Guerra entre FIA e Fórmula 1: todos os indícios de apocalipse da Era Ben Sulayem

Desde que assumiu a presidência da FIA em dezembro de 2021, Mohammed Ben Sulayem entrou em choque com pilotos e dirigentes da Fórmula 1 diversas vezes. O caso mais recente foi nessa semana, com o anúncio de uma investigação do casal Toto e Susie Wolff

A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) divulgou um comunicado nesta quinta-feira (7) afirmando que, após uma análise, não há investigação sobre questões de ética e disciplinares sobre o casal Toto e Susie Wolff. O órgão, em nota oficial, afirmou que está satisfeito com o protocolo de compliance da F1.

Fórmula 1 viu os bastidores da categoria entrarem em ebulição esta semana, tudo por conta de uma fagulha lançada sobre um dos casais mais emblemáticos do automobilismo: Toto Susie Wolff. E tudo isso após a FIA tornar público que apurava uma possível troca de informações sigilosas entre eles.

De um lado, o chefe e acionista da Mercedes, equipe oito vezes campeã da principal categoria do automobilismo mundial nos monopostos. Do outro, a diretora da F1 Academy, série voltada exclusivamente para mulheres e de propriedade da Formula One Management (FOM), que gere a parte comercial da Fórmula 1. Casados desde 2011, ambos agora estão na mira da FIA pelo que se chamou de um “conflito de interesses”.

Desde a chegada de Mohammed Ben Sulayem ao posto de presidente da FIA, a relação entre a entidade máxima do esporte a motor com a Fórmula 1 vem sofrendo um enorme desgaste, inclusive com o Liberty Media, o grupo americano que detém os direitos comerciais do Mundial, já considerando romper de vez com a federação, segundo reportagem da BBC Sport.

Por conta disso, listamos aqui outros pontos de embate entre as duas partes nos últimos anos.

Mohammed Ben Sulayem, presidente da FIA, em conversa com Christian Horner (Foto: Red Bull Content Pool)

Promessa de punição a Hamilton em 2021

A primeira confusão com Ben Sulayem foi logo após o emiratense assumir a presidência da FIA. No meio do turbilhão formado pela polêmica final da F1 em 2021, quando Lewis Hamilton e a Mercedes reclamaram muito da atuação do diretor de prova Michael Masi em Abu Dhabi, uma atitude do piloto britânico incomodou muito o dirigente.

Masi anunciou que os retardatários não poderiam ultrapassar, o que resultou um protesto imediato de Christian Horner, chefe da equipe dos energéticos. Depois, porém, o diretor liberou a passagem apenas dos que estavam entre Hamilton e Verstappen, deixando os dois para uma disputa ‘mano a mano’.

Apesar da reclamação da Mercedes, a corrida foi reiniciada para uma única volta e, assim, Hamilton não teve como se defender de Verstappen. O holandês venceu a corrida e, também, o campeonato.

A Mercedes apresentou dois protestos, ambos rejeitados pela FIA. Por conta disso, Hamilton optou por não comparecer na premiação da entidade, em Paris. A atitudade irritou Ben Sulayem, que cogitou punir o heptacampeão com uma multa ou sanções esportivas. No fim, nada fez.

A Guerra das Sprints

Em 2022, o desejo da Fórmula 1 em dobrar o número de corridas sprint em 2023 ganhou uma importante adversária: a FIA.

Na reunião da Comissão da F1, o Liberty Media notou baixa resistência das equipes com a proposta, mas se viu frustrado pela negativa do órgão que comanda o esporte.

Na nota sobre a reunião, a FIA afirmou que apesar de apoiar o aumento no número de eventos, analisou o impacto da proposta nas operações de pista e em seu staff, rejeitando assim a ideia da categoria.

Porém, segundo a revista inglesa Autosport, o presidente da entidade avisou que só pretendia levar a ideia adiante se o órgão recebesse uma contribuição financeira por isso, deixando a votação sem a maioria dos votos necessários para levar para a aprovação do Conselho Mundial do Esporte a Motor.

Perseguição aos piercings de Hamilton

Talvez a mais insólita polêmica envolvendo FIA e Fórmula 1 aconteceu também em 2022, quando a entidade introduziu uma seção nos formulários de verificação técnica obrigatória – que as equipes devem assinar no registro da etapa. Tais formulários passaram a ter duas passagens extras, delineando as regras estipuladas no Código Desportivo Internacional.

Em um deles, as equipes deveriam declarar que seus pilotos não usavam joias e que suas roupas íntimas de corrida também estavam de acordo com os padrões de segurança da entidade – este último item gerou protesto, também, de Sebastian Vettel.

Hamilton, que usou brincos e um piercing no nariz, rebateu a novidade. “Não dá nem para remover, então parece desnecessário para nós entrarmos nessa briga”, afirmou às vésperas do GP de Miami.

Vettel também fez questão de protestar contra a FIA, usando uma cueca por cima da roupa (Foto: Reprodução)

Críticas de Ben Sulayem a políticas sociais e ativismo

Ainda em 2022, novamente o presidente da FIA entrou em choque com os principais pilotos da Fórmula 1, dessa vez falando sobre os envolvimentos de política no esporte a motor.

Ao ser questionado sobre o que o esporte não deveria se tornar, Sulayem citou os exemplos de Hamilton, Vettel e de Lando Norris, que constantemente advogam por temas como direitos humanos, meio ambiente e saúde mental.

“Sou de uma cultura árabe: sou internacional e muçulmano. Não imponho minhas crenças nos outros, de jeito nenhum, nunca”, disse o dirigente na época. Mesmo assim, mudou o tom e defendeu a diversidade no esporte logo depois.

A longa e polêmica saga da Andretti na F1

A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) aprovou a inscrição do conglomerado americano como para entrar no grid do Mundial a partir de 2025. Agora, a discussão que a Andretti precisa ter é exclusivamente com a Formula One Management (FOM). Afinal, o que resta para que a equipe finalmente entre na F1?

O principal entrave para a entrada da Andretti, que gera a rejeição das outras 10 equipes da Fórmula 1, é o financeiro. Com a chegada do time americano, o bolo financeiro de receita do Mundial precisaria ser dividido entre 11 pedaços, e não 10 como é atualmente. Logo, uma exigência que deve partir dos times é que a taxa de entrada dos americanos seja muito alta, para que seja diluída neste bolo e compensando as possíveis perdas.

Mohammed Ben Sulayem, presidente da entidade, descartou, no entanto, qualquer tipo de intriga (até mesmo medidas legais) com a F1 por causa da Andretti e reiterou que os interesses de ambas as partes estão bem alinhados. Mesmo assim, os times atuais seguem fazendo jogo duro e rejeitando a entrada de uma nova concorrente no grid.

Com isso, a briga nos bastidores segue acalorada e completamente indefinida sobre o futuro da Andretti na Fórmula 1.

Declarações sobre valor da F1 e saída do comando de operações

No início de 2023, Ben Sulayem fez um comentário de que a F1 não vale US$ 20 bilhões (aproximadamente R$ 100 bilhões) após uma suposta proposta de compra do fundo de investimentos da Arábia Saudita. As declarações, claro, foram vistas com maus olhos pelo Liberty Media – o detentor dos direitos comerciais do Mundial – que enviou uma carta à FIA, contestando a posição do dirigente.

Sacha Woodward Hill, advogada de longa data da Fórmula 1 e membra do conselho de administração da F1, e Renee Wilm, diretor jurídico e administrativo do Liberty Media e um dos acionistas da Fórmula 1, não pouparam críticas à postagem de Ben Sulayem nas redes sociais

Por conta disso, o presidente da FIA deixou de exercer um papel mais direto nas operações da Fórmula 1.e entregou o dia a dia das conversas com os chefes da maior categoria do esporte nas mãos de Nikolas Tombazis, que assumiu recentemente a diretoria de monopostos da entidade que rege o esporte.

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