GUIA 2025: Aston Martin sofre com projeto e vê Newey como tábua de salvação na F1
Por mais que tenha conseguido algum destaque em 2023, a Aston Martin se mostrou perdida com o projeto na Fórmula 1 e vive à espera de Adrian Newey para atingir o objetivo de ser grande no esporte. E o ‘Mago da Aerodinâmica’ até pode chegar para somar, mas a equipe também precisa ter um olhar mais atento com o segundo piloto
Depois de sentir o gostinho do que é ser uma equipe competitiva no início de 2023, a Aston Martin se mostrou completamente perdida com o projeto da Fórmula 1. E o último campeonato deixou a bagunça ainda mais escancarada. Com um AMR24 que no início até deu indícios de que poderia incomodar Mercedes e McLaren — que àquela altura eram terceira e quarta força do grid —, o time se perdeu na corrida de desenvolvimento e teve uma campanha completamente esquecível em 2024. Agora, vive à espera dos milagres de Adrian Newey para sonhar em fazer algo notório no esporte.
▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2
▶️ LEIA TAMBÉM: GUIA 2025: Alonso tem chegada de Newey como cartada final da carreira na F1
Desde que passou a fazer parte do grid da F1 em 2021, quando assumiu o lugar da Racing Point, a Aston Martin, por meio do dono Lawrence Stroll, vive pregando ambição do projeto na categoria e desejo de ser uma equipe vencedora. E de fato o que não falta é investimento em infraestrutura e contratação de funcionários. A nova sede, que foi inaugurada em meados de 2023, recebeu aporte bilionário e, além de uma área total de 400.000 m², conta com um túnel de vento de última geração.
Porém, nem toda a estrutura e contratação de pilotos de ponta, como foi com Sebastian Vettel no início do projeto e, posteriormente, com Fernando Alonso, traduziram o investimento em resultados — ainda que alguns pódios tenham sido conquistados com o espanhol no início de 2023. E tudo ficou mais claro nos últimos anos.
LEIA MAIS
+ GUIA 2025: Bortoleto tem olhos do Brasil e chance de futuro grande. Mas presente é duro
+ GUIA 2025: Com Bortoleto, Sauber acerta na dupla, mas problemas vão muito além no adeus
+ GUIA 2025: Red Bull tenta esquecer tormenta e tem Verstappen como norte rumo à calmaria
+ GUIA 2025: Lawson chega à Red Bull sob pressão e liga ‘modo sobrevivência’
Em 2023, o time começou muito bem. Alonso era presença frequente no pódio e só perdia para as imbatíveis Red Bull de Max Verstappen e Sergio Pérez. Lance Stroll, enquanto isso, também conseguiu alguns resultados positivos naquele início de temporada. Mas a Aston Martin se perdeu na competição, desenvolveu atualizações que tornaram o carro pior e encerrou o certame como quinta força do grid.
Existia, porém, uma grande expectativa de que as coisas poderiam voltar aos trilhos em 2024. Não voltaram. O primeiro banho de água fria veio logo na primeira etapa, no Bahrein, quando Alonso e Stroll foram nono e décimo, respectivamente. Nas corridas seguintes, o bicampeão conseguiu alguns resultados melhores e foi uma pedra no sapato principalmente de Mercedes e McLaren. Só que, a partir do GP da Emília-Romanha, sétima etapa do calendário, a coisa descambou de vez e até Fernando teve dificuldades para frequentar a zona de pontos. Desde então, cruzou a linha de chegada no top-10 em apenas mais oito oportunidades.
A situação ficou tão complicada na Aston Martin, que Alonso, que outrora era só elogios ao time, admitiu que estava desmotivado com o projeto da equipe na Fórmula 1.

“Não estava confortável com o carro ou não estava motivado em algumas corridas. Quando não se briga por nada no campeonato ou não está motivado, a energia baixa um pouco. Certamente, não foi como esperávamos ou prevíamos. As expectativas eram altas depois do que fizemos em 2023. Começamos bem no início deste ano, mas não conseguimos melhorar o carro durante o campeonato”, disse ao Chequered Flag, podcast da rede britânica BBC.
“Andamos no meio do pelotão a maior parte de 2024, mas terminamos a temporada um pouco mais atrás. Algumas fases do campeonato foram decepcionantes em geral, mas terminamos em quinto nos Construtores, que era o mínimo requerido”, lamentou o espanhol.
Mas o cenário tende a ser melhor para 2025 devido à reestruturação — mais uma — que a Aston Martin está passando. Insatisfeita com os resultados dos últimos anos, a equipe promoveu uma mudança na chefia e colocou Andy Cowell no posto de dirigente no lugar de Mike Krack. Cowell chegou na Aston Martin no ano passado para substituir Martin Whitmarsh como CEO e foi responsável pelas unidades de potência que renderam o título do Mundial de Construtores para a Mercedes entre 2014 e 2019. Krack, por sua vez, foi realocado para a função de diretor de pista.
LEIA MAIS
+ GUIA 2025: Haas cola na Ferrari e busca manter boa forma mesmo sem Hülkenberg
+ GUIA 2025: Bearman chega à Haas embalado, mas desafio nº 1 é cair nas graças de Ocon
+ GUIA 2025: Verstappen busca penta da F1 em tempos de desconfiança na Red Bull
+ GUIA 2025: F1 chega aos 75 em ano que promete com Hamilton-Ferrari e Brasil no grid

Mas a maior esperança da Aston Martin está depositada em Adrian Newey, que recusou a oferta da Ferrari e se juntou ao time de Silverstone depois de deixar a Red Bull. Contratado a preço de ouro, o ‘Mago da Aerodinâmica’ tem passagens vitoriosas por praticamente todas as equipes que trabalhou e vai receber nada menos que £ 30 milhões [cerca de R$ 220 milhões na cotação atual] por ano.
Embora o anúncio tenha sido feito no ano passado, Newey precisou esperar o período de carência e só começou a trabalhar com a Aston Martin em março de 2025, após a pré-temporada. Por isso, não teve envolvimento algum com o AMR25 que, por sinal, parece ser pior que o modelo antecessor. Uma prova disso foram os dias complicados no Bahrein, em que além de ser uma das equipes com menor quilometragem, teve resultados um tanto discretos.
Com um regulamento completamente novo em 2026 e um carro que não nasceu bem em 2025, é difícil imaginar que a Aston Martin vai investir muito tempo no desenvolvimento de um AMR25 que dificilmente brigará por pódios. Inclusive, a escuderia britânica já informou que está trabalhando em uma organização “mais enxuta e eficiente” para que Adrian crie o carro do próximo ano. No entanto, Newey pode sim, impactar positivamente no desenvolvimento de atualizações do bólido para ajudar o time a terminar 2025 em alta, ele mesmo fala em “dar palpites“. Foi Newey, afinal, o responsável maior pelo assombroso RB19 da Red Bull, que venceu 21 das 22 corridas de 2023. E considerando o declínio dos energéticos após a saída do projetista, dá para ver o domínio que Adrian tem sob o regulamento atual.
O time, porém, também precisa entender que um engenheiro sozinho, por mais talentoso que seja, não consegue fazer milagres e, além de um corpo técnico eficiente, também é preciso de pilotos que correspondam à altura. E Alonso até faz esse trabalho de forma primorosa quando está motivado e tem um bom carro em mãos. O mesmo não pode ser dito de Stroll.
Lance só segue na Aston Martin porque a equipe pertence ao pai, Lawrence. Mas na verdade, são inúmeras as situações em que o canadense dá a entender que sequer gostaria de estar por ali — a falta de paciência com a mídia e as respostas curtas nas entrevistas são um indicativo disso. Ainda, mostrou que, mesmo quando tem um carro bom em mãos, é incapaz de conquistar resultados satisfatórios — e isso ficou muito claro principalmente em 2023. O problema, porém, não se resume à falta de performance. O GRANDE PRÊMIO apurou que parte do corpo técnico da Aston Martin tem relacionamento conturbado com Lance Stroll e reclama que o canadense não sabe dar feedbacks e não contribui com a evolução do carro.
Ou seja, Newey pode ser uma peça vital para o crescimento da Aston Martin na Fórmula 1, mas, se deseja ser levado a sério a ponto de ser considerado em uma briga por título, o time de Lawrence Stroll precisa rever a formação de pilotos e contratar um segundo nome que também ajude no desenvolvimento do carro. Não dá para colocar tudo nas costas de Alonso.
A Fórmula 1 abre a temporada 2025 entre os dias 13 e 16 de março, no GP da Austrália, em Melbourne. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL. O TL1 está marcado para a noite ainda da quinta-feira (13), a partir das 22h30. O TL2 começa já depois da 0h e, portanto, na madrugada da sexta-feira (14), às 2h. Depois, a situação se repete com o TL3 realizado às 22h30 da sexta-feira, enquanto a classificação define o grid de largada começando às 2h do sábado (15). Por fim, a largada está marcada para a 1h do domingo (16). Tanto classificação quanto corrida terão transmissão do GP em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para comentar na GPTV após o fim de cada dia de atividades.
🏁 O GRANDE PRÊMIO agora está no Comunidades WhatsApp. Clique aqui para participar e receber as notícias da Fórmula 1 direto no seu celular!
Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.
📩 NEWSLETTER GP
Assine e receba notícias exclusivas e bastidores das pistas diretamente no seu e-mail!