Russell chega tarde, mas ainda a tempo de trilhar caminho na Mercedes do futuro

George Russell enfim vai se tornar piloto titular da Mercedes. A equipe alemã já não tinha mais justificativas para não promover o jovem de 23 anos, que vai formar uma dupla britânica com Lewis Hamilton a partir do 2022. Russell representa o futuro do time heptacampeão, mas chega atrasado

POR QUE RUSSELL É APOSTA CORRETA, MAS TARDIA, DA MERCEDES NO FUTURO

George Russell finalmente vai vestir para valer as cores da Mercedes a partir da temporada 2022 da Fórmula 1. O anúncio mais aguardado do ano aconteceu nesta terça-feira (7), depois que uma peça importante do tabuleiro que forma o grid se encaixou. Valtteri Bottas assinou com a Alfa Romeo, o que abriu espaço para a formalização do inglês de 23 anos na vaga do nórdico. Ainda, Russell vai formar uma dupla britânica com Lewis Hamilton na equipe alemã em uma parceria que naturalmente desperta grande expectativa. Mas a chegada de George representa mais do que isso.

A verdade é que a Mercedes não tinha como evitar a promoção de seu jovem prodígio. Russell tem a carreira gerenciada por Toto Wolff, chefe da Mercedes, e foi pelas mãos do time sediado em Brackley que chegou à Fórmula 1 em 2019 para defender a Williams depois da conquista dos títulos da GP3 (atual Fórmula 3) e da Fórmula 2 em 2017 e 2018, respectivamente.

Rapidamente, ficou claro que ali havia algo de promissor. Mesmo ao volante de um carro errático, George encontrou em classificação seu ponto forte – atualmente, o ritmo de corrida também é um fator determinante. Ao passo que encantava na equipe de Grove, o rapaz também começou a ganhar notoriedade no discurso do chefão Toto Wolff. Parecia uma questão de tempo até integrar por completo as garagens da equipe da estrela.

Só que esse tempo foi longo. Longo demais. Essa noção é reforçada pela impressionante performance apresentada por Russell em Sakhir no ano passado, quando foi chamado às pressas para substituir Hamilton, então acometido pela Covid-19. George se comportou como um veterano: não deixou transparecer qualquer nervosismo ou afobação. Ao contrário, se impôs e por pouco não cravou a pole. Na corrida, foi brilhante e ofuscou o companheiro Bottas. Só não venceu por um erro da própria Mercedes. Aquela exibição já deveria garantir o contrato, mas como a equipe já havia renovado com o finlandês, também não ousou quebrar as regras.

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George Russell tirou proveito da chance que teve com a Mercedes em 2020 (Foto: Mercedes)

É bem possível que a Mercedes tenha se arrependido, diante de um início de temporada irregular de Valtteri, só que Russell acabou por colocar também um ponto de interrogação na cabeça de Wolff: o bizarro acidente com Bottas no GP da Emília-Romanha fez o austríaco pensar duas vezes, especialmente por conta das reações do inglês, que não poupou críticas ao colega, sendo repreendido publicamente pelo chefe.

Mesmo assim, Russell seguia nas manchetes, enquanto Toto mordia e assoprava. De novo, era uma questão de tempo. Mas demorou. E Hamilton teve seu papel nesse roteiro também. O heptacampeão fez campanha pelo parceiro de time e insistentemente defendia que a Mercedes não precisava de uma mudança. Então, não é uma surpresa notar que a esquadra pensou muito sobre a questão: seguir com Bottas para agradar a Lewis ou investir de uma vez naquele que representa o futuro?

George Russell se emocionou ao conquistar os primeiros pontos correndo pela Williams, na Hungria (Vídeo: Duna TV)

Falando à Sky Sports F1, o chefão Wolff descreveu a situação toda como “super difícil” e que “provavelmente é a decisão mais difícil que tive de tomar em todos os meus anos na Fórmula 1”. No fim, o austríaco optou pelo futuro – acertadamente.

Ainda que siga como grande líder da Mercedes e que ocupe, hoje, um lugar que vai muito além da pilotagem, Hamilton está mais perto do fim da carreira do que do começo. Tem, no momento, um contrato de dois anos e não deve ir muito mais. A Mercedes deseja que Lewis a conduza pelo novo regulamento, mas é preciso pesar outros fatores: Red Bull, Ferrari, McLaren, Alpine e, de certa forma, até AlphaTauri já definiram quem vai liderá-las daqui para frente. E a marca da estrela tem de fazer o mesmo.

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TOTO WOLFF; MERCEDES; PAUL RICARD;
Toto Wolff criticou Russell pelo acidente com Bottas, mas sempre o considerou para a vaga do nórdico (Foto: Mercedes)

Como bem disse Hamilton, George é o futuro. E o quanto antes esse futuro começar, melhor – ainda que com atraso, mas a tempo de trilhar um caminho de sucesso, compartilhado com um heptacampeão. Que, aliás, é um ponto dos mais extraordinários que a temporada 2022 deve proporcionar.  

Russell vai desembarcar em um time multicampeão, que sabe vencer e reagir às adversidades. A pressão, portanto, será enorme. Mas o que vai valer a pena mesmo é a dinâmica entre os dois ingleses. Pela primeira vez na carreira, o heptacampeão terá de lidar com um jovem promissor e que chega cercado de expectativas – George é 13 anos mais novo que o dono do carro #44. Enquanto Lewis vê o rapaz como um “piloto incrivelmente talentoso e um dos caras do futuro do esporte”, a frase que resume a expectativa vem de Max Verstappen, que entende que Russell “vai tornar tudo mais difícil” para Hamilton.

O tempo dirá. Só que, desta vez, não deve demorar.

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