zak Brown, em abril do ano passado, para ajudar Fernando Alonso na sua missão de se adaptar ao novo universo que se dispôs a encarar para disputar as 500 Milhas de Indianápolis.
 
A relação entre Gil e Alonso, nascida nos preparativos para uma das mais icônicas provas do planeta, foi das melhores. Nomeado como mentor de Fernando, Gil tornou-se amigo do bicampeão mundial de F1, que trouxe uma mídia à Indy 500 poucas vezes vista antes, fez um bom trabalho, liderou 27 voltas e só abandonou a disputa por conta de uma pane no motor Honda. Fernando foi só elogios ao seu mentor e disse que De Ferran "o tornou um piloto melhor".
 
Em 2018, Alonso e De Ferran voltaram a se encontrar. Na esteira de uma crise interna na McLaren, Zak Brown decidiu sacar Éric Boullier do posto de diretor da corridas. Em substituição ao francês, o dirigente promoveu uma reestruturação técnica e chamou De Ferran para exercer a função de diretor esportivo a partir de julho.
 
Durante entrevista coletiva à imprensa brasileira, com participação do GRANDE PRÊMIO, Gil lembrou como a participação de Alonso nas 500 Milhas de Indianápolis representou, meio que sem querer, o início de uma jornada que culminaria com seu retorno à F1
 
“Na verdade, foi lá que tudo começou, de certa maneira. Quando eles decidiram levar o Fernando para as 500 Milhas de Indianápolis, mandei uma notinha ao Zak, que eu conhecia de anos atrás, dizendo ‘Parabéns, super legal... não só legal para o Fernando ou para a McLaren, mas para o automobilismo, uma história que acho que vai além da F1, da Indy, da McLaren, mas uma história para o automobilismo como um todo. E, se precisar de alguma coisa, me avisa’”, recordou.
Fernando Alonso e Gil de Ferran trabalharam juntos pela primeira vez na Indy 500 de 2017 (Foto: Indycar)
“E ele me respondeu no mesmo dia. Nos falamos, e aí acabei indo para as 500 Milhas para ajudar o Fernando e também a McLaren. E aí começou um relacionamento não só com o Fernando, mas com a equipe como um todo. E aqui estou [risos]. Mas foi lá que começou de verdade”, comentou o diretor esportivo da McLaren.
 
Alonso jamais escondeu o apreço com a Indy desde o momento em que teve a chance de disputar as 500 Milhas de Indianápolis. Com o objetivo máximo de conquistar a Tríplice Coroa, o espanhol vai voltar à lendária prova na próxima temporada, novamente com a McLaren. A equipe britânica ainda não definiu qual o esquema vai adotar para Alonso em 2019, como equipe parceira e fornecedora de motor para o retorno de Fernando.