GUIA 2021: Com nova cara e bolso cheio, Aston Martin conta com Vettel para beijar céu

Aston Martin trouxe Sebastian Vettel e espera que o tetracampeão seja o centro do crescimento que deseja atingir com nova identidade

A Aston Martin lançou o AMR21 na volta à Fórmula 1 e espera alçar grandes voos (Vídeo: GP Notícias)

A temporada 2021 representa o novo dia de um novo tempo que começou para a Aston Martin. E, nestes novos dias, as alegrias podem até ser de todos os envolvidos neste projeto que vem sendo tocado por esmero mesmo em meio a diferentes crises há alguns anos. Mas há um detalhe: a exigência é maior, porque as possibilidades serão maiores. Certo é que o futuro já começou.

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A chegada do escudo Aston Martin, plano enfim levado a cabo por Lawrence Stroll, dono da equipe desde a temporada 2018, inaugura nova era para um grupo que se mantém contínuo. O chefe Otmar Szafnauer e o diretor-técnico Andrew Green estão juntos há muito tempo, desde a falta de dinheiro dos últimos anos da Force India, ainda com Vijay Mallya no comando, passando pela fase de transição da Racing Point.

No total, a equipe que hoje se chama Aston Martin, mesmo com crise e menos dinheiro que as rivais próximas, esteve no top-5 de pontos em cinco dos últimos seis anos, com exceção apenas de 2019. Resta lembrar aqui que em 2018 a equipe foi, oficialmente, sétima colocada, mas foi a quinta que mais marcou pontos. A diferença está no cancelamento dos pontos da primeira metade do campeonato após a venda e mudança de nome.

Stroll fez poucas mudanças estruturais, mas as que foram feitas deram mais poder a figuras que já estavam lá, como Szafnauer e Green. A diferença está no bolsos, muito mais recheados agora. E, sim, esse talvez não seja o momento histórico onde mais dinheiro tenha maior impacto, visto que o teto orçamentário restringe o quanto as equipes podem gastar, mas o poderio financeiro está não apenas em pagar funcionários e preparar um carro para o ano seguinte, mas em investir nos maiores talentos disponíveis na parte de tecnologia, engenharia e mecânica, além da estrutura: a equipe está construindo uma nova fábrica para os próximos anos.

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Sebastian Vettel foi contratado para ser ‘o cara’ (Foto: Aston Martin)

Há, ainda, a proximidade com a Mercedes, selada com a aproximação de Toto Wolff a Lawrence Stroll e a decisão esportiva de partir para estudar os carros da Mercedes para repetir as ideias e assumir os mesmos conceitos no ano seguinte. Foi o que passou em 2020, com a Mercedes rosa, e o que também acontece em 2021.

A Aston Martin, de nome imponente e aparência clássica no verde britânico de corridas, não é mais o patinho feio que se esgueira em ginástica para batalhar com Renault e McLaren no meio do pelotão. Não. Agora é outra fábrica com possibilidades parecidas.

A grande mudança trazida pela administração Stroll está nos pilotos: Lance Stroll chegou para 2019 e Sergio Pérez foi dispensado ao fim de 2020, mesmo vencendo a primeira corrida da história da categoria. O motivo, claro, foi a contratação de Sebastian Vettel.

A chegada do tetracampeão é uma clara declaração de interesses: a Aston Martin quer dar um salto à frente e se posicionar para desafiar também Red Bull e Mercedes numa futura briga por título. A conclusão lógica é que o homem para ancorar o projeto deveria ser o terceiro maior vencedor de corridas de todos os tempos, com 53. Vettel vem de dois anos melancólicos com uma Ferrari que decidiu jogar seu ex-principal piloto aos leões. A verdade é que Seb perdeu o caminho do sucesso em Maranello quando a Ferrari mudou demais internamente e deixou de ser a equipe que o contratou naquele outubro de 2014 para o ano seguinte.

Portanto, por mais que a sensação de muita gente seja de que Vettel está em fim de carreira, aqui estão os números: Sebastian nasceu em julho de 1987 e, assim, completará 34 anos durante a temporada 2021. Muito? Mas Lewis Hamilton acabou de completar 36. Fernando Alonso acabou de voltar para a F1 e terá 40 em alguns meses. Kimi Räikkönen terá 42 primaveras no fim do ano. Vettel ainda tem tempo.

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Lance Stroll fará seu terceiro ano junto ao time (Foto: Aston Martin)

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Para a Aston Martin, o que faltou no fim do período de Ferrari foi carinho: ele já não era tratado como o grande piloto que é. “Sempre disse e seguirei dizendo: aos 33 anos, você não esquece como seguia um carro de F1 rápido. Então, são outras coisas que estão envolvidas nisso. E nós vamos trabalhar incansavelmente para que essas coisas não aconteçam aqui, vamos aliviar as situações. Todo mundo vai ouvir os desejos e necessidades dele. Vamos trabalhar duro para garantir que o carro seja do jeito que ele gosta, que o acerto seja do jeito que ele gosta”, disse o chefe Szafnauer.

A Aston Martin queria um enorme talento para si, um daqueles lembrados por gerações e gerações, e conseguiu. Estudou Vettel e crê que consegue fazer com que ele seja o Seb de alguns anos atrás. É nisso que a equipe de Silverstone aposta para subir outros degraus e tocar o sol – talvez até beijar o céu.

“É muito empolgante para todos na equipe. Com Sebastian, temos um merecido tetracampeão do mundo e com experiência em ajudar a equipes a se tornarem vencedoras de corridas e que lutem pelo título. Por isso é tão importante ele ter assinado com a gente. Ele chega à equipe com uma mentalidade vencedora e, sem dúvida alguma, vamos aprender muito da parte dele neste projeto”, elogiou o chefe de equipe.

“Além disso, acreditamos que Sebastian vai tirar o melhor de Lance, e Lance vai pressionar Sebastian também. De modo que estamos todos empolgados com nossa dupla de 2021, é a mescla ideal de experiência, conhecimento para vencer corridas e o talento natural”, concluiu.

Os testes de pré-temporada foram preocupantes, pior na Aston Martin que eu qualquer outra equipe, mas os problemas foram de confiabilidade, não de rendimento. O carro, ao que tudo indica, é bom, mas o motor e o câmbio da Mercedes entregaram dores de cabeça. Então, ao menos por enquanto, é desnecessário se desesperar.

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“Não estou muito preocupado”, garantiu Vettel á revista inglesa ‘Autosport’ após os testes. “Talvez seja a idade, a experiência. 10 anos atrás eu provavelmente estaria em pânico agora. Mesmo assim, entrar em pânico ajudaria? Provavelmente não. Só temos de fazer nossas coisas e usando o tempo que temos agora. Conseguimos alguma quilometragem e para mim foi muito, muito útil. Poderia ser pior. Poderia ser melhor, mas poderia ser pior. É questão de manter a calma, fazer uma coisa de cada vez e ir em frente quando for a hora”, falou.

Ao lado de um Lance Stroll que, embora não seja uma sumidade, evolui um pouco a cada ano, Vettel ainda crê que consegue o prêmio maior.

“Acho que tenho [condições de ser campeão], obviamente eu não estou velho demais. Não acredito que seja uma questão de idade, mas uma questão de ter o carro o time [certos] ao seu redor. Acredito que ainda tenho condições. Sempre tive isso em mim e é um grande alívio vencer o campeonato [pela primeira vez] e saber que você consegue. Desde então, não vejo motivo para achar que perdi essa capacidade”, declarou.

Se a confiabilidade do trem de força da Mercedes tem chances, se Vettel como piloto do mais alto nível tem conserto, se a Aston Martin atinge o objetivo imediato de ser terceira força do Mundial? Todas essas são respostas que começam a surgir no Bahrein. Mas o que dá para dizer é que a Aston Martin está no caminho correto para quem quer ser grande. O resultado, como sempre no esporte, é incerto.

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